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Rebeldes tomam capital da República Centro-Africana e presidente foge

Rebeldes na República Centro-Africana assumiram o controle da capital Bangui após intenso combate neste domingo, forçando o presidente François Bozizé a fugir e aumentando o temor de instabilidade no coração da África. Pelo menos nove soldados sul-africanos foram mortos em confrontos com os rebeldes, segundo uma testemunha ouvida pela Reuters, representando um golpe à tentativa da África do Sul de estabilizar a caótica nação e afirmar a sua influência na região.

A coligação rebelde Seleka retomou os ataques nesta semana na ex-colónia francesa e rapidamente se dirigiu o sul em direção a Bangui com o objetivo de derrubar Bozizé, a quem acusa de ter rompido um acordo de paz firmado em janeiro que estipulava a integração dos combatentes ao Exército. “O palácio acabou de cair. Nós tomamos o palácio”, afirmou o porta-voz da Seleka, Eric Massi, à Reuters por telefone, de Paris.

Funcionários de alto escalão do governo confirmaram que os rebeldes tomaram a cidade de mais de 600.000 pessoas que fica às margens do rio Oubangi, fronteira com a República Democrática do Congo. Moradores relataram saques de casas e empresas. A violência é a mais recente de uma série de incursões, conflitos e golpes de rebeldes que têm assolado o país, que possui ricas jazidas de ouro, diamantes e urânio, desde a sua independência da França em 1960.

A República Centro-Africana é uma nação sem saída para o mar, tem fronteiras extensas e desprotegidas e há mais de uma década enfrenta rebeliões no meio rural. O avanço rebelde é mais um fator de instabilidade no centro da África.

O paradeiro de Bozizé, que tomou o poder num golpe militar em 2003 apoiado pelo vizinho Chade, era incerto. Um assessor do presidente disse que ele tinha atravessado o rio para o Congo na manhã deste domingo, enquanto as forças rebeldes se dirigiam para o palácio presidencial.

O chanceler francês, Laurent Fabius, confirmou que Bozizé havia fugido de Bangui, mas não deu detalhes sobre o seu destino. Ele apelou para que 1.200 cidadãos franceses no país mantenham a calma e fiquem nas suas casas.

O gabinete da Presidência da França emitiu um comunicado neste domingo informando que está mandando mais tropas para a República Centro-Africana a fim de proteger seus cidadãos. O comunicado não ofereceu detalhes sobre o número de militares, mas disse que o presidente francês, François Hollande, conversou com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o presidente do Chade, Idriss Deby, para repetir o seu apelo à contenção e ao diálogo entre todas as partes.

O governo do Congo pediu à agência da ONU para refugiados que ajudasse a remover 25 membros da família de Bozizé da cidade fronteiriça de Zongo. O ministro da Informação do Congo, Lambert Mendé, declarou à Reuters que o presidente não estava entre eles: “Bozizé não está na República Democrática do Congo.”

Enquanto a coligação de grupos insurgentes, incluindo alguns que antes eram rivais, consolidava seu poder em Bangui, não estava claro quem iria substituir Bozizé ou se o governo compartilhado do primeiro-ministro Nicolas Tiangaye permaneceria em suas funções. “Os rebeldes controlam a cidade”, disse o porta-voz da Presidência, Gaston Mackouzangba. “Espero que não haja represálias.”

O porta-voz do governo, Crepin Mboli-Goumba, afirmou que a Seleka controlava todas as áreas estratégicas da cidade. Vários soldados da força regional centro-africana, incluindo três chadianos, também foram mortos no sábado, quando um helicóptero operado por forças de Bozizé os atacou, afirmou a Presidência do Chade em comunicado.

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