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Raptores fazem a primeira vítima deste ano em Maputo

Depois de algumas semanas de interregno, os sequestradores voltaram a entrar em acção na manhã de segunda-feira (27), tendo raptado um cidadão de ascendência asiática, que responde pelo nome de Munir Valy, de 36 anos de idade, quando ele saía da sua viatura para o seu local de trabalho, na Avenida Karl Marx, na capital moçambicana.

O grupo de indivíduos armados, em número de três, está a monte. A vítima é proprietária de uma loja destinada à venda de pneus, sita na via em que foi sequestrada. Este é o primeiro rapto de 2015, que acontece dias depois da investidura do novo Governo, que assumiu publicamente, através do Alto Magistrado da Nação, o compromisso de combater a criminalidade que de há tempos para cá tem tirado o sono aos cidadãos.

Testemunhas disseram ao @ Verdade que o sequestro foi protagonizado por três homens armados, que ficaram à espera de Munir em frente do seu estabelecimento, durante pelo menos uma hora, dentro de uma viatura cuja matrícula não foi registada, supostamente aguardando pela sua chegada.

O trabalhador do cidadão em poder dos malfeitores em causa contou que ao longo do percurso, em direcção ao trabalho, ele e o seu patrão fizeram várias paragens, passaram por uma bomba de combustível para abastecerem o carro e nada lhes aconteceu nem imaginavam que alguém podia estar à espera naquele sítio para cometer tal crime.

Orlando Mundumane, porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM) a nível da cidade de Maputo, afirmou que tomou conhecimento do caso, que está a ser investigado.

Entretanto, refira-se que vários problemas como este terminaram sem nenhuma explicação por parte das autoridades da Lei e Ordem. O próprio Jorge Khalau, comandante-geral da PRM, prometeu, em Janeiro de 2014, acabar com os sequestros, mas a realidade tratou de o desmentir publicamente, pois os meliantes continuaram, ao longo daquele ano, a passear a sua classe e deixaram transparecer que alguns crimes eram cometidos com a conivência de certos elementos da Polícia.

Khalau, que continua comandante- geral da PRM neste Governo, em parte por causa da relações que mantém com o antigo Presidente da República, Armando Guebuza, encheu a boca e o peito de ar para dar “dias contados” aos raptos; porém, as suas palavras não passaram de um tiro que saiu pela culatra, na medida em que várias pessoas foram sequestradas à luz do dia, inclusive nas proximidades das esquadras da Polícia.

Uma das provas disso foi o rapto de Momade Bashir Sulemane, um dos empresários e com fortes ligações ao partido no poder, levado à força numa tarde, em Novembro de 2014, quase nas barbas da Polícia, e dias depois restituído à liberdade num processo que até hoje levanta muitas suspeitas no que diz respeito à operação das autoridades para o efeito.

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