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Rami: uma mulher confrontada com a poligamia

Que dizer se de repente – e do nada mesmo – a estimada leitora (aplica-se aos homens também), num belo dia, descobrir que o seu marido a trai? E que não é com apenas uma mulher? Mas ele envolve-se com várias e das diversas partes de um país? A experiência similar a esta – já narrada em Niketche: Uma história de Poligamia, de Paulina Chiziane – é vivida por Arlete Bombe que, na peça com o mesmo título, exerce papel da personagem Rami. A obra sob encenação de Elliot Alex será exibida na quinta-feira, 27 de Fevereiro, no Centro Cultural Franco-Moçambicano, em Maputo.

Rami, mulher casada, honesta e dedicada à família e que se torna sabedora da traição de seu cônjuge, para sua surpresa, descobre que não se trata somente de uma amante que seu marido tem, mas várias, começando por Julieta, Luisa, Saly e Mauá. Descobre também os filhos do marido, que totalizam 17. Porém, cada mulher vem de um lugar diferente e é de origem diversificada, sendo de vários lugares do país: Maputo, Inhambane, Zambézia, Nampula e Cabo Delgado. Então, Rami decide ir conhecer cada uma delas.

Tudo decorre numa peça empolgante, em que, a par de Arlete Bombe – que interpreta Rami – mais umas quatro actrizes, Moiasse Sambo, Alice Chirinda, Julieta Lopes e Deise Manjate associam-se a fim de interpretar as tão diferentes idiossincrasias e peripécias protagonizadas por Julieta, Luisa, Saly e Mauá.

Como o Grupo de Teatro Luarte explica, a produção de Paulina Chiziane problematiza a subjectividade e o drama existencial, através da personagem Rami, que indaga sobre as condições da mulher na sociedade africana, mas, sobretudo, buscando subvertê-la. Portanto, a referida peça teatral é adaptada do romance Niketche (2003) que fala das mulheres e da sua origem, em determinado contexto de um espaço híbrido – Moçambique. Não é uma peça feminista, mas aborda questões feministas. “Niketche inscreve-se numa linha de narrativa feminina africana de crítica à poligamia”.

Nessa peça, o encenador Elliot Alex, por meio do enredo e por meio da descoberta de Rami, traz para o centro da obra os diferentes costumes e a pluralidade cultural das regiões que compõem Moçambique. A cultura das mulheres do sul de Moçambique é bem diferente da do norte desse país.

Então, Rami, diante de tais acontecimentos em torno de sua vida, procura lidar com as diferenças, com a colisão entre os opostos mulher/homem, esposa/amante, monogamia/poligamia, tradição/ruptura, que são, de certa forma, uma maneira de existência nesses espaços definidos em Moçambique, norte e sul do país. Em meio a essas turbulências, há uma busca incessante de Rami por sua própria subjectividade, o seu próprio lugar.

A não perder, a peça teatral Niketche será exibida no dia 27 de Fevereiro, a partir das 19 horas, no Centro Cultural Franco-Moçambicano, em Maputo.

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