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Raides da aliança abrem caminho aos manifestantes para a cidade natal de Khadafi

As tropas aliadas bombardearam ontem à noite a cidade natal de Khadafi, Sirte, abrindo caminho para o avanço dos manifestantes populares que asseguram ter tomado o controlo desta localidade, apesar de testemunhos dali chegados darem conta de não haver ainda sinais da rebelião.

A cidade que funciona como “barreira psicológica” no conflito – e cujo controlo pode servir como factor de motivação para o movimento popular prosseguir o seu combate contra as forças de Muammar Khadafi – Sirte estava já mergulhada em silêncio pouco mais de uma hora após uma série de explosões que ocorreram de madrugada. “Tudo parece estar normal por aquilo que nos foi dado a ver. Há alguma polícia e soldados, mas nenhuns sinais de combates no terreno”, relata o correspondente da agência noticiosa britânica Reuters, que esteve esta manhã em Sirte numa deslocação organizada pelas forças leais a Khadafi.

A mesma fonte descreve que Sirte é patrulhada por grupos de milícias a soldo do regime, fortemente armadas e cujos membros se vestem à civil. Este relato foi repetido pelo enviado da francesa AFP, integrado na mesma comitiva convidada, ainda na véspera, a visitar Sirte: “As ruas estão praticamente desertas, não estão a ser feitos agora nenhuns voos sobre a cidade. Não foi possível ver, porém, se os raides aéreos [da coligação mandata pelas Nações Unidas] de domingo à noite e manhã de hoje causaram danos. Mas é claro que não há ainda sinais da presença de rebeldes em Sirte, muito embora se confirme que estão a avançar nesta direcção”.

Uma coluna de dezenas de carrinhas todo-o-terreno com metralhadoras e ocupadas por manifestantes populares foi avistada já a caminho de Sirte esta manhã, de acordo com a Reuters. O avanço consolidado no terreno das forças da rebelião terá porém sido “parado” à saída de Ben Jawad, cidade reconquistada ontem a Khadafi, a uns 140 quilómetros para leste de Sirte, precisou entretanto a AFP.

A Al-Jazira deu conta que os manifestantes populares tomaram entre a noite de ontem e as primeiras horas da manhã de hoje a cidade de Nawfaliyah, já a apenas 120 quilómetros de Sirte e a posição mais a oeste na costa Líbia neste avanço, ao mesmo tempo que o exército do regime reforçou posições a uns 30 quilómetros para leste de Sirte. “Esta é agora a frente de batalha. O exército [de Khadafi] parou ali e nós parámos aqui”, afirmou à Reuters um combatente rebelde num posto de controlo para lá de Ben Jawad e apontando para a estrada em direcção ao ocidente, de onde chegava o barulho de fortes explosões.

Da “capital” da manifestação popular na Líbia Oriental, Bengasi, os líderes do movimento anti-regime reclamavam porém que tinham conquistado a cidade natal do líder líbio. “Está confirmado que Sirte caiu nas mãos dos partidários da democracia”, indicou o porta-voz dos rebeldes, citado pela Reuters, Shamsiddin Abdulmolah, o qual acrescentou ainda que as suas forças não encontraram muita resistência por parte dos homens de Khadafi.

Entre as 5h20 e 5h35 foram ouvidas pelo menos nove explosões na cidade, a meio caminho entre Bengasi e a capital, Trípoli, último bastião seguro de Khadafi. Aqueles raides da coligação seguiram-se a uma série de quatro outros durante a noite incidindo também sobre Sirte. Residentes contaram que as defesas antiaéreas líbias não entraram em acção para responder aos bombardeamentos dos aliados.

Auxiliados pelos ataques aéreos da coligação, os combatentes rebeldes têm vindo a ganhar terreno e já reverteram nestes últimos dias algumas das perdas militares que tinham sofrido nas semanas anteriores, quando as tropas de Khadafi lançaram um contra-ataque à rebelião.

De novo nas mãos dos manifestantes populares estão os principais terminais petrolíferos no leste da Líbia: Es Sider, Ras Lanuf, Brega, Zueitina e Tobruk , ao passo que as forças de Khadafi se entrincheiram no oeste do país.

O avanço de uma força pouco treinada e pouco armada como é o caso dos manifestantes populares sugere que os ataques ocidentais estão a mudar a dinâmica deste conflito de forma dramática, pelo menos no leste do país. Mas sinalizará também que as tropas de Khadafi retiraram de Ras Lanuf e Brega com um sentido profundamente táctico, visando reunir as suas forças mais ao centro do país, criando uma barreira tão forte quanto possível ao avanço dos rebeldes para as cidades mais simbólicas do ocidente, como é o caso de Sirte e de Trípoli.

A uns 160 quilómetros para oeste da capital, as forças de Khadafi estão a lutar contra os rebeldes no centro de Misurata, a terceira maior cidade líbia, que se mantém agora como a única cidade ocidental nas mãos dos rebeldes.

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