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Quenianas seropositivas contra aleitamento materno exclusivo

Peritos em nutrição recomendam que mães seropositivas devem amamentar os seus filhos exclusivamente com leite do peito durante pelo menos os primeiros seis meses para reduzir o risco de transmissão do HIV, mas por causa da insegurança alimentar no Quénia elas queixam-se de não ter leite suficiente para os bebés crescerem saudáveis.

“Por mais que eu queira dar exclusivamente leite do peito ao bebé, é difícil porque não tenho alimentação suficiente e penso que o meu leite não satisfaz a criança”, disse Rose Otieno, 35 anos, mãe de seis filhos no distrito de Nyando, na provincial ocidental de Nyanza.

Segundo ‘Scar Kambona, nutricionista na província, as mulheres precisam ser educadas sobre a relação entre a sua própria nutrição e a produção do leite materno.

“As mães precisam de alimentação adequada para se manterem saudáveis, mas a quantidade de alimentos que a pessoa toma não tem absolutamente nada a ver com a quantidade de leite que produz, e isto é o que muitas mães não percebem”, referiu.

Peritos dizem que o estado nutricional de uma mãe tem pouco efeito sobre a sua capacidade de aleitamento e só em casos de extrema mal nutrição é que a energia e proteínas da mãe afectam a produção do leite materno.

Contudo, recomendam que mães mal nutridas devem melhorar a sua dieta durante a amamentação para não comprometerem o seu próprio estado nutricional e a sua saúde.

Seca e pobreza

O Quénia está a ser severamente afectado pela seca que assola a África Oriental. Cerca de cinco milhões de quenianos necessitam de assistência alimentar.

Embora a província de Nyanza seja tradicionalmente uma zona fértil e de segurança alimentar, extrema pobreza significa que não há comida suficiente na região.

Benta Akoth, outra mãe seropositiva em Nyanza, diz que se não fosse pelo seu marido ela não teria sido capaz de dar aleitamento exclusivo aos seus últimos dois filhos até aos seis meses.

”Dei leite do peito durante seis meses sem qualquer suplemento alimentar… o meu marido encarregou-se de proporcionar comida”, disse ela, acrescentando que “tenho muitas amigas que começam a dar aos seus filhos papinhas de milho aos três meses por falta de comida”.

De acordo com um estudo de 2011 em que foram entrevistadas 148 mulheres na província de Rift Valley, aquelas pertencentes a famílias afectadas pela insegurança alimentar na sua maioria duvidam que o aleitamento materno exclusivo seja suficiente para alimentar a criança durante os primeiros seis meses.

“A experiência vivida de insegurança alimentar no seio de famílias de baixa renda mostra que as mulheres urbanas não implementam pelo menos uma das principais recomendações, que é aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses da vida da criança”, dizem os autores do estudo.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que “as mães seropositivas e cujos filhos não estejam infectados ou cujo estado em termos de infecção não seja conhecido devem amamentar exclusivamente com leite materno durante os primeiros seis meses, introduzindo alimentação suplementar após esse período enquanto continuam a amamentar por mais seis meses pelo menos”, a organização diz que a amamentação deve parar apenas quando a criança já pode tomar uma alimentação nutricionalmente apropriada.

Educacao, apoio

Charles Okal, coordenador dos programas de SIDA e doenças sexualmente transmitidas na província de Nyanza, disse que mães seropositivas precisam de apoio psico-social e nutricional para darem aleitamento materno exclusivo.

“Devia haver uma maneira de envolver a comunidade para poder apoiar estas mães provenientes de famílias que sofrem de insegurança alimentar para que o aleitamento materno exclusivo, como método de prevenção de infecção pelo HIV, seja efectivo”, disse, acrescentando que “talvez mesmo um programa de alimentação numa unidade sanitária possa ser útil”. Mas Kambona notou que um programa baseado numa unidade sanitária não é solução.

“Se der comida a uma mulher na unidade sanitária todas as vezes que ela vier, ela não vai comer enquanto os seus filhos passam fome (ela vai dar a comida aos filhos), assim não só não é sustentável, mas não resolve o problema de maneira alguma”, disse. “ A única solução é o governo tentar garantir segurança alimentar às famílias”, defendeu.

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