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Qualidade de energia e custo de agua afectam competitividade das empresas

A baixa qualidade de energia eléctrica da rede nacional e os elevados custos de água estão a afectar negativamente a competitividade das empresas moçambicanas, segundo se queixaram alguns empresários durante a 12ª Conferência Anual do Sector Privado realizada esta semana em Maputo.

 

 

Os empresários nacionais dizem que chegam a sofrer 50 cortes de energia por mês, o que afecta os seus planos de produção. João Betencourt, operador económico em Manica, Centro do país, disse que a baixa qualidade de energia afectou muito a produção da sua companhia.

“Por mês nós sofremos mais de 50 cortes, o equivalente a três cortes por dia. Esta situação obrigounos a rever os nossos planos de produção e isso implica custos elevados”, explicou Betencourt.

Um outro agente económico, que opera no sector agrícola em Massinga, província meridional de Inhambane, referiu que os camponeses daquela região querem deixar de depender da água das chuvas e apostar em sistemas de irrigação através de bombas eléctricas para explorar os riachos existentes.

“Para isso teremos que colocar bombas eléctricas, mas estamos preocupados com a fraca qualidade de energia e com os cortes sistemáticos”, indicou ele.

Por sua vez, António Nunes, empresário na província de Maputo, Sul do país, afirmou que a fraca qualidade de energia reduz o tempo de vida dos sistemas de rega.

Por outro lado, segundo a mesma fonte, esta situação, para além de afectar directamente a produção, tem impacto noutros factores de que depende a produtividade, como é o caso da colocação de instituições financeiras fundamentais para as actividades económicas.

Por sua vez, o Presidente da CTA, Salimo Abdula, citando um estudo sobre custos de transacção que concluiu que em alguma zonas, em média, as empresas enfrentam 60 cortes por mês devido a avarias e actos de sabotagem aos equipamentos eléctricos.

“Esta situação cria não só descontinuidade no processo produtivo, como também provoca enormes prejuízos em equipamento eléctrico”, declarou Salimo Abdula.

Abdula falou ainda da falta de energia eléctrica nalgumas zonas agroecológicas, usando como alternativa o diesel para as motobombas o que “onera os custos”.

O Presidente da CTA indicou, por outro lado, que apesar da energia ser gerada no país, os custos chegam a ser dos mais altos da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) o que retira a vantagem comparativa do país.

“Como se poderá desenvolver uma agricultura comercialmente competitiva e que integre o processamento e conservação sem acesso a energia?”, questionou a fonte.

O Presidente do Conselho de Administração da Electricidade de Moçambique (EDM), empresa responsável pela distribuição de energia no pais, já veio a publico dizer que o problema da qualidade deste recurso vai prevalecer enquanto continuarem a ocorrer roubos e vandalização de materiais eléctricos.

Quanto a água, o Presidente da CTA disse que não se entende porque a água continua a ser sujeita ao pagamento do Imposto Sobre o Valor Acrescentado (IVA).

António Pino, operador do sector agro-industrial em Sofala, Centro de Moçambique, referiu que os custos de água são elevados, sobretudo quando se tem que pagar às Administrações Regionais de Águas, neste caso a ARACentro. “Por causa destes custos, nós estamos a ver como consumir directamente a água dos rios”, disse.

A Conferência Anual do Sector Privado realizou-se na passada Terça-feira e contou com participação de mais de 500 empresários nacionais e cerca de 100 vindos de Angola e Portugal, para além de membros do Governo.

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