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Purificar a África!

O produtor de eventos culturais moçambicano, Lapaman, passou a vida a estudar sobre a África, até que um dia compreendeu que as tendências dos povos nativos para o homossexualismo, a mentira, a preguiça mental e física (…) são puras patologias. Controlá-las e estabelecer o equilíbrio na acção humana é o que se propõe fazer.

Em Maputo, a primeira acção – “para purificar o povo” – arranca hoje (sexta-feira) com a realização de um concerto musical de Ragga, Reggae e Hip Hipo a associar, no mesmo palco, artistas moçambicanos, sul-africanos e suazis. O evento, uma espécie de tournée, durará um mês, podendo ter lugar ainda na província de Gaza.

Abba Meskel (da África do sul), Jazz P (da Suazilândia), bem como o rapper moçambicano YPG são os nomes que corporizam o cartão de visitas para os concertos. Finalmente, “compreendi que não podia viver somente para mim”, diz Lapaman que depois de estudar muito acerca do líder do movimento Rastafari, Hailê Selassiê, assim como de alguns lideres de movimentos de libertação de África dos colonos como, Kwamen Nkrumah, Leopold Senghor e Samora Machel para realizar o que chama de “restaurar a verdade sobre África”.

No entanto, no contexto das que já se realizaram no país, Lapaman refere que esta tournée rompe radicalmente com os modelos estabelecidos porque a música que se tem propalado no país (sobretudo em discotecas e rádios) é mais dançante. Ou seja, coloca apenas o corpo humano em movimento. Ora, opostamente a isso, “nós propomos um estilo de música para a dança do cérebro. Uma música para a reflexão”.

Por isso, tem-se como objectivo difundir uma mensagem social de que as pessoas carecem em função dos desafios que enfrentam no dia-a-dia. Se formos a reparar, para o caso do nosso país, constatamos que as pessoas são pouco activas. Há muitas coisas que podiam fazer por/para si próprias, no entanto, não o fazem sob alegação de que cabe ao Governo fazê-lo. Criticamos o tal comportamento social para despertar as pessoas cujas mentes estão adormecidas.

Combater comportamentos desviantes

Ao que tudo indica, Abba Meskel, Jazz P e YPG (entre outros músicos envolvidos na missão) não foram seleccionados ao acaso. Partilham dos mesmos ideais. Senão vejamos: “O que nós pretendemos fazer é denunciar, através da música, os aspectos que achamos errados e chamar a atenção da sociedade para que possa agir de forma favorável e equilibrada”.

Os artistas propõem-se ainda lutar pela cultura africana, sobretudo porque segundo crêem a “cultura é que faz desenvolver um povo”. No então, no caso da questão das homossexualidade, sobre a qual o mundo contemporâneo se confronta com uma grande questão sobre se se aprova ou não os casamentos homossexuais, eles recuperam um princípio bem antigo, intemporal, por isso, ao mesmo tempo moderno:

“Deus passou a criar o homem à sua imagem, macho e fêmea os criou. Ademais, Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos e tornais-vos muitos, e enchei a terra, e sujeitai-a, e tende em sujeição os peixes do mar, e as criaturas voadoras dos céus, e toda criatura vivente que se move na terra”, assim está escrito em Génese 1: 27-28.

Para, seguramente, afirmarem que “quando acontece situações em que o homem tende, a apreciar, sexualmente, mais os homens no lugar de mulheres (dando-se o mesmo em relação à mulher), isso só pode ser uma doença”. Por isso, “a nossa preocupação é o estabelecimento de equilíbrio nas relações humanas”.

Estes artistas acreditam ainda que em Moçambique, a crise de subsistência, como o problema de alimentação e má nutrição não têm razão de existir, muito em particular se recordarmos que o país é rico em terras aráveis para produzir alimentos. Havendo, inclusive, “muitos alimentos naturalmente produzidos em diversos pontos do país”.

Não obstante, incompreensivelmente “tais produtos são mal distribuídos pelo território nacional”. A consequência imediata “é que apodrecem”. Enquanto isso, há pessoas que emigram para África do sul, onde compram os mesmos produtos, desta vez, com baixa qualidade nutricional, porque geneticamente modificados.

África é apenas um país

Sobre o seu nome Abba Meskel conta que é essencialmente de origem etíope, onde foi baptizado ainda criança. O artista não consegue conceber a departamentalização do continente africano em pequenos países. Para ele, a África é Etiópia. E a Etiópia, África. Mas quando os colonos europeus chegaram no século XX, dividiram o continente em pequenos países.

No entanto, o facto de os africanos estarem divididos, limitados por fronteiras territoriais e linguísticas, Jazz P, esta mulher de espiritualidade invulgar, acredita que no plano cultural continuamos unidos. É por essa razão e, sobretudo, porque a música é uma linguagem universal que, os limites linguísticos, não “irão ofuscar a emissão da nossa mensagem. O importante é sentir”.

Aliás, com 30 anos de idade, 12 dos quais dedicados à musica, Jazz P considera-se “uma ferramenta de comunicação para emitir mensagens de libertação. A música é minha contribuição para a construção social de África”, finaliza.

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