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Roubo de gado um problema crónico que trava o fomento pecuário

Quantidades não especificadas de bovinos, incluindo do fomento pecuário, são roubadas todos os anos em diferentes localidades do distrito da Namaacha, na província de Maputo, segundo a população daquele parcela do Sul de Moçambique.

Falando, segunda-feira, durante um comício que o Presidente moçambicano, Armando Guebuza, orientou na localidade de Matsequenha, alguns populares explicaram que parte significativa da carne vendida em alguns mercados da cidade capital e província de Maputo provém de bovinos roubados.

“Nós vivemos de enxada e criação de animais. Porém, pessoas há que roubam o milho e o gado, que depois vendem na cidade”, denunciou Maria José Kussi, uma das pessoas que tomaram a palavra durante o comício, a convite do Presidente Guebuza.

Segundo ela, parte da carne que se vende, por exemplo, no mercado de Xipamanine, um dos principais mercados suburbanos da capital moçambicana, Maputo, resulta dos bovinos roubados em diferentes partes do distrito da Namaacha, sobretudo em Matsequenha.

Salazar Cossa, outro interveniente, acrescentou que parte desse gado bovino foi adquirido no âmbito do programa de fomento pecuário, situação que vai contra a aposta do governo.

A localidade de Matsequenha, que recebeu a visita do Chefe de Estado, tem uma superfície de 588 quilómetros quadrados e uma população de 1.358 habitantes, dos quais 40,6 por cento são mulheres.

Contudo, até 2010, segundo um relatório das autoridades locais apresentado ao Chefe de Estado, a localidade possuía um total de 6.360 bovinos, contra 3.451 bovinos de 2009. Isto equivale a uma media de pelo menos 4,7 bovinos por cada habitante de Matsequenha.

Assim, a base económica desta localidade, que outrora foi uma das zonas mais flageladas pela guerra civil dos 16 anos, envolvendo o governo e a Renamo, este último que é o maior partido da oposição, assenta na agricultura e pecuária.

Contudo, há uma intensa actividade de produção de carvão vegetal, o que faz de Matsequenha uma zona em grande risco de desertificação, sendo que os sinais nesse sentido começam a ser visíveis. O roubo de gado é um fenómeno que não se circunscreve apenas ao distrito da Namaacha, pois ocorre um pouco por todo o país.

Durante a presidência aberta, queixas idênticas foram apresentadas ao Presidente da Republica no distrito de Magude, a Norte da província de Maputo, onde o fenómeno ‘e tido como preocupante.

No caso da Namaacha, o governo distrital aponta como prioridade a operacionalização do policiamento comunitário, tendo sido instalados cinco centros, nomeadamente em Matsequenha, Kulula, Cascatas, Mahelane, Goba e Changalane. A aposta vai ainda a colocação de um agente da polícia para fazer patrulha junto dos residentes.

Para além dos casos de roubo de gado, a população apresentou também outros constrangimentos com que se deparam como, por exemplo, a falta de água potável em alguns povoados; desemprego, este ultimo mal que faz com que a camada juvenil local se envolva em alcoolismo e criminalidade, para alem da insuficiência de centros e postos de saúde nas localidades.

As queimadas descontroladas foi um outro assunto focado pelas populações, explicando que este mal vem reduzindo os campos de pastagem do gado.

Na ocasião, os populares pediram a expansão da rede eléctrica, reactivação dos comboios entre Goba e a cidade de Maputo e a instalação de uma antena de telefonia móvel.

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