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Proponho Xinhambanine

O Urbi et Orbi de Obama

É estranho como é curta a memória dos homens! Luís Cabral, o primeiro presidente da Guiné-Bissau, que faleceu no passado sábado, vítima de doença num hospital de Torres Vedras em Portugal, foi exaltado, em mensagens fúnebres, como um “grande homem”, “pessoa honrada” “grande patriota guineense”, “ilustre filho da Guiné” e sei lá o que mais. Ouvi louvores de toda a espécie à sua figura. Como é possível tal coisa? Como é que foi possível terem sido esquecidos os horrores do seu consulado? Só encontro uma justificação para isso: Nino Vieira ter sido pior ou igual e o facto de estar mais presente, porque mais recente, esbatem os crimes de Cabral.

 

Mas nunca, seguramente nunca, – a memória ainda é uma das coisas que distingue o homem dos animais – a História o ilibará dos crimes cometidos entre 1974 e 1980, quando presidiu aos destinos da Guiné.
Quem poderá esquecer as prisões e as torturas dos opositores do regime, quem poderá esquecer as execuções – a lei previa a pena de morte e não era preciso cometer um grande crime para invocá-la -; quem poderá esquecer a completa ausência de liberdades civis (opinião, expressão, imprensa); e, a página mais negra, o massacre – falou-se em mais de 500 – de comandos africanos que prestaram serviço no exército português e que o novo poder considerou traidores à pátria, executando-os sem qualquer tipo de julgamento apesar dos apelos internacionais para uma amnistia?

A esse propósito o próprio “Nino”, que não era propriamente um exemplo no que diz respeito a direitos humanos e descontando a reacção a quente – estas afirmações foram proferidas pouco depois do golpe que derrubou Cabral em 1980 – descreve o regime do ex-comparsa: “O massacre de comandos africanos, de ex-soldados, de ex-milícias, e até de civis, que tinham pertencido e apoiado o exército português, foi realizado após a entrega do poder ao PAIGC em 1974, esta acção colocou uma mancha na história da Guiné, e criou um precedente de impunidade, que se virou contra os próprios dirigentes do PAIGC, face a um clima de intrigas e conspirações que se criou.

Não se sabe ao certo quantos morreram, mas foram vários milhares.”
Uma coisa ninguém pode negar: depois do golpe que destituiu Cabral, as valas comuns foram abertas e as pilhas de cadáveres chocaram o mundo. Um facto inegável: a história de violência na Guiné pós-independência começou com Luís Cabral.

Apesar destas evidências, o presidente deposto, sempre com aquele ar de vítima, negou sempre qualquer responsabilidade. Mas como é possível que num regime presidencialista, onde o chefe do Estado é o comandante supremo das FA, o responsável máximo não ter qualquer conhecimento de tais barbaridades? É que não estamos a falar de meia dúzia, mas sim de centenas de execuções!

O facto de ‘Nino’ ser uma besta não faz de Cabral bestial. Aliás, ambos estão bem um para o outro. Se a Guiné hoje bateu no fundo o governo de Cabral tem a sua quota-parte de responsabilidade nesse afundamento. A diferença entre ambos é talvez unicamente de postura e de temperamento: ‘Nino’ era um bruto, boçal, emocional. Cabral era um dissimulado, frio, polido. O primeiro era um lobo e vestia a sua pele, o segundo era um lobo que vestia a pele de um cordeiro. Mas ambos nunca deixaram de ser lobos.

Efectivamente, o que fez Cabral pelo seu país depois da independência? Nada, absolutamente nada. Quando de lá saiu, em 1980, só deixou ódios, intrigas, vinganças e uma economia de rastos apesar de a Guiné ser o PALOP que mais ajuda externa recebeu naqueles anos. Depois disso, teve uma breve passagem por Cuba e Cabo Verde para se fixar em Portugal, país em relação ao qual sempre mostrou ressaibo mas do qual dependeu financeiramente até à morte – recebia uma pensão vitalícia do Estado português e vivia numa flat paga pelo erário público português.

E nós por cá temos um bairro, nos arrabaldes de Maputo, com o nome desta sinistra figura!

Não é caso único, mas proponho que se comece por aqui. Que o lugar volte a chamar-se Xinhambanine. Os manhembanas bem o merecem.

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