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Progressões por ciclo são nova filosofia de educação

As autoridades moçambicanas de educação afirmam que o país não vai abandonar o sistema de progressão semi-automática por ciclos de ensino em vigor desde 2005 no ensino primário, contrariando informações recentes dando conta de um abandono.

O Ministro da Educação, Zeferino Martins, que revelou a posição das autoridades de educação, disse, Quarta-feira, em Maputo, que o aluno só reprova no fim do ciclo se não tiver alcançado as competências previstas.

Martins, que falava na conferência de imprensa destinada a incidir sobre o sistema de ensino no país, disse que a progressão por ciclo de ensino é a nova filosofia de educação, daí que o maior desafio do país é consolidar o sistema, introduzido no país em 2005.

No encontro, a fonte debruçou-se igualmente sobre as decisões saídas do Conselho Coordenador do pelouro havido semana finda no Niassa, norte do país.

O titular da pasta de educação frisou que é graças ao sistema que Moçambique tem mais de seis milhões de alunos matriculados no ensino primário, porque, do contrário, mais de metade estaria fora da escola.

“O aluno quando entra na primeira classe não reprova. Ele não pode reprovar porque a primeira e segunda classe constituem um ciclo. Portanto, o aluno não pode chumbar na primeira classe porque ainda não terá atingido os objectivos do ciclo” explicou o ministro.

Zeferino Martins acrescenta que “estamos a dizer que os alunos reprovam na segunda, quinta e sétima classes e nas classes intermédias eles transitam, evoluem, estão no processo de aquisição de competências”.

No primeiro ciclo (primeira e segunda classes) o aluno deve ser capaz de comunicar oralmente e por escrito, de forma clara, ler e escrever frases simples e pequenos textos em língua portuguesa, saber contar e escrever números naturais até 100, fazer cálculo mental e escrito de adição e subtracção até 100, resolver problemas simples envolvendo a adição e subtracção, bem como conhecer os símbolos nacionais.

No segundo ciclo (terceira a quinta), o aluno deve ter desenvolvido as competências do primeiro ciclo, incluindo fazer o cálculo mental e escrito de adição, subtracção, multiplica ção e divisão no limite de um milhão, resolver problemas simples com números naturais, decimais, fracções e percentagens. Por outro lado, o aluno deve desenvolver hábitos de higiene pessoal, limpeza e ornamentação, desenvolver uma atitude positiva na protecção e conservação do ambiente e o conhecimento sobre a sua história, da sua comunidade e do país.

Enquanto isso, no terceiro ciclo 6ª e 7ª classe, o aluno deve comunicar-se oralmente e por escrito de forma clara em língua portuguesa, falar, ler e escrever frases simples na língua inglesa, fazer cálculos de adição, subtracção, multiplicação e divisão no limite de um bilião, resolver problemas com números naturais, decimais, fracções, percentagens, grandezas, áreas e volumes.

Ainda, o aluno deve aprofundar conhecimentos sobre a história de Moçambique, África e outros povos, conhecer os órgãos do poder do Estado, direitos, deveres e liberdades fundamentais do cidadão, aplicar conhecimentos científicos básicos na gestão dos recursos naturais e do ambiente na comunidade.

“Estes são os objectivos que o aluno deve alcançar até ao fim de cada ciclo e vão evoluindo”, frisou o ministro. Questionado insistentemente por jornalistas sobre o procedimento a ser tomada no caso de o aluno, no meio do ciclo, não conseguir desenvolver as competências previstas, Zeferino Martins disse que o professor, juntamente com os pais e encarregados de educação, deve acompanhar o aluno.

“Quando o aluno tem dificuldades, o professor acompanha o aluno na classe seguinte para ajudá-lo a suprir as suas deficiências” defendeu. Questionado, ainda, se não seria mais produtivo reter o aluno na classe em que o aluno não consegue atingir as competências, o ministro insistiu que não, que com tempo ele vai adquirindo as competências previstas.

“Reprovar o aluno não melhora o aproveitamento dele. Quando muito a reprovação fá-lo-á perder o interesse pela escola e por consequência desistir de estudar porque a reprovação diminui a auto-estima. O nosso sistema não foi feito para passar atestado de competência aos alunos. No passado tínhamos níveis elevados de reprovações e por consequência altos níveis de reprovação” explicou.

As consequências das progressões por ciclo fazem-se notar nas classes com exame, nomeadamente na quinta e sétima classe. Estas classes servem de filtro, sendo que os que desenvolveram competências transitam e os que não reprovam. Aliás, a retenção de um aluno numa classe terminal corre repetidas vezes e por consequência o aluno desiste de estudar.

Devido à fragilidade do ensino neste nível, alguns pais e encarregados de educação, vendo que os seus educandos não estão a desenvolver competências, sobretudo no tocante a leitura e escrita, chegam a pedir que os mesmos voltem às classes anteriores.

“Para resolver o problema da qualidade é preciso ter melhores professores, escola em condições para que os alunos possam alcançar as competências previstas. Isto significa que temos que colocar o professor certo no lugar certo ter directores mais competentes e criativos” defendeu a fonte.

O ministro revelou que o Ministério da Educação vai introduzir, a partir do próximo ano, testes a três níveis, que visam aferir a qualidade de ensino no país. O primeiro teste, chamado provinha, será realizado a nível do segundo ciclo, concretamente na terceira e quarta classes, com objectivo de avaliar as competências desenvolvidas pelo aluno.

“São testes rigorosos e cientificamente provados. O teste não chumba o aluno, mas serve para verificar o que o aluno apreendeu nas aulas e também ajuda o próprio professor a avaliar o seu desempenho e a melhorar a sua metodologia” explicou o ministro.

Os outros testes serão realizados a nível nacional por amostragem realizada em locais e grupos pré-definidos, e internacionalmente, comparando os resultados alcançados internamente com os de outros países da região e do continente, tendo em conta os indicadores estabelecidas por entidades estrangeiras devidamente credenciadas.

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