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Produção da fábrica de antiretrovirais pode atingir 1 bilião de unidades/ano

Produção da fábrica de antiretrovirais pode atingir 1 bilião de unidades/ano

O processo da instalação, no país, de uma fábrica de produção de anti-retrovirais e outros medicamentos essenciais, cujo processo negocial entre o governo moçambicano e brasileiro iniciou em 2003, está numa fase bastante adiantada. Ao que soubemos, a fábrica deverá começar a produzir os anti-retrovirais e outros medicamentos essenciais em finais de 2012 e início de 2013, fase que será antecedida pelo início da embalagem de medicamentos a serem produzidos na fábrica do Brasil. A embalagem em Moçambique deverá começar nos primeiros meses de 2012.

Numa primeira fase (finais de 2012 e início de 2013), a fábrica, localizada na Matola, deverá produzir um total de 250 milhões de unidades/ano em comprimidos anti-retrovirais e 145 milhões de unidades em outros medicamentos considerados essenciais e bastante utilizados em Moçambique.

Estes níveis de produção serão conseguidos num processo produtivo de 8 horas/dia, o que significa, um turno apenas de trabalho. Na verdade, logo no início, a fábrica deverá estar dotada de capacidade para produzir anualmente cerca de 1 bilião de unidades em medicamentos anti-retrovirais, bastando, para tal, que se passe de um para três turnos de trabalho.

A concretização destes níveis de aumento de produção dependerá muito das necessidades do mercado, tanto nacional assim como estrangeiro, atendendo o facto de ser a primeira fábrica de anti-retrovirais a ser instalada no continente africano.

Na abordagem do alcance da capacidade máxima, Hayne Felipe da Silva, Director da Fundação Osvaldo Cruz, mostrou cauteloso. “Se houver necessidade de a fábrica contratar mais técnicos e trabalhar 24 horas por dia, a produção pode chegar a 1 bilião de unidades/ano, falando apenas de anti-retrovirais. Mas é importante começarmos do rés-do-chão para irmos subindo os degraus necessários sempre que houver, de facto, necessidade. Mas, sim há essa possibilidade de produzirmos até 1 bilião de unidades/ano” – avançou Osvaldo Cruz.

Neste momento, explicou-nos àquele responsável, o processo de montagem da fábrica está na fase de contratação, pelo governo moçambicano do empreiteiro que vai compartimentar a unidade fabril no sentido de dotá-la de condições para abarcar todos os compartimentos de acordo com as várias fases de produção. “O espaço é plenamente suficiente. A questão agora é simplesmente de adaptação e tem que ter todas as áreas de ar condicionadas, diversos espaços para as diferentes fases de produção como a compressão, embalagem…” – anotou.

“Então, a ideia é que até 2012 a gente esteja com condição de fazer a embalagem do produto produzido no Brazil de maneira que até finais de 2012 e início de 2013 a fábrica já esteja em pleno para iniciar a produção” – explicou o Director da instituição que, desde à primeira hora, acarinhou o projecto juntamente com os governos de Moçambique e Brazil.

Explicou, por outro lado, que a fase de embalagem antes do início produtivo responde às exigências internacionais nesta área. “Todo o processo de transferência de tecnologia se dá dessa maneira. Começa inicialmente embalando primeiro produtos produzidos fora. Analisa-os, aprendendo a fazer o controlo de qualidade e aí você começa a produzir para que o seu produto seja validado logo junto da vigilância sanitária do país. Então, o processo não é imediato em nenhum lugar do mundo” – explicou.

As máquinas que deverão garantir a produção naquela unidade já foram encomendadas a fabricantes dos Estados Unidos e Itália, devendo outros equipamentos necessários, principalmente de controlo de qualidade, virem de fabricantes do Brazil.

Ainda quarta-feira foi assinado um acordo entre a Vale Moçambique e o IGEPE, onde a primeira entidade garantiu a disponibilização de 4.5 milhões de dólares americanos para fechar o défice financeiro que se registava no projecto.

As estimativas do custo do projecto rondam, segundo números anteriormente apresentados, os 12 milhões de dólares americanos. Actualmente, estima-se que cerca de 1.6 milhão de moçambicanos estejam a viver com o HIV e outras já a desenvolver a doença.

Deste número, cerca de 400 mil doentes estão a necessitar de tratamento anti retroviral, mas as autoridades moçambicanas só conseguem garantir assistência a perto de 207 mil doentes.

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