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Conclave: primeiro dia termina com fumaça preta e sem papa; SIGA em tempo real no TWITTER @Democraciamz

Uma espessa fumaça preta ergueu-se, na noite da Terça-feira (12), sobre a Capela Sistina, no Vaticano, sinalizando um final inconclusivo do conclave que elegerá um novo papa para comandar a Igreja Católica numa das suas maiores crises.

Milhares de fiéis encolhiam-se na Praça de São Pedro à espera da fumaça que, saindo pela estreita chaminé da capela, encerrou um dia chuvoso e cinzento, cheio de rituais e pompa. Depois de rezarem pedindo orientação divina, os 115 cardeais eleitores fizeram um voto solene, em latim, de nunca mais contar detalhes das deliberações.

Então recolheram-se detrás das pesadas portas de madeira da capela. Nenhum conclave da era moderna elegeu um papa no primeiro dia, e alguns cardeais especulavam, esta semana, que a decisão pode levar quatro ou cinco dias.

Os chamados “príncipes da Igreja” vão passar a noite num hotel do Vaticano antes de voltarem na manhã da Quarta-feira à capela Sistina, onde, diante dos afrescos de Michelangelo, repetirão as votações – duas pela manhã, duas à tarde.

Até que escolham o novo papa, a sua única comunicação com o mundo exterior será por meio da fumaça que sai pela chaminé da capela – preta quando as sessões terminam sem maioria de dois terços (77 votos) para nenhum candidato; branca quando o pontífice é eleito.

O 266º papa enfrentará notáveis desafios, como os escândalos relativos a abusos sexuais cometidos pelo clero, as disputas internas na Cúria Romana (burocracia do Vaticano) e a expansão do secularismo e de religiões concorrentes. Não há um favorito claro, mas os vaticanistas dizem que o italiano Angelo Scola e o brasileiro Odilo Scherer estão a despontar.

O primeiro devolveria o pontificado aos italianos após um hiato de 35 anos, ao passo que o segundo tornar-se-ia o primeiro papa não-europeu desde o sírio Gregório III, no século 8.

Mas vários outros candidatos também têm sido citados, como os norte-americanos Timothy Dolan e Sean O’Malley, o canadense Marc Ouellet e o argentino Leonardo Sandri.

Alguns prelados querem um papa que tenha pulso firme para controlar as disputas na Cúria, e outros preferem um pregador carismático que difunda o catolicismo.

“Extra Omnes”

Cânticos em latim acompanharam os cardeais no seu trajecto até a Capela Sistina, em cujo tecto está a célebre imagem da criação do homem pintada por Michelangelo, com os dedos de Deus e Adão quase a tocarem-se.

As portas foram fechadas às 17h34, depois que o mestre de cerimónias Guido Marini proferiu a expressão latina “Extra omnes” (“todos fora”), para que todos os não-participantes do conclave deixassem a capela.

O cardeal maltês Prosper Grech, que aos 87 anos já não pode mais participar do conclave (o limite é 80), permaneceu no interior para fazer um sermão em que lembrou aos colegas mais jovens sobre a gravidade da tarefa.

Uma multidão de italianos e turistas logo formou-se na praça de São Pedro, à espera da famosa fumaça. Romano Prodi, ex-presidente da Comissão Europeia (Poder Executivo da UE) estava lá.

“Vim como cidadão comum para ver isso”, disse Prodi à Reuters, acompanhado da família. “E não é que é bonito?”

A polícia deteve duas mulheres que tiraram a blusa por alguns instantes diante das câmeras de TV, num protesto contra a Igreja.

Além da Europa

Muitos fiéis que estão em Roma manifestam a esperança de que o novo líder traga mudanças à Igreja depois dos oito anos do difícil pontificado de Bento 16, que terminou com a sua inesperada abdicação em Fevereiro. “Ele deve ser um grande pastor, com um grande coração, e também ter a capacidade de confrontar os problemas da Igreja, que são muito grandes”, disse a freira brasileira Maria das Dores Paz, que assistia à missa.

“A cada dia parece que há mais (problemas).” Todos os prelados presentes na capela Sistina foram criados por Bento 16 ou João Paulo 2º, e por isso o próximo papa provavelmente seguirá os seus antecessores na defensa incondicional dos ensinamentos morais tradicionais.

Mas os dois últimos papas foram criticados por não terem reformado a Cúria, e alguns clérigos acham que o próximo pontífice deve ser um bom executivo, ou pelo menos que nomeie uma gestão robusta.

Os vaticanistas dizem que Scola, que comandou duas grandes dioceses italianas, poderia estar mais bem posicionado para compreender a política bizantina do Vaticano – da qual ele nunca participou -, podendo assim introduzir reformas rápidas.

Mas os cardeais que trabalham na Cúria estariam, segundo essas fontes, se agrupando em torno de dom Odilo, que trabalhou durante sete anos na Congregação do Vaticano para os Bispos, antes de assumir a arquidiocese de São Paulo – a maior do Brasil, país com o maior número de católicos no mundo.

Apenas 24 por cento dos católicos vivem na Europa, e cresce dentro da Igreja a pressão para que o novo papa seja de outra região, trazendo uma diferente perspectiva.

Os cardeais latino-americanos podem preocupar-se mais com a pobreza e a ascensão das religiões evangélicas do que com questões como o materialismo e os abusos sexuais, que dominam as preocupações nos países desenvolvidos.

Para os prelados da África e Ásia, a expansão do islamismo seria a questão mais relevante.

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