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Presos amotinam-se em Nampula: protesto contra más condições hegiênicas

Os pouco mais de 560 detidos na cadeia civil de Nampula, entre condenados e os que ainda aguardam pelo julgamento, amotinaram-se ontem, exigindo melhores condições de reclusão, nomeadamente, o descongestionamento do estabelecimento. Este efectivo prisional é seis vezes mais a capacidade instalada, de 90 prisioneiros, facto que agrava os problemas de saneamento que enfrenta, colocando em perigo as suas vidas.

O tumulto iniciou na madrugada de ontem e caracterizou-se pela vandalização da cadeia sobretudo dos portões das celas, sem que nenhum dos 568 presos conseguisse se escapulir. Entretanto, essa manifestação precipitou o pedido de apoio ao comando provincial da polícia da República de Moçambique que prontamente enviou um contingente que incluía uma unidade da força de intervenção rápida.

Para conter os ânimos exacerbados dos insurrectos, a corporação foi forçada a fazer disparos de armas de fogo e usar gás lacrimogéneo. Entretanto, não foram reportadas vítimas dessa acção policial. Para responder às exigências dos amotinados, a direcção da cadeia civil ordenou a transferência dos reclusos já condenados para a cadeia industrial de Nampula que alberga prisioneiros das províncias do norte do país, incluindo os da Zambézia. Não foi possível na circunstância apurar o número dos detidos transferidos.

Para voltar às celas, os amotinados chegaram a exigir a presença do governador da província de Nampula para expressar as suas inquietações, pedido entretanto não satisfeito, pois Felismino Tocoli na altura se orientava um encontro do seu executivo. O director da cadeia civil provincial de Nampula, Charles Massai, Justificou que o orçamento canalizado à instituição pelo governo é muito reduzido para suprir as necessidades e para fazer investimentos, sobretudo aquisição de produtos de higiene e intervir no melhoramento do sistema de saneamento que devido à sua inoperância há décadas, exala cheiro nauseabundo em redor das instalações.

A directora província da justiça Suzete Cassamo que acorreu à cadeia civil provincial de Nampula para se inteirar das razões do motim reconheceu igualmente a necessidade de se encontrar uma solução definitiva para os problemas de superlotação que na sua óptica passa pela construção de uma nova unidade fora da cidade, pois a sua localização actual perturba o normal funcionamento das instituições públicas em seu redor.

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