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Prepare roupa branca ou preta porque no sábado há manifestação em Maputo “pelo direito à esperança” em Moçambique

As organizações da sociedade civil, organizações profissionais, religiosas, culturais, académicas e económicas convidam a todos os cidadãos, mesmo os membros de partidos políticos, incluindo o partido que está no poder, a participarem numa “marcha pacífica” a ter lugar na manhã do próximo sábado (18) na cidade de Maputo com o lema “pelo direito à esperança” em Moçambique. “(…) O lema é pelo direito à esperança em todas as áreas, esperança pela saúde, educação, pela paz, pela segurança e até incluímos um pedido de apoio às autoridades da Lei e Ordem para nos acompanharem de modo a evitar qualquer distúrbio”, explicou Teresinha da Silva uma das organizadoras deste acto constitucionalmente consagrado à todos os moçambicanos e que não pretende dizer ao Governo para sair “mas para dizer façam bem as coisas porque nós vos colocamos para fazerem bem”, acrescentou outra das organizadoras, Maria Alice Mabota.

Numa conferência de imprensa realizada nesta quarta-feira, na capital moçambicana, os representantes da organização afirmaram que “em nome dos nossos filhos e filhas, dos nossos pais e de todas e todos compatriotas, estamos preocupados com o rumo que o país tem estado a tomar nos últimos anos e em especial com o agravamento da situação nos últimos meses”.

“Por isso, queremo-nos exprimir em defesa do futuro e de uma sociedade pacífica, sem corrupção, sem ataques às vozes dissidentes e sem intolerância. Em suma, defendemos o direito à esperança, para que tanto esta como a geração vindoura possam viver em paz, num clima de justiça e acreditando num futuro em que todas e todos poderão conviver com dignidade e com respeito às diferenças, e que moçambicanas e moçambicanos de todas as confissões religiosas, de todas as filiações partidárias, de todas as origens e estratos sociais, se sintam integrados, tenham trabalho ou meios de vida e possam realizar o seu potencial como cidadãs e cidadãos. Para que seja possível acreditar no futuro e que não tenhamos que viver um dia a dia sem expectativas, sem alegrias e pagando o preço pelas políticas irresponsáveis que nos conduziram a esta situação de guerra, de insegurança e de extremo endividamento público”, declarou Maria Alice Mabota lendo um comunicado da organização.

De acordo com a activista são várias as questões que preocupam à sociedade civil, “a situação de guerra que estamos a viver, o clima de insegurança, de intimidações e de atentados que se tem vivido, com o silenciamento das vozes críticas, as execuções sumárias que se estendem por todos o país e os alegados esquadrões da morte, o crime organizado e os raptos, o escândalo das dívidas contraídas por empresas privadas e ilegalmente”.

Os organizadores da marcha apelaram ao Presidente da República, a Assembleia da República e a Procuradoria Geral da República para que “cumpram com as suas obrigações e tomem as medidas necessárias para trazer a paz, acabar com as intimidações e os ataques à liberdade de expressão, os assassinatos políticos e as execuções, os raptos, bem como trazer à barra da justiça os burlões que defraudaram o Estado, responsabilizando-o pelo pagamento de dívidas privadas”.

“Nós estamos a responder ao pedido do Presidente Nyusi”

A concentração da marcha está marcada para as 7h30 de sábado (18) na avenida Eduardo Mondlane, perto da estátua. Daí os cidadãos irão marchar pela principal avenida da capital moçambicana até encontrarem a avenida Karl Marx e entrarão na avenida Ho Chi Minh em direcção à Praça da Independência onde o acto cívico irá culminar com discursos, momentos culturais entre outras actividades e demonstrações pacíficas. Entretanto as autoridades municipais, a quem é preciso apenas informar e não pedir autorização, parece terem já iniciado a busca por motivos para inviabilizar a marcha pacífica.

Foto de Adérito Caldeira“Nós submetemos uma carta ao Concelho Municipal na quinta-feira passada para comunicar a marcha. Na carta esquecemos de pôr o cargo que ocupa cada organização e o carimbo e ontem devolveram para corrigir isso, já corrigimos e entregamos. Esperamos que não seja um pretexto para não realizarmos a marcha porque de qualquer das maneiras a marcha será realizada porque corrigir não significa submeter um papel novo, sob pena de considerarmos uma perturbação à marcha que é pacífica”, explicou Maria Alice Mabota.

Antes mesmo da conferência de imprensa anunciando esta manifestação tiveram início as cada vez mais habituais intimidações anónimas. “Temos sofrido pressões, particularmente a minha pessoa, de que não deveria fazer a marcha, nem deveria estar aqui. Mas não me preocupa porque não faço mal a ninguém tal como os cidadãos que estão aqui não estão a fazer mal a ninguém” declarou a activista que também é presidente da Liga Moçambicana dos Direitos Humanos.

Recordando o convite do Chefe de Estado, na sua tomada de posse, para que os moçambicanos participassem no processo de fiscalização do novo ciclo governativo, a activista Teresinha da Silva enfatizou que “nós estamos aqui a pedir pela justiça social, pela transparência, pela integridade, pela não a corrupção, pelos direitos humanos, e penso que nós estamos a responder ao pedido Presidente Nyusi”.

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