Para continuarmos  a fazer jornalismo independente dos políticos e da vontade dos anunciantes o @Verdade passou a ter um preço.

Preço de trigo vai subir

Preço de trigo vai subir

A partir de Abril próximo, o mercado nacional começará a ressentir-se da escassez da farinha de trigo e, consequentemente, os preços do pão poderão subir. Os panificadores nacionais ainda não se pronunciaram sobre o assunto. E alguns deles, sobretudo os não filiados à Associação Moçambicana de Panifi cadores (AMOPÃO), afirmam que não haverá outra saída senão ajustar o actual preço.

 

 

Mas o Governo, através do Ministério da Indústria e Comércio (MIC), já veio dizer que “não há possibilidade” de haver alteração do preço do pão até finais de Março, visto que os importadores de farinha trigo disponibilizam ao mercado “quantidade suficiente para a sustentabilidade do nível de preços” praticados em todo o país.

A escassez de trigo no mercado nacional nos próximos dias é inevitável, pois os principais fornecedores deste cereal ao país, nomeadamente a Rússia e a Austrália, estão a ser fustigados por desastres naturais, tais como as cheias, queimadas e ciclones. E, consequentemente, o preço do trigo e do pão poderá sofrer alteração ainda no primeiro semestre do ano em curso.

“A nível do mercado internacional o preço de trigo disparou e em Moçambique não será uma excepção. Consequentemente, o Governo será forçado a tomar novas medidas”, comenta o economista Humberto Zaqueu, do Grupo Moçambicano da Dívida.

Já o economista Jacinto Ribaué explica que a escassez de trigo não significa a falta do cereal no mercado, mas alta de preço do produto.

“O Governo terá de subsidiar os panifi cadores dentro das suas capacidades para manter estáveis os preços actuais e de modo a evitar-se possíveis tumultos por causa da subida do preço do pão”, diz.

Lembre-se que, no ano passado, na tentativa de persuadir os panifi cadores, o Governo decidiu subsidiar o preço do pão, congelando, assim, os aumentos no custo que levaram a manifestações violentas.

Mas verificou-se uma situação em que algumas padarias reduziram o peso do pão – não obstante o Executivo exigir que o peso final daquele alimento seja de 250 gramas – fundamentando que para que o produto final chegue ao consumidor com aquelas medidas é necessário aumentar o volume da massa.

E, diga-se, ao seguirse à risca esta decisão – o que acarreta mais custos no processo produtivo -, consequentemente, o preço do pão poderá sofrer um agravamento.

Entretanto, foi criada uma equipa multidisciplinar constituída por técnicos do Ministério da Indústria e Comércio, da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) e os panificadores para trabalhar em diversos aspectos de modo que o peso do pão que chega ao consumidor corresponda ao estabelecido por norma datada de 1941 e que corrobora com outra em vigor na região. Mas até aqui, nada se viu.

Moçambique importa quase 99 porcento do trigo consumido no mercado internamente, ou seja, o país produz cerca 23 mil toneladas de trigo e importa anualmente, em média, 480 mil toneladas deste cereal, grande parte oriunda da Austrália e Rússia.

O Governo está a negociar com os importadores nacionais para que possam forncer ao mercado nacional trigo a melhores preços possíveis.

“O país já devia ter criado condições para evitar a forte dependência das importações do trigo e as constantes oscilações do preço”, sublinha Zaqueu e acrescenta: “Deve-se acelerar o processo de produção de pão misto”.

Enquanto Ribaué olha para a débil capacidade de armazenamento deste produto, falta de infraestrutura de transporte e meios de produção efi cientes como algumas das principais razões da vulnerabilidade do país a choques do mercado externo.

“É possível que, com a inauguração do primeiro silo de trigo na província de Sofala, o problema de escassez possa ser minimizado no futuro”, afirma.

A fraca aposta na produção no país é, muitas vezes, apontada como principal causa de frequente oscilação do preço de trigo, embora Moçambique possua milhões de hectares de terra arável.

Presentemente, cultiva-se trigo apenas nas regiões de Xai-Xai e Chókwè, província de Gaza, Sussundenga e Tsangano, em Manica, Matama e Lichinga, em Niassa.

Share on facebook
Facebook
Share on google
Google+
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on pinterest
Pinterest

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Related Posts

error: Content is protected !!