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E o arroz que nos deram?

E o arroz que nos deram?

Um mês depois do País ter recebido do Governo japonês um total de 17 mil toneladas de arroz, o preço deste cereal no mercado nacional mantém-se alto e, em alguns casos, subiu, contrariando, assim, o anúncio de que, com este donativo, o povo moçambicano obteria arroz de primeira qualidade a preços baixos.

Com esta ajuda do Governo japonês, o Executivo moçambicano “poderá fornecer às famílias moçambicanas um arroz de primeira qualidade a preços baixos”, disse há um mês o novo Ministro da Indústria e Comércio, Armando Inroga, na cerimónia de recepção do donativo.

Hoje, um mês depois, Teresa José, dona de casa, prepara-se para fazer as compras para o mês do Fevereiro. Leva consigo apenas 3700 meticais para a aquisição de bens alimentícios para o gáudio da sua família – um agregado composto por seis pessoas (ela, esposo, três filhos e uma sobrinha) – durante o mês em curso.

Já tem memorizada na cabeça a lista de produtos que vai obter: um saco de 25 quilogramas, 5 litros de óleo, alguns quilos de peixe carapau, cebola e tomate. “Arroz e óleo não podem faltar. E o resto, vêse lá no mercado”, diz.

O seu destino é o mercado de Xiquelene. Neste local, a sua primeira paragem é num pequeno contentor de venda de produtos de primeira necessidade. O preço de um saco de arroz de 25 quilos está a ser comercializado a 690 meticais, menos três meticais que nos mês de Dezembro de 2010.

Decide consultar o preço num armazém. A mesma marca do cereal é vendida a 687 meticais. Inquietada, dona Teresa opta por procurar pelo arroz de terceira qualidade, o mesmo que alguns consumidores interpelados pelo jornal ainda não viram nos armazéns e tão-pouco nas prateleiras de supermercados ou mercearias desde o ano passado.

Depois de várias voltas, de quase 20 minutos, nos labirintos deste mercado, ela mostra-se novamente apreensiva. Motivo: no mercado de Xiquelene não encontra o rasto do famigerado arroz de terceira qualidade, que o Executivo moçambicano anunciou, no ano passado, que baixaria 7.5 porcento, diferendo os direitos aduaneiros sobre o produto.

“Ouvi na rádio (Rádio Moçambique) que o preço iria baixar porque o Governo recebeu muitas toneladas de arroz. Já não me lembro de que país vinha a doação, talvez da China ou Japão”, comenta.

Apesar de o preço não ter reduzido, ela vai adquirir um saco de arroz de 25 quilo, o mais barato possível e pouco importa a qualidade. O drama da dona Teresa José é também vivido por grande parte dos moçambicanos que quer consolidar o arroz como prato principal na sua mesa.

Além de continuarem a adquirir o mesmo arroz, as famílias pagam o mesmo preço e, em alguns casos, registaram-se subidas. Por exemplo, um saco de arroz de 25 quilos que em finais de Dezembro de 2010 e princípio Janeiro último custava 680 meticais, hoje é comercializado a 687.

Desde o arroz Tia Rosa, a 750 meticais o saco, passando pelo do Xirico cujos preços variam entre 620, 625, 650 e 720, até ao Coral, a 730 não se registou nenhuma redução de preço.

De uma maneira geral, nos locais onde o povo compra, o preço daquele cereal mantémse e mercados como Xiquelene e Xipamanine, foi aumentado, de um momento para o outro, ante a raiva autêntica mas impotente das donas de casa que se fazem àqueles centros de comércio.

São cerca de 17 mil toneladas de arroz, de primeira qualidade, que Moçambique recebeu do povo nipónico, um donativo inserido no quadro da assistência alimentar ao nosso país, para o ano fiscal de 2009, que iniciou há sensivelmente 34 anos, tendo já totalizado um valor acumulado equivalente a 150 milhões de dólares norteamericanos.

Aliás, com esta doação feita no princípio deste ano, espera-se que o Governo evite a subida dos preços do arroz, permitindo que o mesmo possa ser adquirido pelos mesmos preços praticados durante o mês de Dezembro.

Mas, um mês depois, a realidade sobretudo nos principais mercados da cidade de Maputo é exactamente a contrária: os preços subiram.

O arroz doado, uma quantidade avaliada em cerca de 10 milhões de dólares, vai abastecer tanto a população rural como a urbana de modo a reduzir o défice deste alimento no país.

Neste momento, Moçambique regista um défice de 316 mil toneladas de arroz e as necessidades anuais deste cereal são de 539 mil toneladas, mas o país só produz 223 mil toneladas.

Do total de 17 mil toneladas, sete mil destinam-se aos mercados da zona Sul de Moçambique, cinco mil serão canalizados para o Centro e a outra quantidade remanescente será alocada ao Norte do país.

O produto entra para o mercado por meio do comércio privado e os rendimentos resultantes desta operação serão alocados aos cofres do Estado para financiar programas de Educação.

Refira-se que Moçambique recebeu, de 1999 a 2006, cerca de 78 mil toneladas de arroz e 29.658 toneladas de trigo, o que contribuiu para assegurar de forma abrangente a oferta desses bens à população durante esse período.

No princípio deste mês, o Japão anunciou pretender elevar a produção de arroz no continente africano de 14 a 28 milhões de toneladas dentro de 10 anos, no quadro do programa nipónico “Coligação para o Desenvolvimento do Arroz em África”.

A primeira fase deste programa vai beneficiar Moçambique, Tanzânia, Uganda, Mali, Gana, Senegal, Camarões, Nigéria, Guiné- Conakry, Quénia, Serra Leoa, e Madagáscar.

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