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Portagem – Tortura nossa de cada dia…

Portagem - Tortura nossa de cada dia…

O casal Nicolas vive a portagem como um dos maiores dramas da sua semana de trabalho. Ele, engenheiro civil e ela, estudante universitária, acordam às 4.30 horas da madrugada, e após a sua higiene pessoal, tomam o pequeno-almoço às pressas para, como se diz na gíria, “apanhar a portagem”. Porquê madrugadores, se só se têm que apresentar nas suas obrigações às 7.30 e por vezes mais tarde? A razão é simples: há que (ultra)passar, tão cedo quanto possível, a tortura da portagem, num “pára-arranca-pára-arranca” que tanto dá cabo dos bolsos, como da paciência.

Do cruzamento da CMC, até à portagem, é necessário “vunar”. A competição é directa com alguns apressados vestindo a pele de “Fângios”. Ao avistarem a portagem, as incontornáveis longas bichas obrigam à escolha de um dos males que nem sempre é o menor: a bicha mais curta, que poderá não ser a mais rápida. Porquê? Um conjunto de imprevistos pode acontecer: falta de trocos, conversa entre caixas e funcionários, avarias em momento inoportuno e… “chapas”! Estamos a falar de quê? Adivinhou amigo leitor: a portagem Maputo/Matola!

Os “chapas” têm um código de relacionamento que já causou vários acidentes. Basta avistarem um “colega” melhor posicionado na bicha, há uma troca de favores tácita que permite ao mais atrasado ocupar o lugar à frente. Claro que nem sempre esta artimanha é encarada pelos outros utentes de forma pacífica, pelo que os protestos são mais que muitos. É uma cunha, uma “solidariedade” que prejudica os demais.

À entrada da portagem, vale de tudo um pouco, pelo que o mais aconselhável é fazer rodar uma boa faixa musical e controlar as emoções. “Em cima das caixas” muitos fazem daquele lugar um espaço sem regras. De quando em vez, lá aparecem uns elementos da segurança da portagem a tentarem disciplinar o indisciplinável..

Regresso: nova disposição a mesma tortura

Porque a saída de casal Nicolas se situa por volta das 18 horas, o regresso Maputo/Matola, tem duas diferenças: o sentido contrário e as bichas bem mais longas.

Isso normalmente é compensado pelo estado de espírito bem mais relaxado, face à perspectiva de chegar ao aconchego da residência. Mas há dias em que nem os mais pacientes se contêm. É que se entra na Avenida da OUA e logo a seguir ao Matadouro já se está no “enquadramento” da portagem. Será possível?

Aos poucos, a dúvida vai-se tornando certeza- começam os jogos para as ultrapassagens, com os consequentes riscos.

Passada a SONEFE, a “guerra” começa, com as filas mal definidas, ao ponto de um automobilista escolher uma bicha e verificar que, afinal, ela não leva a uma das caixas, perdendo assim imenso tempo. De permeio, os irritantes “chicos-espertos”. Como se só eles tivessem pressa, fazem um “pique” lá para a frente e depois vão forçando a integração, com ou sem boa vontade dos que, disciplinadamente, estão há mais tempo na tortura da portagem. No painel, há a indicação de duas caixas, só para os cartões.

Lá perfila-se um menor número de carros, por duas razões: a rapidez com que o funcionário vai “papando a bicha” e o facto de poucos utentes aderirem ao pré-pago. Este segundo aspecto, não facilmente compreensível, é explicado pela burocracia que o utente terá de enfrentar, pois, apesar do benefício dos descontos, são poucos os utilizadores frequentes que se predispõem a satisfazer as exigências para obter o cartão.

Alternativa: mais Cara, mais morosa!

No plano teórico, há uma alternativa à portagem. Trata-se de uma longa, dura e esburacada jornada para contornar o problema, mas que, feitas as contas, acaba por ser uma emenda pior que o soneto. A opção via Estádio da Machava, tem subidas, descidas, buracos e buracões, cruzamentos e desvios de toda a ordem. E um movimento infernal que acaba por ser, mais do que um teste, um exame a todo o sistema nervoso do condutor, a par da sua perícia.

Gasta-se mais combustível, tempo, travões e paciência. Porque a lei obriga a que, havendo uma portagem, se crie uma alternativa… pois ela aí está, para “inglês ver” e moçambicano sofrer.

Um travão ao crescimento?

Na realidade, estamos em presença de um serviço caro, mas visivelmente ineficiente.

O número de caixas é de 16, mas mesmo nos dias em ficam na quase totalidade abertas para o sentido do movimento de “ponta” – o que inexplicavelmente não acontece sempre – estão muito longe de satisfazer a demanda. Que soluções para aumentar ultrapassar esta vergonhosa situação? Os cálculos iniciais provavelmente não previam tanto movimento.

Disso não tem culpa o citadino, que cumpre a sua obrigação de pagar um valor que “pesa” no seu orçamento mensal. Tendo em conta o crescimento e os múltiplos empreendimentos que se estão a implantar do lado da Província de Maputo, parece claro que se impõe o prolongamento da portagem, de forma a contemplar, no mínimo, a duplicação das caixas.

De contrário, os concessionários devem ser responsabilizados por várias coisas, entre as quais os atrasos de muitos utentes ao trabalho, a consequente diminuição da produção e, de alguma forma, o aumento da tensão arterial nos mais tensos. Isso sem falar, claro está, nos frequentes acidentes fruto da pressão, “à boca das caixas”.

A portagem Maputo/Matola, que no início conseguiu impulsionar o progresso entre as duas cidades, está agora, paulatinamente(?), a transformar- se precisamente no inverso: um travão ao crescimento.

TRAC pronuncia-se

O porta-voz da TRAC (Trans African Concessions Moçambique Branch), Fenias Mavume, num breve contacto telefónico com a nossa reportagem, referiu que “com vista a pôr cobro aos engarrafamentos” que constantemente ocorrem na Portagem de Maputo “mudanças de vulto serão implementadas”. “Estamos a trabalhar arduamente de forma a encontrarmos, até a primeira quinzena de Agosto próximo, uma saída para o problema”, garante.

Uma das medidas que pode ser implementada para mitigar “é a montagem de um sistema informático rápido e eficaz”. No entanto, no dia 3 de Agosto a TRAC vai convocar uma conferência de Imprensa onde vai anunciar as medidas saídas de um conjunto de reuniões sucessivas com vista a solucionar o problema.

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