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População sem água e Governo e “privados” digladiam-se

O acesso ao precioso líquido continua um luxo para grande parte da população moçambicana, da qual a mais penalizada é a das zonas rurais, onde há zonas sem água canalizada. O drama vivido pelas pessoas que residem nessas áreas é pior do que se pode imaginar.

Enquanto o Governo e a Associação dos Fornecedores de Água de Moçambique (AFORAMO), se digladiam para se saber quem fornece mais água, cobre mais zonas e como calcular as indemnizações dos fornecedores privados em virtude da renúncia das suas licenças nos centros urbanos, onde decorrem projectos do FIPAG, há muita gente que todos os dias ainda caminha longas distâncias para obter uma lata do precioso líquido.

O drama da falta de água televisionado, radiodifundido e veiculado por outros meios de comunicação social, cujo “hipocentro” foi o Grande Maputo, na semana passada, em consequência do “braço-de-ferro” entre o Executivo e a AFORAMO, é de tal sorte minúsculo comparativamente ao que se passa nas vilas municipais no resto do território moçambicano, sobretudo nas zonas recônditas.

Vários bairros da capital do país, Matola e algumas da província de Gaza ficaram sem água por um período de mais 24h, porque a AFORAMO contesta um regulamento elaborado pelo Executivo, segundo o qual é proibido o licenciamento de operadores privados de classe I (com 500 ou mais ligações e a operar de forma independente), II (os que possuem menos de 500 ligações) e III (sem um número previsto de ligações) nos centros urbanos.

Não existe água canalizada

Em Marrupa, na vila sede do distrito com o mesmo nome, na província do Niassa, a população debate-se com problemas sérios de falta de água cuja solução ainda vai levar dias. Diga-se, em abono da verdade, que não existe água canalizada a nível da autarquia.

O problema que já tem “barbas brancas” é do conhecimento das autoridades locais, e não só, que pouco têm feito para mudar o cenário. A desculpa mais invocada é a falta de recursos financeiros. Consequentemente, os moradores são obrigados a caminhar todos os dias longas distâncias para obter o precioso líquido.

O sofrimento das mulheres e crianças

A vila municipal de Marrupa dispõe presentemente de 29 de furos de água e a taxa de cobertura no seu fornecimento é de 16 porcento, contra os anteriores 11 porcento. Porém, a edilidade projecta construir mais 10 poços mecânicos ainda neste mandato prestes a terminar.

A falta de água canalizada tem martirizado mulheres e crianças. Ter um poço tradicional no recinto da casa é um luxo do qual poucas pessoas podem usufruir. Todos os dias, dezenas de munícipes, sobretudo as donas de casa, têm de acordar às 4h00 da manhã e percorrer pelo menos três quilómetros para obter água.

Na tentativa de solucionar o problema, a edilidade, fazendo uso dos parcos recursos à sua disposição, tem vindo a promover concursos públicos para a abertura de poços mecânicos, porém, a participação de alguns empreiteiros não se mostra encorajadora, pois tem sido bastante difícil encontrar água no subsolo da vila, uma vez que o lençol freático se encontra a grandes profundidades.

Marta Romeu, edil da vila municipal de Marrupa, contou-nos que “no ano passado abrimos seis furos de água e gastámos cerca de dois milhões de meticais. Mas neste caso o empreiteiro saiu a perder, e nós conseguimos os furos de água porque nós não pagamos os poços negativos e automaticamente ele tinha de lutar para conseguir encontrar água e, felizmente, conseguiu fazer, embora com muito desgaste.

O nível de consumo de água já subiu. O rio que existe dista 30 quilómetros, precisa-se de muitos recursos, muito dinheiro, mas nós temos vindo a fazer de tudo e os munícipes também participam, cumprindo as suas obrigações fiscais”.

Em Metangula

A falta de água potável é uma das situações que dão à vila de Metangula, na província do Niassa, o aspecto de um povoado esquecido aos cinco anos de elevação à categoria de município. O acesso ao precioso líquido é uma das principais preocupações da população. Todos os dias, pelas manhãs e finais de tarde, os munícipes, principalmente mulheres e crianças, deslocam-se ao lago Niassa para lavar roupa, louça e tomar banho.

A nível do município, a edilidade fornece o precioso líquido apenas nas primeiras horas do dia, entre as 5h00 e as 6h00. Porém, por vezes, há semanas que não jorra água nas torneiras dos munícipes, devido a uma avaria no sistema de abastecimento, e esta é captada e transportada para o tanque aéreo da Base Naval e, de seguida, distribuída para a zona alta da vila. Ou seja, apenas uma parte de autarquia é que usufrui de água canalizada.

O município conta com 12 bairros, porém, na maioria o acesso a água potável ainda é um problema sério. A situação mais crítica verifica-se no bairro de Chiwanga que dista sete quilómetros da vila sede. No entanto, as autoridades municipais locais afirmam que a questão do precioso líquido é uma assunto já minimizado, uma vez que, além de água canalizada, a autarquia dispõe de 30 furos, e cada zona residencial conta com, pelo menos, uma média de três poços mecânicos não havendo casos em que os munícipes tenham de percorrer mais de 200 metros para encontrar água para consumo humano.

Gorongosa

Na vila municipal da Gorongosa, na província de Sofala, a falta de água para consumo, sobretudo a canalizada a nível da autarquia, ainda é um luxo para grande parte da população. A situação, que já perdura há vários anos, é do conhecimento das autoridades municipais e distritais.

A falta de recursos financeiros é a desculpa invocada. Nos últimos quatro anos, foram construídos 26 furos a nível do município, porém, os moradores são obrigados a caminhar todos os dias longas distâncias para obter o precioso líquido.

Ao longo da estrada, é comum a imagem de mulheres e crianças com recipientes de água na cabeça, além de um amontoado de bidões de 20 litros em volta de furos mecânicos, revelando o drama por que diariamente passam os residentes da Gorongosa, não obstante o município contar com dois pequenos sistemas de abastecimento. A nível do distrito, verifica-se que um número reduzido da população é abastecido por poços artesianos e a maioria recorre aos rios.

Lichinga

O acesso ao precioso líquido é igualmente um problema em Lichinga, apesar de a população já não percorrer longas distâncias. O abastecimento de água potável, segundo as autoridades municipais, ocorre apenas em sete bairros, dos 15 existentes.

Ao longo dos anos, foram construídos 43 fontenários e, actualmente, 47.457 munícipes (o correspondente a 24 porcento) são abastecidos de água canalizada. Todos os bairros em volta da cidade não têm água canalizada, porém, as zonas mais críticas são Mitava, Nomba, Nzinje e Massengere. Para este ano, projecta-se a construção de 10 furos, orçados em três milhões de meticais.

Massinga e Chibuto

No município de Massinga, na província de Inhambane, só há 2.500 consumidores com água canalizada. Em Chibuto, está-se a construir um tanque com capacidade para reservar 300 metros cúbicos de água. “O actual sistema tem uma capacidade quatro vezes superior ao que vem sendo oferecido no presente.

Na altura tínhamos motores que bombeavam água com capacidade de 80 metros cúbicos e neste preciso momento as máquinas que estão a ser instaladas contam com uma capacidade estimada em 600 metros cúbicos. Esse incremento vai fazer uma grande diferença. Numa primeira fase, podemos considerar que a cobertura será de 30 porcento”.

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