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População quer “cartas” na mesa

Vai arrancar, a partir do próximo ano, o famoso projecto de reabilitação e construção de valas de drenagem na cidade de Quelimane. O mesmo será levado a cabo pelo Millenium Challeng Account, vulgo MCA, no âmbito do seu projecto de água e saneamento.

Nos últimos tempos e sabendo como a componente urbanização se encontra nesta cidade, há um trabalho que foi efectuado pelo MCA e o Conselho Municipal de Quelimane, que centrou-se na marcação dos locais onde as novas valas vão ser abertas e também locais onde por ventura há infra-estruturas das pessoas que durante o tempo todo e olhando que a componente urbanização parece estar longe de ser prioridade no CMQ, dai que o barulho sobre as casas e outras bens a serem removidos já começou.

Nas últimas semanas, moradores de quase todos bairros abrangidos pelo projecto, vieram a comunicação social pedir socorro, alegando que as formas de compensação que o MCA e a edilidade definiram, estão aquém do que vão destruiu. Para além desta aparição nos midias, os moradores também fizeram abaixoassinado que remeteram a edilidade e também nas diversas redacções dos mídias.

Com isto tudo, a edilidade, sabendo que tem responsabilidade nos seus munícipes, decidiu, último sábado, reunir-se com os lesados. Aliás, o MCA tinha a responsabilidade de explicar detalhadamente como é que este trabalho vai ser efectuado e sobretudo como é que as compensações serão feitas.

Formas de compensação

Para que este projecto tenha de facto sucesso, pede a colaboração dos munícipes de Quelimane. Dai que no total, serão abrangidas cerca de 340 casas, o que corresponde a 423 famílias. E não só casas, mas também infraestruturas como bancas, igrejas, anexos das residências, árvores de sombra, etc, não vão escapar.

Isto tudo devora aos abrangidos e a todo custo procuram saber então, como é que eles vão reerguer novamente as suas vidas. Conforme explicações tornadas públicas no último sábado pelo MCA, cada casa destruída por exemplo, o proprietário vai receber para alem de um talhão, claro se quiser, mais 10 por cento do valor calculado sobre a sua casa.

E não só isso, os implementadores do projecto frisaram que, para alem dos 10 %, os lesados vão receber um subsídio de seis mil meticais que é para o pagamento de transporte. Mas para isso, ou seja, para aqueles que querem usufruir dos talhões, deverão aceitar mudar-se para Murropue e Sangariveira, respectivamente.

Cartas na mesa

Depois de ouvirem as explicações dos responsáveis do MCA, que por vezes, isto ao longo da dissertação, os munícipes que encheram por completo aquele salão nobre do CMQ, iam interrompendo proferindo palavras de desalento.

Muitos eram unânimes em afirmarem que não porque o projecto é mau para Quelimane, mas sim, o que os munícipes pediram é que as coisas estejam claras. “Não queremos que nos enganem, pedimos que ponham as cartas na mesa e pratos limpos”-assim concluíam as pessoas.

Muitos dos intervenientes criticaram os critérios de avaliação dos danos, que segundo eles, há muita gente que não deveria ser abrangida. Aqui, foram levantadas questões de conflito de interesses entre a edilidade e algumas pessoas que as suas casas foram construídas por cima das valas de drenagem.

Explicações políticas de Pio Matos

Sabendo que a sala estava “quente” e os ânimos já estavam a subir, Pio Matos, edil de Quelimane, nada mas fez se não usar a sua veia política para amainar os ânimos.

Com um tom alto que lhe é característico, Matos, começou por explicar aos presentes que o sucesso do projecto só dependia da vontade dos munícipes, dai que nesta hora o importante é chegar-se a uma plataforma de diálogo para que as partes se entendam.

Conforme explicações do edil, as propostas apresentadas na ocasião pelo MCA, serão postas em prática, visto que estão em causa as vidas das pessoas.

Depois deste barulho, as partes concluíram que deveria haver um outro dia para que haja sentada e que as coisas saiam a limpo. Ficou assim decidido e nos próximos dias, haverá mais um encontro.

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