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“Pisamos nossos recursos todos os dias”: Guebuza

“Pisamos nossos recursos todos os dias”: Guebuza

O Presidente da República, Armando Guebuza, afirma que os moçambicanos “pisam” os seus recursos naturais todos os dias, devido a sua incapacidade de extraí-los do fundo da terra. “O carvão que Moçambique tem sempre esteve lá. Os nossos avós pisavam aquele carvão há muito tempo, pois faltava-lhes a capacidade de trazê-lo à superfície e poder usá-lo para o nosso benefício. Obviamente, que também existe petróleo e gás que nós pisamos possivelmente todos os dias. Mas está muito em baixo da terra”, disse Guebuza, que falava, ultimo Domingo em conferência de imprensa, minutos após o término do “Fórum de Investimento Golfo-África 2010”, que teve lugar em Riade, Arábia Saudita.

 

 

As declarações do estadista moçambicano surgem em resposta a uma questão sobre as perspectivas do governo face a recente descoberta de enormes depósitos de gás natural na bacia do Rovuma. “Ainda está no fundo da terra”, disse Guebuza, como forma de tentar evitar uma euforia desmedida no seio dos moçambicanos.

Segundo Guebuza, após a descoberta de gás, é preciso realizar estudos para apurar a sua viabilidade económica. Ademais é necessário criar condições para a sua extracção, tais como a construção de plataformas e demais infra-estruturas. Por isso, advertiu Guebuza, os moçambicanos devem continuar a trabalhar sem pensar que aquilo que acontece no Rovuma vai produzir resultados imediatos. “Mas trabalhemos dizendo que se isso acontecer ainda bem, para podermos fazer uso pleno e vantajoso dos recursos existentes”, afirmou o estadista moçambicano.

Comentando sobre o Fórum de Investimento Golfo – África 2010, um evento no qual foi convidado de honra, Guebuza disse que o mesmo tinha como objectivo passar de declarações de intenções em termos de investimentos e de cooperação económica para formas mais concretas, que possam permitir a sua materialização.

Durante o Fórum provou-se que o Golfo está interessado em trabalhar com a África devido ao potencial existente no continente principalmente na área da produção de alimentos.

Os países do Golfo possuem capital e conhecimento e a África, por seu turno, possui enormes extensões de terras aráveis que, partilhados, podem ajudar a resolver o problema da segurança alimentar em ambas as regiões.

Nos contactos bilaterais mantidos entre o Presidente moçambicano e os empresários do Golfo, houve manifestações de interesse particular na área de infra-estruturas, da agricultura e noutras que poderão interessar o governo moçambicano. Na ocasião, Guebuza citou como exemplo contactos mantidos com o gerente do Banco Islâmico que manifestou o seu interesse de investir em infra-estruturas em Moçambique.

Sobre as medidas a adoptar para estimular o investimento da região do Golfo em Moçambique, Guebuza destacou a simplificação dos procedimentos que, actualmente, é considerado como um dos principais obstáculos para o investimento estrangeiro. “Este é o maior problema que nós temos. Precisamos de abrir mais o nosso ambiente de negócios para que eles possam sentir-se mais atraídos a investir sem muitas dificuldades.

Refira-se que, amiúde, a imprensa ocidental acusa os países árabes e asiáticos, incluindo a China, de açambarcar terras em África em detrimento das populações locais. Sobre o assunto, Guebuza foi peremptório, afirmando que “eles (os países ocidentais) nunca fizeram directamente essas acusações a nível oficial. Essas são opiniões expressas por pessoas ou jornais ocidentais”. Prosseguindo, o estadista moçambicano fez questão de vincar que o governo presta uma atenção especial ao uso da terra.

“Por isso, a lei protege o cidadão moçambicano, protege os moçambicanos de abusos que possam haver nessa área. Agora, aquilo que temos de fazer é proteger mas sem deixar de usar a terra de modo a resolver os problemas que os moçambicanos enfrentam”, explicou Guebuza. É por isso que o governo abriu as portas para o investimento estrangeiro na área da agricultura, assinando acordos para evitar conflitos com as populações locais e garantir a produção de alimentos para os residentes próximos das terras que possam ser utilizadas.

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