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Doadores revêem ajuda à Costa do Marfim após eleição conturbada

Grandes doadores começaram a rever a situação da Costa do Marfim, enquanto o presidente em exercício, Laurent Gbagbo, e o oposicitor Alassane Ouattara travam uma disputa pelo controle político. A eleição presidencial de 28 de novembro visava reunificar o país da África ocidental, após uma guerra civil em 2002-03. Mas analistas falaram em novos distúrbios e a possibilidade de retorno à violência, depois de tanto Gbagbo quanto Ouattara terem reivindicado vitória na eleição.

Citando uma “ruptura da governança”, o Banco Mundial e o Banco Africano de Desenvolvimento disseram que vão reavaliar a ajuda dada ao país. Com isso, intensificaram a pressão exercida sobre Gbagbo, que já está sendo solicitado pelas Nações Unidas, países vizinhos e Washington a deixar o poder. “De maneira coerente com nossa política, vamos continuar a monitorar os acontecimentos de perto e reavaliar a utilidade e eficácia de nossos programas, em visto do colapso da governança”, disseram os bancos em comunicado conjunto.

Na noite de domingo, Ouattara nomeou o ex-ministro financeiro de Gbagbo Charles Koffi Dibby para seu gabinete, numa iniciativa que privará Gbagbo de um ministro elogiado pela maneira como conduziu as negociações sobre a dívida. Não foi possível contatar Dibby para confirmar se ele mudou de lado.

Na segunda-feira, o primeiro-ministro de Gbagbo, Guillaume Soro, que renunciou no sábado, disse à rádio francesa Europe 1 que, se Gbagbo desistir da presidência, Ouattara poderá incluir outros ministros do gabinete dele em seu próprio governo.

O Banco Mundial vinculou o cancelamento de 3 bilhões de dólares da dívida externa – estimada em 12,5 bilhões de dólares – à realização de eleições tranquilas.

Mas o controle de Gbagbo sobre a economia é reforçado pelas receitas do cacau, óleo e outras commodities. Vários exportadores de cacau suspenderam suas atividades após a violência eleitoral, que deixou 15 mortos. Mas, segundo uma estimativa industrial divulgada na segunda-feira, até 5 de dezembro 427 mil toneladas de cacau já tinha chegado aos portos marfinenses nesta temporada, apenas alguns milhares de toneladas menos que no mesmo momento do ano passado.

Apesar do impasse político, a Costa do Marfim reabriu suas fronteiras na segunda-feira – elas tinham ficado fechadas durante a espera tensa pelos resultados da eleição -, e o trânsito no distrito comercial da capital econômica, Abidjan, estava quase de volta ao normal.

Tanto Gbagbo quanto Ouattara prestaram o juramento de posse na presidência, mas Ouattara recebeu amplo reconhecimento internacional, depois de os resultados provisórios terem indicado sua vitória por uma margem de quase 10 pontos. Gbagbo, contudo, declarou-se vitorioso depois de um organismo legal comandado por um aliado seu ter declarado que a eleição foi fraudada por rebeldes pró-Ouattara e ter cancelado a maioria dos votos depositados no território dos rebeldes.

O chefe do Estado-Maior do Exército jurou lealdade a Gbagbo, e as tropas parecem estar de seu lado, por enquanto.

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