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Pirataria marítima atingiu níveis recordes em 2010

Os piratas fizeram 1.181 reféns durante o ano de 2010 como resultado da escalada de ataques contra navios da marinha mercante ao largo da costa somali, anunciou, terça-feira, o Bureau Marítimo Internacional (IMB).

 

 

No mundo inteiro, os piratas capturaram no mesmo período 53 navios, a maioria dos quais ao largo da costa somali, a excepção de quatro, segundo o IMB, uma instituição com sede em Kuala Lumpur, capital da Malásia e cuja missão é de monitorar a pirataria marítima.

No seu todo, registaram-se 445 ataques piratas durante o ano passado, um número que representa um aumento de 10 por cento comparativamente ao ano de 2009.

O número de reféns e de barcos raptados “é o mais elevado jamais visto” desde que o IMB começou a monitorar os ataques piratas em 1991, disse Pottengal Mukundan, director-geral desta instituição em comunicado de imprensa.

Durante o mesmo período, oito membros da tripulação perderam a vida e outros 13 ficaram feridos durante incidentes envolvendo piratas somalis, contra quatro mortes e 10 feridos reportados em 2009. Não há registo de mortes noutras partes do mundo. “A tendência crescente destes números é alarmante”, acrescentou.

Actualmente, uma frota de vasos de guerra de vários países do mundo patrulha as águas infestadas pelos piratas somalis, particularmente no Golfo de Áden, um corredor que liga ao Canal de Suez.

Como resultado, os ataques nesta região caíram mais de 50 por cento, ou seja de 117 casos reportados em 2009 para apenas 53 em 2010. Contudo, a área de risco para os navios mercantes é imensamente vasta para ser apenas protegida pelos vasos de guerra.

Aliás, não é por acaso que alguns analistas afirmam que detectar barcos piratas naquela região é o mesmo que “procurar uma agulha num palheiro”, devido a sua imensidão.

Por isso, Roger Middleton, um perito sobre a pirataria da instituição britânica “Chatham House” defende que “se for para criar uma força para combater a pirataria seria mais sensato começar em terra e não no mar”.

Apesar de as patrulhas marítimas terem abortado uma série de ataques, os piratas somalis prosseguem com as suas actividades criminosas, e como forma de evitar os navios de marinha de guerra acabaram por se deslocar para o mar alto como forma de tentar garantir as suas possibilidades de sucesso no rapto de navios.

“Todas as medidas adoptadas no mar para reduzir as actividades dos piratas estão a ser inviabilizadas devido a falta de uma autoridade responsável na Somália, donde os piratas lançam as suas incursões”, disse Mukundan.

Os ataques violentos e assaltantes a mão armada também tornaram-se notáveis nas águas da Indonésia, onde 30 barcos foram assaltados.

No Bangladesh 21 embarcações foram atacadas, a maioria dos quais perpetrados por assaltantes a mão armada no porto de Chittagong, enquanto que a Nigéria registou 13, a maioria dos quais nas proximidades do porto de Lagos.

Em 2010, também duplicou o número de ataques no Mar do Sul da China, que garante o acesso ao principal corredor marítimo para o comércio internacional.

Refira-se que na Somália, como forma de lograr os seus intentos, os piratas estão a usar uma nova táctica que consiste em usar as embarcações capturadas para raptar outros navios, numa área que se estende de Moçambique até ao Oman, o que constitui um crescimento sem precedentes do seu raio de acção, afirma o IMB.

O facto de os piratas estarem a usar outros navios raptados para capturar as suas novas presas também cria uma certa relutância para a intervenção dos vasos das marinhas de guerra que têm a missão de patrulhar as águas das regiões infestadas pelos piratas. Isso porque os piratas ameaçam matar os seus reféns caso haja uma interferência contra os seus ataques.

Actualmente, os piratas Somalis estão na posse de 31 embarcações, e 713 tripulantes de várias nacionalidades, na sequência do rapto de mais quatro embarcações no corrente ano segundo o IMB.

Moçambique também tem sido vítima dos ataques piratas somalis que, actualmente, se encontram na posse de um barco de pesca, propriedade da empresa Efripel Lda e que está a ser operado pela Pescamar Lda, “Veja 5”, com 24 tripulantes a bordo, dos quais 19 moçambicanos.

O “Vega 5” foi dado como desaparecido a 27 de Dezembro de 2010, ao largo da costa da província meridional de Inhambane. Dias mais tarde o referido barco foi reportado como tendo sido localizado navegando em direcção a Somália. Até agora ainda não foi possível estabelecer um contacto com a sua tripulação.

As águas da Somália, um país que carece de um governo funcional desde 1991, constituem um refúgio perfeito para os piratas. A actual administração somali, que se debate com uma guerra civil, está mais preocupada em combater os insurgentes islâmicos do que a pirataria marítima.

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