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Pascal Lamy pede ao G20 que evite protecionismo “bola de neve”

O diretor gerente da Organização Mundial do Comércio (OMC) pediu nesta terça-feira que os países do G20 reiterem e apliquem os compromissos que adotaram em novembro contra o protecionismo, temendo que a “derrapagem atual gere uma bola de neve”.

“O que eu espero do G20 são indicações tão claras quanto às de novembro e a adoção destes compromissos para resistir à tentação protecionista que está aí”, explicou Lamy em uma entrevista exclusiva à AFP, na véspera de sua viagem a Londres, onde participará na próxima quinta-feira da cúpula das 20 maiores economias industrializadas e emergentes do mundo.

Lamy espera assim fazer um pequeno apelo à ordem, enquanto os dirigentes do G20, que haviam jurado em novembro que não cederiam às tentações do protecionismo, parecem estar se distanciando de suas promessas. “Os compromissos que eles assumiram em novembro não foram totalmente respeitados”, disse Lamy.

De fato, um estudo das políticas comerciais dos 153 membros da OMC publicado semana passada revelou “um deslize significativo desde janeiro rumo às medidas que entravam o livre comércio”. Este resultado corresponde a uma primeira análise feita pelo Banco Mundial segundo a qual 17 das 20 nações membros do grupo adotaram medidas protecionistas depois de terem feito suas promessas.

Segundo Lamy, não se trata de um “protecionismo de alta intensidade”, como o que levou à Grande Depressão dos anos 30 porque as regras da OMC o impedem. “Mas este protecionismo de baixa intensidade não é menos preocupante”, insistiu.

“No mundo globalizado, há um risco de este protecionismo de baixa intensidade provoque um efeito bola de neve”, explicou o diretor da OMC, temendo que esta tendência provoque uma derrapagem ainda maior em pouco tempo. O risco maior é de o protecionismo prejudicar ainda mais o comércio mundial, já muito afetado pela queda drástica da demanda mundial.

As previsões da OMC são sombrias para o comércio, com um recuo de 9% este ano, sua maior contração desde á segunda guerra mundial. O G20 deve estudar a criação de fundos para financiamento das trocas hoje muito enfraquecidas que chegariam, segundo Lamy, a 100 bilhões de dólares.

O Banco Mundial os avaliou nesta terça-feira em 50 bilhões de dólares. Para Lamy, entretanto, a conclusão da Rodada de Doha sobre a liberalização mundial do comércio continua sendo a melhor resposta ao reencaminhamento do comércio, que deve poder desempenhar um papel capital na retomada mundial.

Ele espera, desta forma, que o G20 lance “um compromisso o mais firme possível para concluir as negociações de Doha o mais rapidamente possível porque este é o meio mais crível para preparar o futuro”.

“Em particular para os países em desenvolvimento, dos quais a única esperança é que o comércio continue aberto porque é graças ao comércio que eles poderão sair da crise”, disse.

Mas as chances de avançar nestas negociações, iniciadas em 2001, dependem da posição americana, admitiu Lamy.

Perseverante, como ele mesmo o descreveu, Lamy pretende convocar uma reunião ministerial para tentar avançar nas negociações apesar do fracasso de dezembro depois do apelo do G20 para concluir os dossiês agrícolas e industriais de Doha daqui até o fim de 2008.

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