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Paquistão: um mês de ofensiva anti-talibãs; a crise humanitária se agrava

A ofensiva lançada pelo Exército contra os talibãs há exatamente um mês no noroeste do Paquistão continua nesta terça-feira, aumentando os riscos de uma “catástrofe humanitária” com 2,4 milhões de desabrigados e milhares de civis afetados pelos combates.

A operação, que visa tirar combatentes islamitas ligados à Al-Qaeda do Vale do Swat e seus arredores, a 100km de Islamabad, se intensificou desde sábado: o exército lançou-se contra o chefe do distrito de Swat, Mingora, que está vazia com a fuga de seus 300.000 habitantes e ainda parcialmente nas mãos dos talibãs. “Mais da metade de Mingora está sob o controle do exército, fechamos todas as rotas que poderiam permitir aos talibãs escaparem”, afirmou nesta terça-feira o porta-voz do exército, o general Athar Abbas, que havia indicado na véspera que seriam necessários ainda de sete a dez dias para assumir o controle de toda a cidade.

O Exército afirmou até agora ter matado quase 1.200 talibãs em sua ofensiva e ter perdido 75 soldados, mas estes dados não podem ser confirmados, porque as zonas de combates estão isoladas. Milhares de civis não conseguiram fugir e enfrentam uma “catástrofe humanitária” no Vale do Swat, avisou nesta terça-feira a organização internacional Human Rights Watch (HRW).

Há uma semana, esta organização de defesa dos direitos humanos com sede em Nova York havia acusado os talibãs e o exército de matarem inúmeros civis, bombardeando áreas a esmo. Desde o início da vasta ofensiva do exército, em 26 de abril no Vale do Swat e seus arredores, cerca de 2,4 milhões de pessoas fugiram, se refugiando ou em campos fora das zonas de combates, ou se dispersando em todo o país, segundo a ONU. “As pessoas presas nas zonas de conflito do Swat vão enfrentar uma catástrofe humanitária, exceto se o exército suspender imediatamente o toque de recolher que impôs na última semana”, disse Brad Adams, diretor da HRW para a Ásia.

As zonas tribais do noroeste, fronteiras com o Afeganistão, são consideradas um reduto dos talibãs paquistaneses e da Al-Qaeda. Mas há dois anos, os insurgentes avançaram para além destas áreas, em particular no Vale do Swat.

Os Estados Unidos, principais fornecedores de fundos para o Paquistão, seu aliado chave na guerra contra o terrorismo desde o fim de 2001, haviam multiplicado as pressões para que Islamabad limitasse seu avanço na única potência militar nuclear do mundo muçulmano.

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