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Pandemia da covid-19 e medidas tomadas pelo Governo criam pobreza em Gondola

gondola-repolho

Há décadas que a produção e o comércio agrícola são as fontes de renda dos munícipes de Gondola, distrito situado no coração da Província de Manica e no entroncamento para quem viaja por Moçambique. A eclosão da pandemia da covid-19 e as medidas tomadas pelo Governo vieram criar pobreza. “Os nossos clientes vinham do Chimoio, Beira, Tete e até dos países vizinhos, agora já não aparecem” lamentou a uma das associadas da Kupedza Urombo Kushanda.

“Acabar com a pobreza é trabalhar” (Kupedza Urombo Kushanda ) é o nome da associação que congrega agricultores e criadores de gado em Gondola, uma das muitas que produzem e davam emprego a milhares de cidadãos. “No início só cultivávamos o milho, com o passar do tempo, até a pandemia começar, produzíamos mandioca, batata doce, amendoim, feijão, gergelim, cenoura, batata reno, couve, alface e outros produtos” recorda-se Mariazinha Simate.

A viúva de 58 anos que lidera a Associação Kupedza Urombo Kushanda contou ao @Verdade que “começamos a criar galinhas, em 2005 iniciamos o gado bovino, caprino e suíno e depois juntamos patos, coelhos, ovelhas e até pombos” e revelou “os nossos clientes vinham do Chimoio, Beira, Tete e até dos países vizinhos, agora já não aparecem”.

“Só para teres uma ideia de que a falta de clientes é uma realidade desde manhã que estamos aqui não vimos se quer algum camião a vir comprar feijão verde nem seco, mas antes da covid-19, nestes meses do ano haveria muitos clientes aqui, a comprar nossos produtos”, afirmou Mariazinha Simate partilhando com tristeza que devido a crise económica gerada pela pandemia respiratória “tivemos de despedir muitos trabalhadores das nossas machambas”.

No mercado grossista 25 de Setembro, vulgo Feira, o maior entreposto comercial da vila de Gondola, o @Verdade constatou a deterioração de produtos agrícolas devido à falta de compradores. “Conforme vês, o repolho está a apodrecer por que já não há clientes. Normalmente os nossos clientes são os bares e restaurantes, mas como a maioria dos bares estão fechados, nós também não temos como” declarou a vendedora Joana Mahudzo acrescentando “repolho, alface, tomate e cebola são mais comprados nos bares para fazerem saladas, agora que o governo mandou fechar os bares, nós ficamos sem maneira”.

“Antes do corona eu não demorava 2 dias para acabar esse repolho, mas agora passa mais de 1 semana para vender só um camião (de repolho), quando começa a apodrecer oferecemos as pessoas que fazem comida aqui no bazar, está muito mal isto” acrescentou Joana, uma das muitas vendedoras que viram o negócio minguar devido as medidas governamentais para controlar a pandemia e, decorrido mais de ano e meio, não recebeu nenhum tipo de apoio de sobrevivência.

“Nós só aqui éramos 17 trabalhadores, acabamos ficando seis”

No Inchope, um dos quatro postos administrativos de Gondola e paragem obrigatória para quem viaja por estrada do norte para o centro ou sul de Moçambique, os clientes também escasseiam para o sector de Hotelaria Restauração, o mais dilacerado pelas medidas de prevenção da covid-19. “Aqui temos onze quartos, dos quais dois são VIP, e com o novo normal a ocupação é de um ou dois quartos, há dias em que ficam todos os quartos vazios por falta de hóspedes”, relatou Augusta Dorige, gestora da instância Pequeno Brasil, que confidenciou “as vezes por falta de clientes, quando aparece alguém a dizer que tem 200 Meticais, nós acabamos aceitando embora o preço de cada quarto seja de 350 Meticais”.

No 2º trimestre de 2020, reflectindo o Estado de Emergência imposto pelo Presidente Filipe Nyusi para conter a 1ª vaga da covid-19, Moçambique mergulhou em recessão económica tendo o sector de Hotelaria e Restauração registado uma variação negativa de 35,84 por cento. Augusta disse ao @Verdade que quando a pandemia eclodiu “nós só aqui éramos 17 trabalhadores, acabamos ficando seis”, há outras instâncias de alojamento onde todos os trabalhadores foram despedidos.

Do cumulativo de 6.337 casos positivos e 29 vítimas mortais registados na Província de Manica, desde Março de 2020, 24 casos e uma vítima mortal foram notificados no Município de Gondola.

O @Verdade apurou que o óbito era residente no Posto Administrativo de Inchope. “Trata se de um paciente que veio transferido dum dos centros de saúde de Inchope e que viria a falecer no hospital distrital de Gondola onde esteve internado”, revelou Daudo Mendes, chefe da repartição de saúde pública no Serviço Distrital de Saúde, Mulher e Acção Social.

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