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‘@Verdade EDITORIAL: Os sacrificados de sempre

É público que o número de autocarros da frota da Empresa Municipal de Transportes Públicos de Maputo (TPM) caiu para metade. No entanto, em conferência de imprensa, a presidente do Conselho de Administração, Maria Wane, anunciou o lançamento de um novo serviço executivo, o qual visa, dizem, aumentar as receitas daquela instituição. @ Verdade aplaude a iniciativa. Até porque tudo aquilo que representa mais dinheiro para os cofres de uma empresa pública é melhor, em última análise, para o consumidor.

A boa-nova diz que os passageiros desse serviço exclusivo e, diga-se, caríssimo para os bolsos do comum dos cidadãos, deverão pagar 70 meticais por viagem ou uma (igualmente) choruda taxa mensal. Reparem que as tarifas das carreiras normais custam entre sete e 20 meticais. Nem nas viagens interprovinciais o preço do bilhete ultrapassa a fasquia dos 45 meticais.

É, portanto, um serviço para poucos bolsos. Aliás, o percurso das rotas é deverás esclarecedor: Vila Olímpica/Praça da OMM. Numa fase posterior Txumene e Belo Horizonte poderão ser contemplados pelo luxuoso e caríssimo serviço.

@Verdade, dissemos acima, aplaudimos a ideia da procura do lucro, mas importa referir que a vocação da empresa pública de transportes não é servir os ricos como se pode depreender pelo estilo de residências que existem em Txumene e no Belo Horizonte.

Há dois factores que não podem ser, de forma alguma, ignorados. Primeiro, a TPM é uma empresa cujo objecto principal é prestar serviço público de transporte. O que significa que da sua vocação impõe-se a necessidade de garantir tal direito.

Segundo, a frota dos TPM é extremamente exígua para fazer face às necessidades de transporte dos cidadãos da capital do país. Uma análise desapaixonada indica que a introdução de uma frota especial retira mais autocarros dos pobres para os que podem pagar, sem pestanejar, 70 meticais por viagem.

A frota operacional da empresa, de acordo com dados fornecidos na última conferência de imprensa, indicam que a mesma varia entre os 90 e os 140 autocarros. Os mesmos dados revelam que essas viaturas transportam entre 3,5 a 3,9 milhões de passageiros por mês.

Digamos, por hipótese, que se os sete autocarros de luxo fossem trocados por viaturas simples a missão política da empresa pública sairia reforçada. Ou seja, 28571 pobres poderiam chegar mais cedo ao serviço. Esse número representa a quantidade de pessoas que uma viatura transporta por mês de acordo com os números da TPM. Se multiplicarmos esses 28571 passageiros por sete viaturas estaríamos a falar de 199997 pobres transportados num mês.

Portanto, saibam que cada autocarro de luxo significa a exclusão de 28 mil pobres mensalmente. E depois dizem que isto não é o país do pandza…

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