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Oposição iemenita duvida da promessa de Saleh de deixar poder

Autoridades iemenitas recuaram da declaração do presidente Ali Abdullah Saleh de que deixaria o cargo nos “próximos dias”, e a oposição duvidou da declaração no domingo, dizendo que era mais uma manobra para tentar ficar no poder.

Saleh, de 69 anos, tem desafiado os protestos durante todo esse ano contra o seu governo de três décadas, descumprindo repetidamente suas promessas de deixar o poder. Os EUA e a Arábia Saudita temem que a revolta acabe levando a nação empobrecida a uma guerra civil e ao colapso econômico.

Num discurso feito sábado à noite, Saleh disse: “Rejeito o poder e continuarei a rejeitá-lo e pretendo deixá-lo nos próximos dias”. Mas o vice-ministro da Informação, Abdu al-Janadi, disse à Reuters que a saída de Saleh ainda depende de um acordo, que ainda não foi assinado. “Ele disse isso para mostrar o seu compromisso com esse plano, mas ainda não há nenhum plano de uma renúncia ou transferência de poder, antes que tenhamos chegado a um acordo e que ele seja assinado. Isso apenas deixaria o país no caos ou até mesmo em guerra”, disse. “Ele está pronto para deixar o poder em alguns dias, sim, mas se isso vai acontecer nos próximos dias ou meses, vai depender do sucesso das negociações para um acordo.”

Protestos contra o governo de Saleh paralisaram o Iêmen, enfraquecendo o controle do governo em parte do país e espalhando o medo que o braço regional da Al Qaeda possa usar a revolta para expandir a sua presença perto da rota marítima de transporte de petróleo. O discurso de Saleh pode ter tido a intenção de rechaçar as críticas do Conselho de Segurança da ONU, que deve ser informado sobre a situação do Iêmen nos próximos dias e pode aprovar uma resolução pedindo que Saleh estabeleça um acordo de transferência de poder.

A oposição chamou o discurso de um estratagema. “Saleh é um mentiroso, nada mudou desde o seu discurso”, disse Mohammed al-Asl, organizador dos protestos feitos por manifestantes da oposição acampados numa praça no centro da capital Sanaa. “Já estamos acostumados a esse tipo de coisa. Ele diz qualquer coisa para enganar o seu próprio povo, o mundo e todos. Não estamos prestando atenção a isso.”

NOBEL DA PAZ

Os manifestantes, acampados em tendas na região de Sanaa conhecida agora como Praça da Mudança, estavam levando sua vida normalmente, comprando comida, cozinhando e mascando khat — uma erva leve e estimulante, que é muito comum no Iêmen.

Uma nova pressão surgiu de uma fonte inesperada, depois que o Prêmio Nobel da Paz foi concedido, na sexta-feira, à Tawakul Karman, uma das principais ativistas que tem acampado nas ruas da Praça da Mudança do lado de fora da Universidade de Sanaa, desde fevereiro. O reconhecimento de uma ativista da democracia iemenita poderia fazer com o mundo voltasse sua atenção para o conflito no Iêmen, um país com 23 milhões de habitantes, com recurso hídricos em declínio, uma economia implodindo, conflitos separatistas e sectários e com um aumento do crescimento da presença da Al Qaeda.

O líder astuto Saleh, que chegou ao poder em 1978, está sendo pressionado por seus aliados internacionais, manifestantes na rua, opositores armados e pelos partidos de oposição para cumprir suas promessas de entregar o poder. EUA e Arábia Saudita temem que o Iêmen possa se tornar um país fracassado e seja invadido pela Al Qaeda.

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