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Operários da ex–Texlom trabalham em condições deploráveis

Os operários da fábrica de tecidos e costuras, MOZITEX, antiga TEXLOM, estão a trabalhar em condições deploráveis e de injustiça salarial, segundo constatou a Governadora da Província de Maputo, Maria Jonas, durante uma visita efectuada aquele centro de produção.

Parte considerável dos 600 trabalhadores da MOZITEX, maioritariamente jovens, não tem contratos laborais há mais de três meses e trabalham para além das oito horas diárias estabelecidas por lei.

A MOZITEX é uma unidade fabril de produção de têxteis, que funciona nas antigas instalações da TEXLOM, na cidade industrial da Matola, Sul de Moçambique, e é pertença da Rede Aga Khan para o desenvolvimento.

Os trabalhadores são citados pelo jornal “Diário de Moçambique” a revelarem que são obrigados a entrar às sete horas para sair as dezassete e com apenas 30 minutos de intervalo para o almoço.

Eles afirmaram que auferem salários que variam entre 1.500 e 2.500 meticais (entre cerca de 48 e 81 dólares EUA)e não são pagos nenhuma hora extraordinária, apesar de trabalharem, por vezes, ate depois das dezassete horas.

“Já estamos a ser obrigados a ir ao serviço aos sábados, mas também sem nenhuma remuneração”, disseram o trabalhadores, avançando que nas salas onde trabalham as condições são péssimas pois, laboram 600 pessoas aglomeradas em dois salões, quase que totalmente fechados e com pouca ventilação.

A água para o consumo dos 600 trabalhadores é fornecida por apenas dois bebedores de 20 litros para todo o dia, um para cada salão. A outra questão, que a governadora constatou, é que o vestuário para crianças e adultos, mantas, entre outros produtos desta firma, são colocados selos da África do Sul e Quénia, ou seja, têm selos de “Made in South Africa” ou “Made in Kenya”, sendo comum ver as mesmas roupas nas lojas nacionais.

“Mas os responsáveis ofereceram peças de vestuário à governadora da província de Maputo, com o selo Made in Mozambique”, disse Maria Jonas, adiantando que os responsáveis da firma dizem que a roupa que produzem destina-se à exportação para a vizinha República da África do Sul e fazem por encomenda.

A Governadora da Província de Maputo disse que os responsáveis da fábrica prometeram instalar ventoinhas e outros meios de climatização para melhorar o ambiente de trabalho.

Olga Manjate, Directora do Trabalho da província de Maputo, salientou que os trabalhadores daquela firma estão a operar sob condições que perigam a saúde humana, destacando que primeiro não têm uniforme e meios de protecção contra as poeiras e outros produtos poluentes que provêm da matéria-prima que usam.

“Também estão a trabalhar sob calor intenso, o que periga sobre maneira a saúde”, disse, acrescentando que vai delegar uma equipa de inspecção para averiguar melhor a situação e obrigá-los a criarem melhores condições laborais.

A MOZITEX, produz tecidos destinados maioritariamente para exportação, tendo de Setembro de 2009 até Dezembro do ano passado colocado no mercado internacional cerca de 120 mil peças.

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