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“O mais importante é vencer todos os jogos” Rogério Gonçalves, treinador do Ferroviário de Nampula

“O mais importante é vencer todos os jogos” Rogério Gonçalves

Apesar de o Ferroviário de Nampula estar a atravessar um bom momento de forma no Moçambola, ocupando a primeira posição da tabela classificativa com 15 pontos, fruto de cinco vitórias em igual número de jogos, Rogério Gonçalves, treinador principal daquela colectividade, sacode a água do capote e afirma que não é candidato ao título. Com passagens por equipas como Varzim, Beira-Mar, Leixões e Académica de Coimbra, aquele técnico português assegura que o seu objectivo é “vencer todos os jogos até ao fim da presente época desportiva”.

Jornal @Verdade (@V) – Disputadas cinco jornadas do Moçambola, incrivelmente, o Ferroviário de Nampula soma igual número de vitórias e assume, de forma isolada, a liderança desta competição. Há algum segredo para o presente sucesso da equipa?

Rogério Gonçalves – Nós começámos bem a presente época. Entrámos triunfantes graças ao grupo coeso que conseguimos criar, bem como a outros factores determinantes que levaríamos um dia a enumerar. Mas, em poucas palavras, tenho de afirmar que estes 15 pontos surgem como resultado do trabalho que temos vindo a fazer desde Agosto de 2013, ou seja, desde a segunda volta da edição passada do Moçambola. Se reparar, nós mantivemos a estrutura da equipa daquele ano e reforçámos os sectores que julgamos preponderantes.

@V – Sendo actualmente o líder, podemos considerar que o Ferroviário de Nampula é um forte candidato ao título, mesmo depois de revelar, no arranque da presente época, que o objectivo principal era melhorar a oitava posição alcançada em 2013?

RG – Ainda não pensei nisso. Sei apenas que, actualmente, estamos entre as cinco melhores equipas do Moçambola, sendo que o mais importante para nós é vencer todos os jogos que temos pela frente, obviamente esquecendo as vitórias que alcançámos até hoje.

@V – Mas vencer todos os jogos significa a conquista do título…

RG – Digamos que vamos tentar consolidar a primeira posição até onde for possível.

@V – As equipas que lideram o Moçambola ficam, normalmente, muito pressionadas, pois qualquer deslize pode custar a perca da primeira posição. Por exemplo: o Ferroviário de Nampula tem dois pontos de avanço sobre o Maxaquene, um colosso da cidade de Maputo. Como é que tem gerido esta tensão?

RG – É um facto que estamos numa posição privilegiada. Mas também temos a consciência de que há equipas muito fortes e determinadas a lutar pelo título até ao fim. Mas nós não entrámos nessa luta. O Ferroviário de Nampula depende simplesmente de si e do seu trabalho para se manter, por mais tempo, na primeira posição. Conforme disse acima, o nosso objectivo é vencer todos os jogos até à 26ª jornada.

@V – Para os adeptos, o Ferroviário de Nampula terá de conquistar o título, em virtude de ter demonstrado capacidade para ganhar os jogos nestas cinco jornadas. Tem a noção disso?

RG – Eu nutro muito respeito pelo comportamento dos adeptos do Ferroviário de Nampula. E noto que sou muito acarinhado por eles, como também pela direcção do clube. Contudo, vou entender, caso as coisas mudem de rumo e eles decidam tomar outra postura diante de mim. Não seria novidade nenhuma. Isso acontece em todo o mundo. O que nós temos de fazer é continuar a trabalhar para não decepcionar ninguém.

@V – E o que faria o Ferroviário de Nampula perder pontos no Moçambola?

RG – Simplesmente nada. Eu não vejo nenhum motivo para que o Ferroviário de Nampula não lute pelos seus objectivos neste Moçambola. Nós temos todas as condições de trabalho criadas pela direcção para o efeito. Em termos logísticos, morais, bem como em meios de trabalho, nós temos capacidade para lutar até ao fim. Dentro das quatro linhas, precisamos apenas de respeitar os nossos adversários e evitarmos, fundamentalmente, desperdiçar pontos no nosso campo. “Tenho um plantel capaz de lutar até ao fim”

@V – Disse que manteve a espinha dorsal da equipa do ano passado e que, nesta época, simplesmente reforçou alguns sectores. Isto é um pré-anúncio de que o Ferroviário de Nampula tem um plantel que se aguente até ao fim da época?

RG – Tenho um plantel coeso e capaz de disputar o campeonato em igualdade de circunstâncias com qualquer adversário do Moçambola, sobretudo diante dos principais candidatos ao título. E eu tenho orgulho disso. E digo mais, que estou confiante na manutenção deste espírito vencedor até ao fim.

@V – Quais são as palavras de motivação que tem dito aos jogadores, para que eles saiam vitoriosos em cada jornada? Existe, por outro lado, alguma causa extra-desportiva para este aparente sucesso?

RG – Nós, aqui no Ferroviário de Nampula, somos uma família muito unida. O aspecto psicológico dos jogadores é algo que trabalhamos, todos os dias, antes e depois dos treinos. Mas, longe disso, há a componente logística que também tem concorrido para o sucesso desta equipa.

@V – Pode partilhar com os leitores do @Verdade o plano de treinos do Ferroviário de Nampula e que justifique a manutenção no topo da tabela classificativa?

RG – Há questões do domínio interno que não podem, nem por erro, vir a público. Esta é uma delas.

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“Temos de nos adaptar às condições do nosso piso”

@V – Sente-se confortável com as condições do piso do Estádio 25 de Junho?

RG – A componente de infra-estruturas desportivas é, realmente, um problema muito sério do futebol moçambicano. O mais importante é saber adaptar as equipas à realidade existente, algo que nós temos vindo a fazer no Ferroviário de Nampula. E com esta onda de construção de novos recintos desportivos, favoráveis à prática do desporto em Moçambique, como são os casos do Estádio Nacional do Zimpeto e do campo da Bela Vista em Nacala, espero que o “25 de Junho” venha a beneficiar de uma reabilitação. Oiço dizer nos bastidores que brevemente teremos uma relva sintética.

@V – Onde é que o Ferroviário consegue jogar melhor, fora ou dentro de casa?

RG – Os nossos jogos são encarados como um desafio e com muita responsabilidade. Por isso não posso afirmar, categoricamente, onde é que jogamos melhor, se é fora ou dentro do “25 de Junho”. O mais importante para nós é o adversário e a forma como se vai comportar dentro das quatro linhas.

“O futebol moçambicano apresenta sinais de evolução”

@V – É sabido que este é o seu segundo ano no futebol moçambicano. Possivelmente tenha uma opinião formada sobre o mesmo. Qual é a avaliação que faz desta modalidade em Moçambique?

RG – O futebol moçambicano está significativamente a evoluir. Está cada vez mais competitivo e interessante. Por exemplo, o título do Moçambola, na actualidade, é disputado por muito mais equipas, sendo algumas de fora da órbita das habituais candidatas, o que não acontecia no passado. Falta apenas melhorar as infra-estruturas, sobretudo no tocante ao piso dos campos, um factor que, a ser resolvido, poderá colocar este desporto noutros patamares.

@V – Considera o jogador moçambicano um profissional?

RG – Em Moçambique há jogadores com uma alta qualidade competitiva. Há muitos que fazem maravilhas e que até superam atletas que militam em vários campeonatos europeus, mesmo com pisos inapropriados que nós temos neste país. Simplesmente insisto na necessidade de concentrar os investimentos nas infra-estruturas desportivas, sobretudo nos relvados, para que os atletas possam mostrar a sua verdadeira postura táctica e técnica.

 

“Em Moçambique sinto-me em casa”

@V – Sente-se bem em Moçambique?

RG – Sinto-me em casa e muito bem acarinhado. Inicialmente, a minha vontade era ficar apenas por um ano. Mas o amor e o carinho dos nampulenses, e dos moçambicanos no geral, obrigou-me a regressar para dar continuidade ao trabalho que tenho vindo a realizar desde o ano passado. E não pretendo sair de Nampula tão já.

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