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O imperador da moda

O imperador da moda

A vida excêntrica de Karl Lagerfeld

Intitula-se “a pessoa mais superficial do planeta” e está rico, mas ainda desenha 24 colecções de moda por ano. É louco por fotografia e tem trezentos mil livros.O episódio marcou-o para sempre quando o tio preferido o levou a dar um passeio e lhe perguntou quem era o famoso poeta da estátua. Karl, na altura com dez anos, não soube responder. Em fúria, o tio deu-lhe a primeira e a última bofetada na cara que receberia na vida e levou-o para casa pelo braço, entregando- o num empurrão à mãe e gritando: “esta criança é tão fútil e superficial quanto tu!” Sessenta e cinco anos depois, o estilista alemão que a imprensa trata por Kaiser (imperador), continua a afirmar-se “a pessoa mais superficial do planeta”.

Mas se a criança excêntrica herdou da mãe o interesse precoce pela moda e o sentido de estilo, aquele estalo daria início a uma paixão insaciável pela leitura. “Sou completamente louco por livros”, disse Karl Lagerfeld em entrevista à revista do Daily Telegraph. “É uma doença da qual nunca vou ficar curado. Quero aprender tudo. Os livros são a estratégia da minha vida. Mas não sou um intelectual nem gosto da sua companhia. Sou o homem mais superficial do mundo”, sublinha.

 

Karl Otto Lagerfeld desenha 24 colecções de moda por ano para a casa Chanel, para a Fendi e para sua própria marca, Karl Lagerfeld, cujas receitas anuais rondam os 4 biliões de euros e em 2004 desenhou ainda 30 modelos para a H & M. Tem cerca de 300 mil livros, espalhados pelas suas três casas de Paris, Nova Iorque e Mónaco, uma livraria e uma editora em Paris.

A sua descoberta mais recente é a fotografia. A crítica aclama-o como a grande revelação dos últimos anos. Faz sessões fotográficas de moda, catálogos e anúncios publicitários, mas também gosta de fotografar arquitectura e fazer retratos de famosos. Recentemente conseguiu captar a imagem de cinquenta estrelas de Hollywood para a “Madame Figaro”, incluindo Nicole Kidman, Catherine Deneuve e Jack Nicholson. “se me pedissem para escolher entre a moda e a fotografia, preferia suicidarme”, diz. O estilista que nunca tira os óculos escuros e que gosta de usar os sapatos um número abaixo, leva a paixão pela fotografia tão a sério que já possui um estúdio no centro de Paris, que tem o tamanho de um court de ténis, um sofá com capacidade para sentar trinta pessoas ao mesmo tempo, secretárias para seis assistentes que trabalham a tempo inteiro, uma sala para scanners e computadores, outra para guardar máquinas, objectivas e luzes, e um quarto com camas e almofadas confortáveis, só para o caso de as manequins precisarem de descansar.

O mais impressionante de tudo é o escritório do designer de moda alemão, eleito pela Vanity Fair uma das personalidades mais bem vestidas do ano, com as paredes forradas com 60 mil livros antigos. As pistas para desvendar o carácter pouco convencional de Karl Lagerfeld podem ser encontradas na sua infância. Criado numa herdade no Norte da Alemanha, é filho de um empresário de sucesso (que introduziu o leite condensado na Alemanha e foi pai aos 65 anos) e de uma senhora louca pela moda e tão exigente que chegava a argumentar quando o filho lhe suplicava que lhe contasse uma história: “tu podes ter seis anos, mas eu não”. Perante este argumento Karl teve de aprender a ler sozinho e, quando entrou para a 1ª classe, já era um prodígio. Aos seis anos, sabia falar francês e inglês. Apesar de ter problemas de visão, nunca foi tratado, a mãe dizia que não havia nada mais feio no mundo do que crianças com óculos.

A homossexualidade evidente foi bem aceite desde cedo pela família, mas mal vista em todas as escolas por onde passou, por melhores notas que tivesse. Tinha 15 anos quando se mudou para Paris e 17 quando participou num concurso internacional de design, tendo ganho na categoria de casacos e vestidos de noite. O estilista Pierre Balmain não deixou escapar o talento do jovem alemão e contratou-o imediatamente. Passou pela Krizia, Fendi e Chloé, mas foi quando impôs o seu estilo na Chanel (a partir de 1982) que se transformou num dos homens mais respeitados do meio.

Karl Lagerfeld acaba de ser convidado para desenhar 80 vilas de luxo na Isla Moda, no Dubai. “Mandaram-me um jacto privado e eu disse: é muito pequeno, preciso de um avião maior. É divertido não é?”, revelou.

O ícone de moda veste-se sempre com óculos escuros, fato preto e camisa branca com colarinhos altos. Gravata estreita, cinto com fivela de brilhantes e botas de couro.

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