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O fantasma da guerra em Maratane

O fantasma da guerra em Maratane

Depois de escapar à morte no conflito armado no seu país, a refugiada Mazambi, deficiente física, de nacionalidade congolesa, vive com o medo de perder a vida no Centro dos Refugiados de Maratane, em Nampula, porque o local onde encontrou abrigo também acolhe os três “ex-rebeldes” que incendiaram a casa dos seus pais, tendo matado a família inteira. Desesperada e carregando o trauma da guerra, ela pede a intervenção das autoridades policiais moçambicanas.

Mazambi Möisé, de 36 anos de idade, vive no Centro dos Refugiados de Maratane há 10 anos. Casada e mãe de uma menina, em busca de sossego veio parar em Moçambique, concretamente em Nampula, no ano de 2002. Porém, apesar de ter fugido do conflito armado, não encontra paz naquele campo. Ela diz que a sua vida está em perigo porque as mesmas pessoas que incendiaram a sua casa e mataram os seus país na província de City Covo, em Losawe, têm vindo a ameaçá-la de morte.

“Desde que aqueles indivíduos chegaram a este centro já não vivo sossegada, pois todos os dias recebo ameaças. Eles disseram-me que vão tirar-me a vida, caso lhes denuncie à ACNUR, ao administrador de Maratane ou mesmo a uma outra pessoa”, disse e acrescentou: “É bem possível que eu seja morta depois que ele virem isto, será o fim da minha vida porque aqueles indivíduos são perigosos. Eles mataram os meus pais e não tenho dúvidas que me matarão também”.

Como começaram as rivalidades?

Mazambi Möisé disse que o ódio começou quando os três indivíduos incendiaram a casa dos pais em Congo Kinshassa, na província de City Khovo, levando à morte dos seus progenitores. Segundo conta, quando aqueles cidadãos incendiaram a residência dos seus pais, ela encontrava- se atrás da casa e, tendo se apercebido da situação, fugiu para a mata e, com ajuda do seu esposo, acabou por se refugiar numa zona distante da sua terra natal.

Os referidos indivíduos faziam parte da guerrilha anti-governamental e pertenciam a uma tribo islâmica que odiavam os cristãos. Refira-se que os país da Mazambi Möisé eram católicos e responsáveis de uma igreja evangélica.

“Quando eles chegaram a este centro, tivemos uma conversa entre compatriotas. Numa noite de convívio no qual todos os refugiados contavam a sua história, disse que os meus pais tinham sido mortos e os autores do crime estava naquele mesmo local. O meu comentário criou um mal-estar. No entanto, os indivíduos chatearam-se e, no dia seguinte, vieram fazer-me ameaças”, explica Mazambi, que clama por justiça.

Caso na polícia?

Mazambi Möisé refere que já fez chegar a informação à Polícia da República de Moçambique (PRM) no Centro de Maratane mas até aqui nada foi feito. “A polícia prometeu prender os indivíduos, porém, nada aconteceu. Ainda não comuniquei a situação ao administrador do centro, pois tenho medo do que possa acontecer comigo”, disse.

Outros problemas

Mazambi revelou que, além das ameaças que tem vindo a receber, a sua família tem passado por situações dramáticas protagonizadas por aqueles indivíduos. “Os familiares do meu marido não querem que eu case com ele porque sou deficiente. Estou desamparada, não nos querem ver por perto”, disse.

A refugiada disse que neste momento tem quatro inimigos, nomeadamente, a deficiência física que não lhe permite locomover-se para realizar algumas actividades, os indivíduos que prometem tirar-lhe a vida, os familiares do marido e a pobreza.

Apesar de estar a beneficiar de alimentos e outros produtos da primeira necessidade doados pela ACNUR, ela afirma que não chegam a suprir as suas necessidades. Ver a sua filha formada é o seu maior sonho.

O percurso

Oriunda de Congo-Kinshasa, Mazambi Möisé chegou a Moçambique na companhia do seu marido, Akyumba Möisé, de 45 anos de idade, e da sua única filha, fugindo da guerra. Para escapar à morte, ela a sua família tiveram de usar uma canoa. Mazambi conta que foi graças ao seu esposo que conseguiu fugir da fúria dos rebeldes que tinham ocupado por completo a cidade de Khovo, em Congo. “Saímos de Congo numa canoa e depois apanhámos um navio, até chegarmos ao lago Tanganhica. Depois, conseguimos entrar na Tanzânia no dia 7 de Abril de 1996 e de lá para partimos para Moçambique. Não foi fácil, passávamos dias sem comer. Não tínhamos sequer água para beber ou tomar banho”.

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