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“O dinheiro acaba, mas o HIV fica”

Nas sextas-feiras e sábados, Margarida Luisa, 16 anos de idade, parte do bairro Zimpeto, Distrito Municipal Kamubucuane, arredores de Maputo, para a Rua do Bagamoyo, na baixa da Cidade de Maputo, para mais uma jornada de trabalho às 20h. Pernoita no local devido à escassez do transporte semicolectivo( vulgo chapa 100) para regressar à casa. Também conhecido por “zona quente”, o local com casas nocturnas, restaurantes e bares concentra pessoas de várias etnias, profissões, classes sociais, idades e, especialmente, trabalhadoras do sexo.

Oriunda da Província de Gaza(sul de Moçambiqre), Luísa veio a Maputo com promessa de trabalho de 1,800 Meticais de salário mensal. Mas, por não receber o vencimento e viver sozinha, refugiou-se no trabalho sexual para sobreviver. O pai pedreiro e a mãe trabalhadora nas machambas (plantações) não sabem que a filha é comerciante de sexo, acreditam que continua na 6ª classe que desistiu no ano passado. “Uso o preservativo com todos os meus clientes, mesmo aqui onde estou tenho.

Alguns prometem muito dinheiro em troca de sexo sem camisinha, mas eu não posso fazer isso. O dinheiro acaba, mas o HIV fica”, narra Luísa. Mesmo com o namorado, um trabalhador fronteiriço, Luísa recusa o sexo desprotegido, “talvez aceite se um dia estiver casada”, comenta a adolescente que nunca fez o exame de HIV, mas espera testar-se em breve. Segundo o Inquérito Nacional de Prevalência, Riscos Comportamentais e Informação sobre o HIV e Sida em Moçambique de 2009 (INSIDA), as trabalhadoras do sexo são apontadas como populações vulneráveis à infecção pelo vírus da Sida.

Por exemplo, estimativas revelam que existam cerca de 30 mil profissionais sexuais e cerca de 125 mil pessoas que compram sexo com frequência em Moçambique país. Um outro estudo da organização Visão Mundial-Moçambique determinou que os programas sexuais no país custavam – em 2005 – entre 50 a 350 meticais e a idade média das iniciantes era de 17 anos. Uma pesquisa de 2006 da «Pathfinder » e da «Population Service International » (PSI) apontou que as idades das trabalhadoras do sexo em Maputo variavam entre 12 a 30 anos de idade, sendo a maioria na faixa dos 20. Luísa afirma que esses dados continuam bem próximos da realidade em Moçambique: “eu quero trabalhar, mas não consigo emprego. Logo vou largar essa vida e recomeçar outra melhor”.

PS: *O nome verdadeiro foi omitido a pedido da entrevistada

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