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O difícil treino dos alunos de bailado

O difícil treino dos alunos de bailado

Ballet

Trabalham seis dias por semana e chegam a aproveitar o domingo para ensaios. Atam pesos aos pés para esticar as pernas e arriscam a expulsão se ultrapassarem os cinquenta quilos. “Às vezes parece que vamos morrer de exaustão”.

Zhenya Ganeyev está deitado num sofá-cama colocado a um canto da sala de estar do seu apartamento de São Petersburgo, na Rússia. Este rapaz de 15 anos de idade, magro e musculado, foi proibido pelos médicos de andar desde o início de Junho. Estudante de ballet, repousa com um cotovelo dobrado atrás da cabeça, numa posição de contorcionista mas que para ele não é desconfortável. De vez em quando, curva os longos pés colocando-os na posição de pontas. Por mais estranho que pareça, os professores estão satisfeitos com a lesão que ele sofreu.

 

 

 

Como é considerado demasiado baixo, os professores de ballet esperam que o repouso permita que ele cresça mais. Se tal não acontecer, é muito provável que ele não tenha futuro na academia. Independentemente do seu talento, se um bailarino não tiver altura, a forma do corpo e o peso adequados, será expulso. Na era de Putin, os padrões de exigência para os bailarinos não diminuíram apesar de muitos jovens russos estarem actualmente, a desviar da tradição clássica.

Rachel Papo, fotógrafa israelita nascida nos Estados Unidos, passou cinco semanas a fotografar estudantes na academia Vaganova e no célebre Teatro Mariinsky, onde os alunos actuam depois das aulas. A própria Rachel Papo estudou ballet entre os 5 e os 14 anos, em Haifa, Israel, mas abandonou a dança assim que percebeu que era menos dotada que as colegas. Na Vaganova, encontrou frustrações semelhantes. “Andei destroçada o tempo que lá passei. Depois de concluído o curso, apenas um grupo reduzido de alunos consegue vingar”, conta. As raparigas são pesadas três vezes por ano. Não comem doces nem produtos com trigo. Durante as aulas, atam pesos aos pés e vão para a barra. As pernas têm de medir metade da altura total do corpo.

Os estudantes internos, que constituem cerca da metade do número dos alunos inscritos, têm uma sala de computadores e dormem em quartos de dois. Regra geral, aos dez anos, depois de um exame que se entende por varias horas e durante o qual são feitos testes à sua técnica, ritmo e estado de saúde. Há cinco anos, havia cem candidatos para cada vaga. Actualmente, o número e de apenas vinte, verificandose um declínio acentuado no número de candidatos do sexo masculino.

O estilo da Academia Vaganova funde elementos das escolas de ballet russo, francês e italiano, gerando bailarinos que movimentam particularmente bem a parte superior do corpo. O ensino é regrado e preciso, os rivais da escola Bolshoi (de Moscovo) são da opinião de que os bailarinos de São Petersburgo se concentram demasiado nos pormenores técnicos.

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