Para continuarmos  a fazer jornalismo independente dos políticos e da vontade dos anunciantes o @Verdade passou a ter um preço.

O artilheiro do Moçambola

O artilheiro do Moçambola

É impossível falar do Maxaquene da presente temporada sem tocar no nome do Isac, um avançado que já marcou 11 golos no Campeonato Nacional de Futebol, o “Moçambola”. O atacante tricolor, no presente, é, sem sombras de dúvidas, um dos melhores jogadores a actuar no futebol nacional. Nesta edição, o @Verdade aborda uma parte da história de vida do astro dos “Maxacas”.

Isac Filipe de Carvalho, ou seja, Isac, como é simplesmente chamado pelos adeptos do Maxaquene, os “Maxacas”, é um dos melhores jogadores a actuar em Moçambique no presente. Fez história ao tornar-se o primeiro atleta a marcar quatro golos na presente edição do Moçambola. Ele nasceu a 27 de Junho de 1989 na cidade de Nampula, onde desde cedo descobriu a sua paixão incondicional pela bola. No seio da massa associativa do Maxaquene reina a concórdia de que Isac, a par de Macamito, é um dos melhores jogadores do Maxaquene nos últimos cinco anos.

O avançado tricolor teve uma infância de sonho, em que brincava até ao pôr-do-sol, que foi dividida entre os estudos e o futebol. Assim como vários jogadores, que hoje despontam na fina-flor do futebol nacional, Isac começou pelo futebol do bairro, onde, através do seu talento, dava nas vistas e figurava sempre entre os melhores jogadores nas camadas de formação do Benfica de Nampula.

“A minha infância foi muito bela, quanto a isso não tenho nenhuma reclamação. Em casa tinha problemas com os meus pais, porque às vezes não tinha tempo para passar as refeições por estar a jogar à bola com os amigos”. Isac confessa que nos primeiros dias não foi fácil seguir a carreira de jogador de futebol, porque o bairro onde vivia era muito turbulento em matéria de criminalidade e os pais impediam-no de sair para jogar com os amigos, tendo optado por comprar uma bola para que este jogasse no quintal com os amigos.

Isac ingressa no Benfica de Nampula Com o tempo, o quintal passou a ser pequeno para Isac que, segundo os amigos, tinha um futuro promissor nesta modalidade. Os pais entenderam que podia continuar a apostar no futebol, mas sem esquecer os estudos. Com 11 anos, convidado por alguns colegas da escola rendidos ao seu talento, ingressou no Benfica de Nampula, onde passou por todas etapas de formação até chegar aos seniores.

“Depois do futebol do bairro, fui convidado por alguns amigos que já faziam parte do Benfica de Nampula. Nesta colectividade passei por todas etapas de formação até chegar aos seniores. Nas camadas de formação fui sempre um dos jogadores mais destacados em resultado da disciplina e do empenho dentro e fora das quatro linhas”.

Em 2008 depois de se ter tornado o melhor marcador do Campeonato Provincial de Nampula, Isac foi contratado pelo Desportivo de Maputo, a par de Imo, para fazer parte do plantel daquela histórica formação da capital do país. Na época em que o avançado do Maxaquene ingressou nos alvinegros, faziam parte do plantel jogadores como Dominguez, Carlitos e Nelinho.

Isac na Liga Muçulmana

O astro dos tricolores vestiu por quatro épocas a mítica ventoinha, camisola oficial do Desportivo. Nos primeiros anos, Isac oscilava entre o banco de suplentes e a titularidade, mas mesmo assim despertou o interesse de alguns clubes da capital do país, tendo acabado por rubricar um contrato com a Liga Muçulmana.

“Joguei no Desportivo durante quatro épocas e depois disso fui contratado pela Liga Muçulmana”. O internacional moçambicano confessa que viveu uma das piores fases da carreira naquela formação. “No Desportivo de Maputo jogava regularmente, algo que não acontecia na Liga Muçulmana, porque, apesar do empenho nos treinos, não me deram a oportunidade de mostrar o que eu valia dentro das quatro linhas. Todo o atleta gosta de jogar, por isso não era feliz com aquela situação”.

“O Maxaquene resgatou-me para o futebol”

Quando muitos pensavam que Isac já estava riscado do mapa futebolístico nacional, eis que surge o Maxaquene que se apercebeu de que o avançado não era um jogador para ficar a aquecer o banco de suplentes. Em 2013 chega ao Maxaquene depois de uma época em claro nos muçulmanos.

“Na Liga Muçulmana não fui feliz, por mais que trabalhasse não me era concedida a oportunidade de mostrar o meu potencial. A Liga tinha um plantel com vários jogadores de renome, mas acho que merecia um voto de confiança, o que não aconteceu. Mas não guardo mágoa, porque isto é normal acontecer no futebol. Graças a Deus o Maxaquene apercebeu-se da minha situação e endereçou- me um convite que prontamente aceitei”.

Nos tricolores Isac voltou a fazer o que mais gosta: jogar futebol. A primeira época não correu muito bem ao avançado natural de Nampula. Mas nesta temporada Isac tem sido fundamental na manobra ofensiva da equipa orientada por Chiquinho Conde, tendo já marcado 11 golos, o que lhe garante a liderança na lista dos melhores marcadores.

O significado do Pocker

Marcar quatro golos numa partida não é tarefa para qualquer um, mas Isac conseguiu esse feito na partida frente ao Ferroviário de Quelimane, referente a 19ª jornada do Campeonato Nacional de Futebol. Para o internacional moçambicano, apontar quatro tentos num jogo foi um facto marcante na sua carreira, foi a primeira vez que conseguiu esta façanha.

“Desde que comecei a jogar nunca havia marcado quatro golos, muito menos três, mas naquela tarde fiz um pocker. Foi uma experiencia inesquecível, tornei-me o primeiro jogador a alcançar este feito nas 21 jornadas volvidas até ao presente. Espero que esta seja a primeira de muitas que estão para vir”. O avançado tricolor igualou o feito de Jerry que, em 2009, com a camisola do Ferroviário de Maputo, fez um pocker. Mas o recordista continua a ser Chana que em 2011, ao serviço dos locomotivas de Nampula, apontou cinco golos numa só partida.

Um Jogador que se inspira em Dominguez e Cristiano Ronaldo

O avançado do Maxaquene tem com ídolos o internacional moçambicano Elias Gaspar Pelembe, conhecido nos meandros desportivos por Dominguez e Cristiano Ronaldo, o melhor jogador do mundo. “A nível nacional tenho o Dominguez como minha fonte de inspiração, pelo profissionalismo dele. É um jogador que dentro das quatro linhas dá o melhor de si em benefício da equipa. Fora de portas gosto do Cristiano Ronaldo, ele mudou a minha de estar dentro do campo e isso contribuiu para a minha progressão como jogador de futebol. Foi graças aos vídeos de Cristiano Ronaldo que comecei a marcar muitos golos, porque tento imitar a maneira como ele se movimenta em campo e tem dado certo. Esta época já marquei mais de dez golos”

Sobre os “Mambas”

Isac é um dos nomes que tem constado com frequência nas convocatórias de João Chissano, seleccionador nacional. Todavia, o astro tricolor não tem tido a oportunidade de jogar no combinado nacional, o que não está a ser digerido pelos amantes do futebol no país, tratando-se do melhor marcador do campeonato. Questionado sobre isso, o jogador tricolor disse.

“Trabalho para merecer a confiança do treinador. Um atleta gosta de jogar com regularidade e eu não fujo à regra. Gostaria de ter mais tempo nos “Mambas”, mas estou ciente de que tudo tem o seu tempo e o meu está para vir”. Para o avançado do Maxaquene, Moçambique tem condições para chegar ao CAN – 2015. Tendo em conta a boa performance actual dos jogadores, caso isso não aconteça, a experiência pode ser frustrante para o combinado nacional.

Sonho em jogar num Campeonato competitivo

Jogar num campeonato mais competitivo em relação ao nosso é o sonho de Isac de Carvalho que está a atravessar um dos melhores momentos da carreira. “Tenho o sonho de jogar num país que tem um campeonato mais competitivo em relação ao “Moçambola”. Mas, se possível, gostaria de jogar na Liga Inglesa, considerado o melhor campeonato do mundo”.

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Related Posts

error: Content is protected !!