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Número de futebolistas náufragos em Gaza aumenta e as vítimas eram transportadas por um pescador artesanal

Subiu de seis para oito o número de atletas de futebol que perderam a vida no naufrágio ocorrido na noite do último domingo (20), no distrito de Limpopo, província de Gaza, quando as vítimas, com idades de variam de 13 a 18 anos, regressavam de um jogo amigável na região de Mahelane.

De acordo com a administração marítima em Gaza, o acidente, resultante da superlotação e do mau tempo, envolveu uma pequena embarcação a remo, que transportava 23 ocupantes, incluindo o marinheiro.

Francisco Candina, comandante provincial do Serviço Nacional de Salvação Pública (SENSAP) em Gaza, disse ao @Verdade, telefonicamente, que “dois corpos foram encontrados” na terça-feira (22), totalizando oito com os seis resgatados no dia anterior.

Presume-se que, das 10 pessoas desaparecidas, duas pessoas continuam por localizar, pois nenhum parente apareceu a reclamá-las.

Todavia, as equipas não cessaram as buscas, pese embora as dúvidas que pairam sobre a existência ou não desses náufragos ainda por achar.

“Duas pessoas não estão a ser encontradas, mas os familiares não reclamam. isso deixa-nos preocupados porque os miúdos e os familiares residem perto ou do outro e conhecem-se”, disse Francisco Candina.

Na óptica do nosso interlocutor, é possível que o tripulante tenha se enganado na contagem das pessoas que transportava. “Era noite. Ele pode falhado na contabilização e as buscas continuam, mas já não são activas”, mas, sim, “passivas porque devemos considerar que pode haver alguém ainda desaparecido”.

As autoridades marítimas queixam-se, de maneira recorrente, da inobservância das normas de segurança por parte dos tripulantes mas a problema persiste sem soluções à vista no sentido de evitar a desgraça. Sobre este assunto, em Gaza, Francisco Candina não quis se alongar.

Entretanto, o seu tom de voz sugeria que a situação no terreno não é das melhores. “A regra diz que qualquer pessoa” que se faça transportar numa embarcação “deve possuir um colete salva-vidas”.

Num outro desenvolvimento, o nosso entrevistado recomendou que a nossa Reportagem devia questionar à administração marítima em que condições, por exemplo, se faz a travessia entre Mahelane e o posto administrativo de Zonguene. “Senão eu estaria a responder a uma pergunta que eles podem não gostar”.

Para Francisco Candina, é tarefa da administração marítima fiscalizar em que condições as pessoas são transportadas.

O dono da embarcação naufragada não é um operador de transporte marítimo. “É um pescador artesanal e sem colete salva-vidas. O barco tem capacidade para nove pessoas mas levou 23. E este número é elevadíssimo” para a capacidade da sua embarcação.

Segundo o comandante provincial do SENSAP em Gaza, o acidente aconteceu numa altura em que se sabe que “não se faz nenhuma travessia. Usa-se canoa a remo e não há iluminação”.

Cláudio Langa, porta-voz do Comando-Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), disse a jornalistas, na terça-feira (22), que logo após o naufrágio, o tripulante colocou-se em fuga, deixando as vítimas à sua própria sorte, mas não demorou ser detido.

A semana finda foi marcada por naufrágios mortíferos. Cláudio Langa disse ainda que uma pessoa morreu e outra foi regatada com vida, a 14 de Novembro em curso, em resultado de uma embarcação de pesca, transportando igual número de náufragos, ter afundado no bairro dos Pescadores, em Maputo.

O acidente deveu-se também ao mau tempo e ocorreu por volta das 15h30.

Em relação ao naufrágio ocorrido em Inhambane, na semana passada, a Polícia avançou que as vítimas, com idades compreendidas entre 17 e 19 anos, continuam desparecidas. O acidente resultou do mau tempo e as buscas prosseguem.

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