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Mais quatro mortos elevam para 84 vítimas da tragédia de Caphiridzange; PRM não sabe paradeiro do motorista do camião-tanque

Mais quatro mortos elevam para 84 vítimas da tragédia de Caphiridzange; PRM não sabe paradeiro do motorista do camião-tanque

Mais quatro cidadãos moçambicanos, feridos na explosão de um camião-tanque com gasolina na localidade de Caphiridzange, no Centro de Moçambique, na passada quinta-feira(17), perderam a vida elevando para 84 pessoas o número de vítimas mortais. A Polícia da República de Moçambique(PRM), sempre eficiente a deslindar crimes quando é para atribuir culpas ao partido Renamo, não conseguiu identificar os motoristas das duas viaturas, que agora se sabe terem estado envolvidas num roubo organizado do combustível, e até perdeu o rasto da cabine do camião que está no epicentro da tragédia.

O Luto Nacional de três dias terminou mas os óbitos continuam a ser registados entre os sobreviventes da tragédia de Caphiridzange, no distrito de Tete, na província de Tete. Entre segunda(21) e terça-feira(22) quatro cidadãos que estavam internados com queimaduras graves não resistiram e perderam a vida.

De acordo com a directora provincial de Saúde, a Dra. Carla Lazarus, citada pela Rádio Moçambique, entre últimas vítimas mortais está mais uma mulher grávida.

O balanço de pacientes é de 67, dos quais 30 são considerados em estado grave devido as queimaduras de segundo grau profundas e outros ainda têm queimaduras de terceiro grau em mais de 80 por cento do seu corpo, segundo as autoridades médicas do Hospital provincial de Tete.

Aparentemente o número de vítimas poderá subir pois a directora provincial de Saúde fez um apelo para a identificação de “pessoas que ainda não tenham se feito presentes às unidades sanitárias por forma a que toda a gente que foi afectada tenha observação e depois poderá decidir-se se é um caso para internar ou se é para tratamento ambulatório.”

Tragédia despoletada por roubo organizado de combustível

Continua no entanto por apurar a causa do incêndio que terá originado a explosão do tanque de combustível mas a edição desta terça-feira do jornal Notícias aclara que o camião de Mercedes-Benz deixou a sua rota para o Malawi não no dia da tragédia mas sim na véspera.

Albertino Guerra, um dos sobreviventes internado no Hospital Provincial de Tete, relatou que no final da tarde de quarta-feira(16) o camião da empresa malawiana Walkers, transportando dois tanques com gasolina acercou-se da localidade de Caphiridzange acompanhado por uma carrinha de marca Toyota Hino, de cabine branca, e que na carroçaria azul trazia vários recipientes de plástico vazios.

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Com recurso a uma moto-bomba o combustível começou a ser retirado de um dos tanques do camião até que, por conta de um curto circuito que não está claro onde e por que motivo aconteceu, teve início um incêndio no tanque e na carrinha.

Incapazes de debelar o fogo os envolvidos no roubo do combustível desengataram a cabine do camião dos tanques mas não conseguiram fugir do local pois a viatura imobilizou-se alguns a alguns metros do local. Já a carrinha que também ficou em chamas foi retirada do local, não se sabe como nem por quem, para parte incerta(não confundir com a parte incerta onde está o líder da Renamo)!

O jornal Notícias afirma que a carrinha para onde a gasolina foi inicialmente roubada é propriedade de um cidadão conhecido e residente na vila de Moatize, no bairro 12, e que exerce há bastante tempo a actividade de venda ambulante de combustível roubado.

“Começámos a retirar a gasolina por volta das 10 horas e às 16 horas esvaziamos o tanque todo. Nisto iam chegando mais pessoas. Para aumentar as quantidades de gasolina, resolveram atacar o reservatório que estava a arder. Quando os corajosos conseguiram abrir a boca do tanque, já em chamas, espalhou-se um jacto de fogo que atingiu toda a gente nas imediações. Vi o meu amigo a cair já com o corpo todo em chamas, o mesmo acontecendo com outras pessoas. Era impossível socorrermo-nos uns aos outros”, contou Albertino Guerra ao diário estatal.

Polícia desconhece venda ilegal de combustível em Tete

Mas a Polícia, através do seu Comando-Geral em Maputo, revelou desconhecer a prática de roubo e venda de combustível na província de Tete(que acontece também em várias outras regiões do País em plena luz do dia e nas bermas das estradas), “não sabíamos, é uma informação nova a juntar à investigação” declarou Cláudio Langa, o porta-voz da corporação nesta terça-feira(22).

A fonte declarou ainda que a PRM não conseguiu identificar, nem deter, os motoristas tanto do camião malawiano como da carrinha moçambicana. Mesmo a cabine do camião, que foi desengatada e esteve avariada no local da tragédia durante longas horas depois do primeiro incêndio acontecer, desapareceu misteriosamente e o Comando-Geral da PRM não tem dados de onde possa estar.

Entretanto o Conselho de Ministro estabeleceu em 15 dias o prazo para a a Comissão de Inquérito multisectorial que criou apurar as causas da explosão e encontrar os seus responsáveis.

E depois da tragédia o Governo de Tete, que ignorou durante mais de uma década o roubo e venda ilegal de combustível, pretende “tomar medidas” para acabar com os crimes.

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