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‘Ntho-ntho-ntho’: o outro mal amado!

Produzido e vendido em quintais e indiscriminadamente, o ‘ntho-ntho-ntho’ – bebida tradicional – mata os que a ele recorrem para “fintarem” a fome. Mas o caso da ‘Kandza Kaya”, do Infulene “A”, na Matola, é apenas um exemplo de que há compatriotas que já não sabem distinguir o bem do mal, a vida da morte!… Sentado debaixo duma frondosa mafureira e de olhos cerrados, o tio Tindjombo sorve, goela abaixo, o que ainda resta da sua terceira garrafa de ‘Ntho-nthontho’.

Ao abrir os olhos, berrou: “Mais uma!…” Sábado, 10h00! Enquanto da mão esquerda da Julieta, a dona da ‘Kandza Kaya”, Tindjombo arranca a encomenda, o tilintar dos cinco meticais em moedas metálicas caem na (mão) direita. Como Tindjombo, há outros que bebem mais do que precisam, até se tornarem escravos. Se um dia tiver de ser escrita, a triste biografia de Tindjombo – jovem de 29 anos de idade com aspecto de um sexagenário – o autor, certamente, limitar-seá no que a personagem resumiu, na primeira pessoa, ao @VERDADE, depois de um acordo resultante duma negociação de cavalheiros ocasionais: “Comecei com bebidas alcoólicas fracas como a cerveja ”.

Mas ele confessa que, tão cedo, se sentiu impelido a desejar alguma coisa mais forte: “ Passei ao vinho… mas, mais tarde, o vinho já não tempo afirmam que bebem a aguardente caseira porque lhes cai muito bem; que doenças não lhes chateiam. Ou, o mais incrível: “Não é preciso gastar muito dinheiro e é um bom e faz esquecer o azar e a pobreza”! Um negócio de duplo risco A tia Julieta – como é carinhosamente chamada a dona da ‘Kandza Kaya” já anteriormente mencionada – atesta que abraçou esse ramo da indústria caseira de bebidas depois de ver, sucessivamente, fracassadas inúmeras tentativas de viver de outras fontes consideradas decentes.

Será em 1998 que decide instalar a “Kandza Kaya” com que, desde lá, tenta sustentar a família e colocar os filhos na escola. Ninguém deve negar que, quando se faz um pequeno, médio ou grande investimento, se espera um lucro. Boa capitalista ou não, a fabricante de ‘ntho-nthontho’ sempre enxerga nesta bebida uma fonte para manter acesa a chama da vida. Mas é no reverso deste negócio que se esconde uma tragédia: muitos dos seus clientes já morreram, supostamente por excesso de dosagem e/ou mal nutrição: “ Muitos bebem sem comer”, acusa Julieta, atestando que, por causa disso, muitos já morreram nas suas mãos.

“ Já enterrei muitos”, confessa. Mesmo assim, acompanhando tios ou avôs, muitos jovens acabam ganhando o gosto pelo ‘ntho-ntho-ntho’. Julieta reclama, também, que é desde 1998 que não sabe o que é ter sequer um minuto de sossego na sua própria casa. Sem outra alternativa, diz que tenta suportar as constantes intrusões e rixas dos seus fregueses, numa prova de cumprimento à risca do velho adágio popular, segundo o qual “um pobre nunca se zanga”

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