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Nobel de Física premia três “mestres da luz”

O Prêmio Nobel de Física de 2009 foi atribuído na terça-feira a três “mestres da luz” anglo-saxões, o britânico-americano Charles Kao, o canadense Williard Boyle e o americano George E. Smith. Kao, que tem nacionalidade britânica, mas vive em Hong Kong, foi premiado pelo “avanço no campo da transmissão da luz através das fibras para a comunicação ótica”, afirma o comitê Nobel.

Boyle e Smith foram premiados pela “invenção de um circuito semi conductor de imagens, o sensor CCD”, completa o comunicado do comitê. O Comitê Nobel qualificou os três cientistas de “mestres da luz”, porque seus trabalhos permitiram “a criação de muitas inovações práticas para a vida cotidiana e forneceram novas ferramentas para a exploração científica”. “As descobertas de Kao abriram o caminho para a tecnologia da fibra ótica que se utiliza hoje em quase todas as comunicações telefônicas e de transmissão de dados”, segundo o comitê.

Quatro anos depois de seus cálculos, em 1970, foi fabricada a primeira fibra ótica. “Hoje, se tentássemos desdobrar todas as fibras óticas do globo, teríamos um só cabo de mais de um bilhão de quilômetros – seria possível dar a volta no planeta mais de 25.000 vezes – e este número aumenta a cada hora em milhares de quilômetros”, destaca o Comitê Nobel. Já Boyle e Smith “inventaram um sensor/captor de imagens digitais, o CCD (charge-coupled device) que hoje em dia se transformou em um olho eletrônico para ser utilizado em todas as áreas da fotografia”, acrescenta o comunicado. Boyle, 85 anos, manifestou por videoconferência aos jornalistas em Estocolmo sua surpresa ao saber da premiação.

“É realmente emocionante, mas é real? Ainda não tomei minha xícara de café da manhã”, afirmou. Segundo ele, a invenção do CCD está na origem do desenvolvimento das centenas de milhões de câmeras digitais vendidas nos últimos anos em todo o mundo. “Eu me vejo todos os dias quando dou um passeio e vejo todas estas pessoas utilizando estes pequenos aparelhos de fotos digitais”, explicou em uma mensagem enviado ao Comitê Nobel pouco depois do anúncio dos premiados. “Apesar de não serem exatamente CCD, estão na origem. Assim, acredito que nós somos os que estão na origem da profusão destas pequenas câmeras utilizadas em todo mundo”.

No ano passado, o prêmio de Física foi atribuído a um americano, Yoichiro Nambu, e a dois japoneses, Makoto Kobayashi e Toshihide Maskawa, por suas descobertas separadas sobre a física das partículas que explicam anomalias em conceitos vinculados à origem do universo com o “Big Bang”, há 14 bilhões de anos. Em cada categoria, o Prêmio Nobel é acompanhado de uma recompensa de 10 milhões de coroas suecas (1.434.000 dólares), dividida entre os vencedores.

A temporada do Nobel começou na segunda-feira com atribuição do prêmio de Medicina a um trio de americanos, Elizabeth Blackburn, que também tem cidadania australiana, Carol Greider e Jack Szostak, pelos trabalhos sobre os telômeros e a enzima telomerase que protege as células do envelhecimento. Na quarta-feira será anunciado o prêmio de Química, um dia depois o de Literatura, na sexta-feira o Nobel da Paz e no início da próxima semana o de Economia. O Prêmio Nobel, criado pelo industrial sueco Alfred Nobel, foi concedido pela primeira vez em 1901. Nobel, o inventor da dinamite, morreu sem deixar descendentes em 1886, e destinou sua vasta fortuna a criar prêmios para aqueles que tenham contribuído para o gênero humano, segundo seu testamento.

 

Lista dos premiados com o Nobel de Física nos últimos 10 anos:

2009: Charles Kao (Estados Unidos/Grã-Bretanha), Willard Boyle (Estados Unidos/Canadá), George Smith (Estados Unidos)

2008: Yoichiro Nambu (Estados Unidos), Makoto Kobayashi e Toshihide Maskawa (Japão)

2007: Albert Fert (França) e Peter Grünberg (Alemanha)

2006: John C. Mather (Estados Unidos) e George F. Smoot (Estados Unidos)

2005: Roy J. Glauber (Estados Unidos), John L. Hall (Estados Unidos) e Theodor W. Hänsch (Alemanha)

2004: David J. Gross, H. David Politzer e Frank Wilczek (Estados Unidos)

2003: Alexei A. Abrikosov (Rússia/Estados Unidis), Vitaly Ginzburg (Rússia) e Antony J. Leggett (Grã-Bretanha/Estados Unidos)

2002: Raymond Davis Jr (Estados Unidos), Masatoshi Koshiba (Japão) e Riccardo Giacconi (Estados Unidos)

2001: Eric Cornell (Estados Unidos), Wolfgang Ketterle (Alemanha) e Carl Wieman (Estados Unidos)

2000: Jaurés Alferov (Rússia), Herbert Kroemer (Alemanha) e Jack Kilby (Estados Unidos)

1999: Gerardus’t Hooft (Holanda) e Martinus Veltman (Holanda)

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