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“Não sinto nenhuma hostilidade na direcção executiva dos CFM”

O director executivo dos CFM – Centro, Cândido Jone, concedeu, quinta-feira, a primeira recepção ao Jornal O Autarca, num ambiente cordial. Foi uma recepção cuja preparação levou pelo menos dois dias, com a intervenção de algumas personalidades ligadas ao próprio CFM e outras alheias a empresa, mas que revelaram interesse para que tal tivesse de acontecer.

A conversa durou por aí uns vinte a trinta minutos, mas permitiu o executivo regional dos CFM abordar as questões primárias em volta do ambiente na empresa, sem que para tal fosse necessário colocar-lhe alguma pergunta. No final da sua explanação colocamos duas questões.

A primeira foi se sentia algum ambiente de hostilidade na empresa, tendo apressadamente sossegado que “não sinto nenhuma hostilidade na direcção executiva dos CFM. O ambiente é são”.

A seguir afirmou no entanto “não restam dúvidas numa empresa tão grande como esta poderá haver um ou dois (trabalhadores) que não estejam satisfeitos, mas duma maneira geral não há até agora, já estou aqui na direcção executiva a um ano e alguns meses, ainda não vi nem sinto qualquer hostilidade”.

O executivo afirmou ainda em torno da mesma questão “temos trabalhado todos duma forma unida e compartilhamos os problemas da empresa. Temos discutido e temos tido encontros regulares, portanto não há nenhuma hostilidade”.

Todavia, repetiu que a empresa é grande, para justificar que não pode faltar um ou dois trabalhadores que tem as suas ambições, que não estejam satisfeitas. “É normal uma situação dessas” – concluiu.

A segunda e última questão que colocamos é se teria se sentido abalado com as revelações postas no jornal, tendo afirmado categoricamente que não.

“Acredita lá eu não… Eu lia todos os dias, porque mandavam-me de Maputo. Senti de que talvez a fonte que dava essas informações deve ter seus problemas”.

Acrescentou referindo os companheiros que conseguiram ler esses jornais também vinham lhe perguntar o que se passa, o que essas pessoas querem.

“Essas são as perguntas que me faziam e a minha resposta foi também eu não sei. Mas a verdade é que eu pessoalmente sinto-me tranquilo porque neste assunto particular que é o encalhamento do navio não tem lá a mão do director. Não é porque há falta de gestão. Não é porque não sabe o que se está a passar no terreno.

Sabemos perfeitamente o que se passa no terreno mas há algumas pequenas coisas que nos escapam, que nem esse caso, nomeou- se aquele piloto mas o director não está lá… está lá o chefe dos pilotos com os seus pilotos… então se há uma anomalia é lá onde os pilotos, conscientes da importância da segurança do porto da Beira deviam imediatamente ter denunciado, que nomea-se aqui um piloto que não está habilitado para poder pilotar um navio desse género.

Portanto, não me senti abalado porque é um caso que está totalmente fora do meu control”. Serviços marítimos são problemáticos Na sua dissertação inicial, o director executivo dos CFM – Centro, Cândido Jone, deixou claro que há problemas nos serviços marítimos, mas disse que também não sabia afirmar porque dessa situação.

Disse mesmo antes da sua nomeação para executivo dos CFM Centro esses problemas já existiam. “São problemas que até já tem barbas brancas”. Referiu, por outro lado, o porto da Beira é complexo e que não se tratava do primeiro encalhamento.

“Já houveram tantos encalhamentos e inclusive com pilotos séniores, com os próprios chefes de pilotos. Portanto é um serviço que é preciso estar em cima e o sucedido agora dá-nos mais força para estarmos mais perto da situação”.

Quanto ao chefe dos pilotos ora suspenso, Cândido Jone disse que prossegue o trabalho da comissão de inquérito que deve estar concluído ainda no decurso desta semana.

Disse que a investigação em curso visa somente apurar o grau de culpabilidade e havendo matéria para procedimento disciplinar imediatamente será nomeado o instrutor. “O Manico está suspenso porque é grave o que aconteceu. Ele vai apanhar pela sua atitude. ” – adiantou.

Jone confirmou igualmente um outro piloto sénior que o identificou por Bambo também está a ser investigado, por ter violado procedimentos internos ao denunciar o caso Songa Crystal ao conselho de administração da empresa desrespeitando a hierarquia interna.

Também falou de suspeitas ao mesmo piloto de ser o responsável por espalhar a informação ao O Autarca, alegando que o conteúdo da mensagem que enviou ao conselho de administração assemelha-se as matérias que foram veiculadas pelo jornal.

Mostrounos depois a mensagem que dizia: “Navio tanque encalhado no canal com aprendiz de pilotagem de nome Pivó mandado pelo chefe de pilotos Sr. Manico”.

“Isso cham-se cobardia, por-que o Bambo podia ter prevenido o sucedido alertando ao chefe dos serviços marítimos ou mesmo a mim” – afirmou.

Jone referiu que há vingança entre o Manico e o Bambo e que as guerrinhas entre os dois já tem barbas brancas. “Um porque diz que é chefe por isso quem manda é ele e outro acha- se superior. O problema dos dois é conhecido a bastante tempo”.

Desculpas ao O Autarca Na parte final do seu depoimento, o director executivo dos CFM – Centro, Cândido Jone, referiu-se ao primeiro contacto estabelecido com O Autarca via telefone, cujo conteúdo foi veiculado na edição de ante-ontem.

“Foi uma opinião, não é que pretendi ser agressivo para com o jornal. Se acham que insultei o jornal peço desculpas por essa atitude, mas não era minha intenção ofender o jornal, foi simplesmente minha opinião”.

Prometeu doravante vai cooperar com o jornal, afirmando disponível a atender sempre que o jornal o solicitar para esclarecimento de casos que forem se dar na sua empresa.

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