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Música ao serviço da harmonia do povo

Quando o guitarrista moçambicano Regino Matimbe produz música – associando diversos instrumentos por si utilizados – ninguém resiste ao impacto dos resultados. Os trabalhos que faz com artistas moçambicanos e estrangeiros comprovam a sua excelência.

Regino Matimbe nasceu na província de Maputo, em 1986. No entanto, como qualquer bairro suburbano, no vale de Infulene, onde vive, as pessoas enfrentam inúmeras dificuldades sociais. É contra elas que a acção artístico-musical do guitarrista pretende impor-se. “Há que encontrar soluções para harmonizar as pessoas – a música pode ser uma delas”, afirma.

Na verdade, Regino Matimbe possui um talento reconhecido. Por isso, no seu bairro, foi escolhido pelos líderes da Igreja Assembleia de Deus para ensinar aos crentes o uso da guitarra.

Origem do guitarrista

Na sua infância, Regino Matimbe costumava acompanhar o seu tio que – a par dos seus amigos – tocava guitarra no pátio da casa. Acredita-se que a partir daí tenha nascido a vontade de tocar o instrumento.

Em 1998, quando possuía 12 anos de idade, Regino Matimbe fabrica a sua viola de lata para dar os seus primeiros passos como guitarrista. Dois anos depois, movido pela necessidade de estudar, passa a viver na vila de Matutuine. Com o apoio de um dos seus professores, que tocava guitarra, o aluno aprimora a sua relação com o instrumento.

A partir de 2000, com uma relação mais íntima com a referida ferramenta de música, Matimbe procura – a todo o custo – materializar os seus sonhos: quer que a música seja aplicada como um instrumento de educação da sociedade. Houve um momento em que a relação do artista com a guitarra era doentia.

Tornou-se um vício. Ou seja, épocas houve em que se sentiu impelido a interromper os estudos porque não conseguia conciliar ambas as actividades. Refira-se, então, que tal atrevimento não foi de todo negativo. O seu desempenho criou-lhe condições para participar em concertos com artistas e bandas de nomeada. Personalidades como Chico António, Filipe Nhassavele, o brasileiro Fábio Costa, a banda sueca Iking, e outras norte-americanas com os quais trabalhou são alguns exemplos.

Com emoção, Regino Matimbe recorda-se de que a sua actuação marcante – aquela em que sentiu que, como artista, é valorizado – foi a protagonizada com a banda norte-americana Matuto, na cidade de Maputo. Em resultado da sua performance, o artista tornou-se membro da banda Uchene com a qual participa em diversos festivais de música.

Ignorar o emprego

“Sinto que nasci para a música” – refere o artista que ignorou as oportunidades de emprego noutros sectores diferente do artístico, ao mesmo tempo que explica que “não consigo viver sem ela”. Aliás, “a música e a guitarra completam-me e concretizam todos os meus desejos e imaginações do meu ego”.

Ainda que determinadas pessoas desvalorizem a sua opção, Regino não desiste. Para si, a música é um instrumento de socialização e promoção da harmonia social entre pessoas de diferentes origens e orientações. De acordo com o guitarrista, a falta de harmonia entre as pessoas – mesmo em Moçambique – retarda o desenvolvimento humano e social, porque “cada pessoa luta de forma isolada a fim de alcançar objectivos egoístas”.

Na sua música, Regino explora o género Afro-Jazz. As suas razões, para o efeito, são inúmeras: “é preciso sublimar as nossas raízes e a nossa identidade. Porque elas, na música mundial, têm uma grande expressão”. Até porque “nas minhas composições misturo o Afro-Jazz, com outros ritmos como o Muthimba, a Marrabenta, a Rumba, o Funk, entre outros”, refere.

Falta de dinheiro retarda o disco

Regino Matimbe já possui um conjunto de 13 músicas gravadas. Ele explora diversos temas, incluindo os bíblicos, a fim de promover a harmonia social e a solidariedade. Nas suas melodias estão incorporadas composições que apelam aos ouvintes da música para a necessidade de reflectir em volta da realidade, procurando soluções e mecanismos para transformá-la.

Segundo Regino, o facto de o Afro-Jazz e a música Gospel que explora não serem muito apreciados pelos jovens limita as suas pretensões. Preocupa-lhe que a maior parte dos consumidores da sua música seja constituída por estrangeiros. É como se os moçambicanos não tivessem a consciência da essência que tais géneros possuem.

Enquanto as possibilidades de acesso ao dinheiro – para a publicação do seu primeiro trabalho discográfico – não se criarem, o guitarrista planeia criar uma banda de música Gospel. Porque, para si, não há barreiras intransponíveis, “a minha principal missão é elevar a minha música para que tenha uma dimensão internacional e seja consumida no mundo”.

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