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Município abandona obras de construção de mercados para a comercialização de peixe em Nampula

Comprar produtos pesqueiros nos principais bazares da cidade de Nampula continua a ser um autêntico atentado à saúde pública devido às condições deploráveis em que são comercializados. O problema parece não ter uma solução à vista porque a edilidade abandonou as obras de construção dos mercados Carrupeia e Muhala-Belenenses, destinados à venda de peixe. Actualmente servem para comercializar um pouco de tudo. No local, a imundice é evidente: o peixe fresco, a lula, o camarão, dentre outros mariscos, são vendidos em bancas improvisadas e até mesmo no chão.

Nos outros mercados da cidade de Nampula, onde também se vende produtos pesqueiros frescos em grandes quantidades, com os quais se abastece vários estabelecimentos comerciais e famílias da província mais populosa de Moçambique, a nossa Reportagem constatou uma falta gritante de condições básicas de higiene que possam atrair a clientela. Todavia, há compradores para tudo.

Enquanto isso, o sistema de frio instalado para a conservação do pescado está obsoleto e funciona com muitas dificuldades, o que faz com que os produtos estejam propensos à deterioração.

No mercado do Muhala-Belenenses, por exemplo, uma das formas encontradas para evitar as perdas resultantes do apodrecimento do peixe é colocá-lo em recipientes como coleman e baldes com cubos de gelo. Contudo, esta medida é paliativa porque os negociantes exercem as suas actividades expostos ao sol.

Nas imediações do referido mercado – que acolhe em média cerca de 350 vendedores por dia – o fecalismo a céu aberto, uma prática imputada às populações circunvizinhas, é uma realidade. Mamudo Ussumane, um dos comerciantes de peixe no local, afirmou que faz este trabalho há mais de uma década. Segundo as suas palavras, as condições em que os mariscos têm sido vendidos são realmente deploráveis, mas não existe, neste momento, outra opção senão esperar até que melhores dias cheguem.

“Não temos alternativa, a maior parte dos vendedores de peixe foram transferidos do mercado Belenenses (outro bazar com o mesmo nome) para este local, mas sem o município criar primeiro condições para o negócio, principalmente dos nossos produtos. Os outros comerciantes foram para o mercado de Carrupeia edificado apenas para a venda de pescado mas não é o que está a acontecer.

Na altura prometeu-se construir bancas melhoradas, armazéns, frigoríficos, dentre outras infra-estruturas, mas nada disto foi concretizado até agora. Entretanto, não podemos parar porque dependemos deste negócio para sobreviver. Os chefes dos mercados deviam fazer alguma coisa para resolver estes problemas porque pagamos as taxas diárias”, afirmou a nossa fonte.

Ussumane acrescentou que no fim do dia, os negociantes recorrem às câmaras frigoríficas de um cidadão que opera no antigo mercado dos Belenenses para conservar os seus produtos. Para o efeito, precisam de percorrer um quilómetro e ainda pagar cinco meticais por cada quilograma de marisco acondicionado por dia.

No mercado dos Muhala-Belenenses, em Nampula, há dois pavilhões que somente servem para expor de peixe seco e outros produtos que não sejam frescos. Todavia, esta restrição está a criar um mal-estar nos vendedores. Estes mostraram-se ainda agastados como o facto de o alpendre construído para a comercialização do peixe se encontrar danificado e a precisar de uma reconstrução urgente.

Um mercado do peixe sem frigoríficos

O Mercado do Peixe, localizado no bairro de Carrupeia, arredores da cidade de Nampula, ostenta melhores condições para a prática da actividade comercial em relação ao do Muhala-Belenenses, apesar de ter sido erguido com base em material de baixo custo. A inquietação dos utentes tem a ver com a ausência de armazéns e câmaras frigoríficas para a conservação de produtos.

O @Verdade apurou que os vendedores de mariscos recorrem aos congeladores das populações que residem nas imediações do mercado, mediante uma taxa diária de 10 meticais e comparticipação na compra de energia eléctrica. Devido a estas e outras despesas, os preços praticados na venda do peixe têm sido proibitivos como forma de compensar os custos.

O projecto encalhado

Em 2008, o Conselho Municipal da Cidade de Nampula, em pareceria com o Projecto de Pesca Artesanal, iniciou a construção de dois mercados de peixe nos bairros de Carrupeia e Muhala- -Belenenses. Entretanto, as obras não foram concluídas e não há uma justificação plausível sobre a sua paralisação. O empreiteiro era a empresa Construções Ribeiro. A nível da edilidade ninguém quer se pronunciar sobre este assunto.

Armando Naímo, chefe do mercado dos Belenenses, um dos estabelecimentos comerciais de peixe de referência na cidade de Nampula, disse ao @Verdade que o projecto ora interrompido previa também a edificação de seis armazéns, dos quais uma parte equipada com os respectivos frigoríficos. “O empreiteiro abandonou a obra por incapacidade, mas o caso foi remetido a tribunal para que possa ser responsabilizado, segundo a última informação que tive da edilidade.”

A nossa fonte acrescentou que, para além dos seis armazéns cujas obras ainda não foram concluídas, há um plano de edificação de uma fábrica de gelo para assegurar a conservação do pescado no local. Naímo reconheceu que as condições em que o mercado se encontra são deploráveis mas minimiza tal facto, alegando que serão ultrapassadas logo que as obras – em curso – de construção de cinco novos pavilhões estiverem concluídas. O financiamento é da União Europeia.

Refira-se que uma quantidade considerável do peixe vendido nos mercados da cidade da província mais populosa do país provém dos distritos costeiros da Ilha de Moçambique, Mossuril, Memba, Nacala-Porto, Moma, Angoche, dentre outros.

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