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Multiplicam-se crimes passionais na província de Manica

O número de mortes por crimes passionais cresceu nos últimos dois anos na província de Manica, Centro de Moçambique, o que está a preocupar a Polícia. Estatísticas do comando da Polícia de Manica indicam que, em 2013, foram registados 57 homicídios qualificados, por ciúmes e acusações de feitiçaria, quatro a mais do que no período homólogo de 2012.

Cerca de um quarto de todos os casos foram praticados na capital, Chimoio. “Preocupa-nos sobremaneira, primeiro, o recrudescimento dos casos de homicídios, mas também o facto de se estar a fazer justiça pelas próprias mãos, razão pela qual nas nossas reuniões com a comunidade temos apelado à população a não recorrer a este tipo de actos”, disse Vasco Matusse, porta-voz da Polícia em Manica.

Depois da cidade de Chimoio (com 12 casos), o distrito de Sussundenga segue na lista, com 10 mortes. Gondola e Machaze tiveram sete homicídios cada, e os restantes 21 casos foram distribuídos em mais seis distritos.

“O crescimento de homicídios qualificados significa que a população ainda não acatou os apelos da Polícia para travar a justiça com as suas próprias mãos. No entanto, nós temos estado a instar a população no sentido de recorrer às instituições de administração da justiça, preparadas para resolverem casos dessa natureza”, explicou Vasco Matusse.

Segundo a Polícia, em Sussundenga, um homem, de 35 anos, matou a mulher com vários golpes na cabeça depois de uma desconfiança de traição. Um outro homem, de 44 anos, agrediu fisicamente a mulher até à morte em Machaze, supostamente dias depois de a esposa ter entrado em “greve de sexo”.

Ainda em Machaze, um jovem de 29 anos matou o pai a murros, alegadamente porque o progenitor impedia o seu desenvolvimento, familiar e económico, com recurso à feitiçaria.

“Não existe um estudo para avançar se há razões de natureza étnica implicadas no facto de estes distritos estarem no topo histórico em homicídios ligados a casos passionais e justiça pelas próprias mãos”, precisou Vasco Matusse, admitindo a necessidade de uma análise etnológica e criminal nas regiões mais afectadas por este tipo de crime.

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