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Mulheres: queremos ser iguais ou diferentes?

Disseram-me para falar sobre as mulheres. Podia até falar de coisas do tipo a violência sexual, as relações homens e mulheres, mas prefiro falar sobre o que nos vai na mente e no coração, como mulheres. Fiz um sorteio das expressões populares que mais me fascinam, pelos pressupostos que as geram, e desta saiu a “eu também quero”. Eu quero um cabelo igual, uma saia igual, um carro igual…queremos sempre o que a outra tem, e o que é das outras é sempre mais bonito.

Por mais que uma mulher se esforce para estar mais bem apresentada em termos físicos, emocionais e sociais de modo a atrair, ou garantir a manutenção de uma relação com um homem, mesmo assim – e de forma generalizada – este esforço continua a ser EM RELAÇÃO A OUTRAS MULHERES.

Ou não? Afinal de contas é, muitas vezes, precisamente para que este parceiro olhe apenas para ela e não para outras mulheres. Concordam? Talvez sim, talvez não. Há estudiosos que acreditam que o “eu também quero roupas bonitas, sapatos chique” seja um fenómeno mais complexo, relacionado com a construção social da identidade feminina.

Dizem eles que pelo facto de as mulheres terem sido remetidas a posições de inferioridade nas sociedades elas, de forma inconsciente ou consciente, transmitem de geração em geração o conformismo com os costumes e “o que fica bem”.

Por isso, embora as mulheres julguem que a conquista constante de bens materiais as conduza ao individualismo e à independência, no fundo os meios que utilizam não garantem isto.

Afinal de contas, o próprio processo de subjugação do corpo, e da pessoa no geral, a uma relação onde raramente se tem poder de negociar os direitos (negociação do sexo seguro para evitar a gravidez e/ou infecções sexualmente transmitidas), não implica necessariamente que o resultado seja a conquista da independência.

Vejam bem: se eu preciso de um homem com dinheiro para sustentar as minhas necessidades e caprichos que, na minha crença, vão levar-me à independência financeira, este mesmo homem poderá impor condições de relacionamento, incluindo a não utilização do preservativo, porque se ele paga tem direito a escolher o menu! Mais ainda, quando e como é que eventualmente poderei adquirir a euforia, e livrar-me deste como fonte de rendimento?

Eu garanto que estas perguntas não têm o propósito de julgar quem assim escolhe viver; são apenas questões que até eu mesma me coloco. Acredito eu que qualquer escolha não pode estar isenta de uma reflexão a priori ou durante a acção. Todavia, nestas coisas de “eu também quero” ou “eu também não quero” é importante também olhar para o lado positivo.

A expressão popular “Não é preciso Inventar a Roda” refere-se precisamente ao facto de que se algo já foi inventado, e funciona bem, talvez seja um desperdício tentar inventar qualquer outra coisa que substitua a primeira. Mas será que temos que usar todas rodas exactamente iguais? Se assim fosse, não seria lógico que houvesse apenas uma grande empresa de produção de pneus? Quando perguntei a algumas amigas o que achavam deste tema, elas disseram que tinham dois pontos de vista:

por um lado, achavam que era bom que as pessoas usassem umas às outras como referência para o seu próprio crescimento mas, por outro, achavam que o processo de criação de uma identidade individual e única não se deveria desenrolar numa simples cópia exacta, sem originalidade e muitas vezes conquistada através de comportamentos de risco como a fraude, o furto, e mesmo o risco das transacções sexo-monetárias.

No contexto de uma sociedade global capitalista, a moda é utilizada como um elemento fundamental de manutenção da identidade artificial, postiça, onde com cabelos iguais, roupas iguais e gostos iguais, a individualidade de cada pessoa é alienada, sendo estas (frequentemente) incapazes de, por si mesmas, esculpir a sua personalidade e carácter.

Agora, mais uma vez, peço que não pensem que estou a identificar uma patologia e, como consequência, também uma receita médica. Seria uma presunção do meu lado, e se me encontrassem alguma vez numa loja, a comprar uma roupa igual à da minha melhor amiga, haveriam de pensar que estou a ser hipócrita. Apenas pretendo, com este artigo, trazer estes pontos para reflexão.

Sendo assim, e porque não estou isenta desta análise dado o meu sexo, eu diria que o individualismo extremo, onde não se compartilham formas de estar e de ser generalizadas, principalmente no que se refere aos valores sociais, penso não ser a solução.

Entretanto, apelo a mim mesma e a todos nós, que mantenhamos uma atitude de originalidade e inovação positiva. Com isto eu quero dizer que irei continuamente explorar dentro de mim e à minha volta meios (não necessariamente materiais) com os quais posso criar e recriar o meu mundo, e a minha pessoa; mas também, não terei medo de, através das ideias das outras mulheres (e homens), inovar (e não simplesmente imitar) o meu estilo de vida.

Por mais inacreditável que soe, a nossa beleza vem TODA ELA de dentro de nós. Os enfeites servem apenas como acessórios para realçar algo que já existe e que nos evidencia como únicos. Não há e nem deve haver ninguém como tu!

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