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“More Fire” na Suazilândia

“More Fire” na Suazilândia

Foi um dos festivais mais desejados pela África Austral. Moçambique, Lesoto, África do Sul, Zimbabué, e a própria Suazilândia compareceram em massa ao “BushFire 2010”. A multidão que invadiu o espaço era diferente, mas com uma vontade comum.

Entregar-se à música e dança. Mingas, FreshlyGround, Coleman Barks, Lira, Ringo, The Parlotones e Bholoja foram alguns dos muitos artistas que passaram pelo palco – que era principal para todos. E assim começou o show! Eram sete horas da manhã, de sábado, quando nos encontrámos em Maputo rumo à “Suazi”.

Pelo caminho parámos em Boane, onde – na estrada – ia aumentando o movimento de carros. Uns já tinham antecipado a festa, na sexta-feira. Outros começaram ali, durante da viagem. A passagem para a Suazilândia foi rápida e até os profissionais da fronteira estavam sorridentes. Respeitámos todas a regras de trânsito e chegámos ao “House on Fire”, o espaço que acolheu o “BushFire 2010”, antes das 12h.

Apesar de termos chegado já no segundo dia do festival, sentiu-se que essa noite ia aquecer, e que nem o frio que fazia no Reino iria alterar os três dias do Bushfire Festival, que começou na sexta-feira. Nessa manhã ainda procurámos um sítio para ficar e lá encontrámos o “Swaziland Backpackers”, a quatro quilómetros. Voltámos ao recinto que, à entrada, começava a encher. Muitos festivaleiros compraram os bilhetes ‘online’ ou – no caso de Moçambique – no Centro Cultural Franco-Moçambicano.

Mas os mais clássicos decidiram adquirir as entradas “lá mesmo”, avançou Sofia uma das festivaleiras. Depois da contagem dos rands – R200 por pessoa, no local – entrámos noutra dimensão. O “House on Fire” parecia um jardim que alberga numerosas famílias e grupos de amigos que ao fim-de-semana escolhem as tardes para conviver ao ar livre. Por todo o espaço assistimos a performances de música tradicional, contemporânea, clássica, religiosa, além de um mix de sons que sabia a África. A gastronomia também fez parte do cardápio e várias foram as escolhas de sabor e saberes que estavam à disposição.

Desde a famosa galinha assada, aos caris carregados de piri-piri, bem como as pipocas que alegravam as crianças. Conhecida por ser uma das referências do artesanato da Região, a Suazilândia fezse representar através dos variados estaminés* que se transformaram numa mini-feira, onde pudemos escolher e comprar roupa, bijutaria, cachecóis, peças de decoração e um mundo de objetos coloridos à nossa disposição.

De destacar que Moçambique esteve presente através da “banquinha” da OWAMI- Moda em Movimento onde encontrámos peças dos moçambicanos Moztyle, VioMin, Woogui, Sawa-Sawa, Verd´Agua e Afrik. De acordo com uma das representantes, Wacelia Zacarias, este espaço “vendeu muito bem e superou as expectativas”. E a noite ia caindo enquanto voltávamos ao ‘backpackers’ onde nos preparámos para o ‘line up’.

De regresso encontrámos várias centenas de carros estacionados de forma ordenada, uma antevisão do clima que se vivia. Lá dentro já ecoava a voz de Zolani Mahola, vocalista dos sul-africanos “FreshlyGround”. Dançámos até não poder mais. Outro momento alto da noite foi o ‘house music’ de Lira – a menina da igreja, que enfeitiçou a plateia – onde o “women power estava na linha da frente – com quem interagia de forma calorosa e cumplíce. Mais uma vez, tal como fez no seu concerto no “Big Brother” em Maputo, mostrou que está atenta a cada sinal do seu público.

Enquanto uns assistiam aos concertos o ‘underground’ ia começando nas duas pistas de dança escolhidas a rigor. Se por um lado dançávamos ao ritmo de ‘hard house’ num castelo de fadas improvisado, por outro desciamos à arena e mergulhávamos no ‘deep house’ numa selecção musical alternativa. A organização assegurou que o festival tinha ultrapassado as 15 mil pessoas, em três dias.

NA PRIMEIRA PESSOA

João Costa, 37 anos contounos a sua experiência neste festival “O Bushfire é o Festival da Swazi e um dos principais na SADC. Fiquei impressionado não só pela localização (House on Fire), mas também pela estrutura e organização organização: limpeza quase a rigor, instalações sanitárias incluídas; bom cardápio musical, bons preços; boas acessibilidades e parking, segurança presente, mas não imponente, público exemplar, ‘crew’ e demais funcionários bem calibrados. Não assisti a qualquer desacato entre quem quer que seja.

Estive presente na noite de Sexta-feira e no dia e noite de Sábado. Descobri novos sons de geografias até então pouco referenciadas nos meus anais musicais como “The Parlotones”, “FreshlyGround” e “Lira” (o melhor do BushFire). Estas três performances têm toda a força e qualidade de singrarem em qualquer local em todo o globo terrestre. “The Silent Conductor” no final da manhã de Sábado foi das melhores interacções musicais que já experimentei nos meus quase 37 anos de vida.

Felizmente nos dois dias em que fui não choveu. O que me deixou a reflectir se não deveriam antecipar a data das próximas edições, por exemplo, em um mês. Percebo que queiram atrair pessoas ao país na época baixa (Inverno), mas as noites são demasiado frias na Swazi para receber um festival ao ar livre. Experiência a repetir no próximo ano!”

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