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Moçambola 2014: Locomotiva descarrila no “ninho do canário”

Moçambola 2014: Locomotiva descarrila no “ninho do canário”

Em partida da sexta jornada, o Ferroviário de Nampula averbou a primeira derrota desde o pontapé de saída da presente edição do Campeonato Nacional do Futebol, o Moçambola. Na primeira deslocação à cidade de Maputo, a locomotiva perdeu por 1 a 0 mas, mesmo assim, mantém-se no topo da tabela classificativa mercê do empate do Maxaquene em Quelimane.

Neste confronto que teve lugar no campo do Costa do Sol, na capital moçambicana, os dois conjuntos entraram bastante tímidos, esperando sempre pela acção ofensiva do adversário. Ou seja, nos primeiros cinco minutos assistiu-se a uma partida de futebol fechada, em que ficou manifesta a intenção de estudar a táctica do adversário por parte dos dois técnicos.

Findo este período de reconhecimento, o Costa do Sol protagonizou a primeira acção de perigo à passagem do sétimo minuto, através de um remate de Chimango que passou por cima da baliza. A resposta dos líderes surgiria três minutos depois, mercê de um erro do guarda-redes Gervásio que, ao abandonar tardiamente os postes para cortar um cruzamento, viu Vivaldo rematar contra o seu corpo, tendo a bola saído pela linha do fundo.

No lance a seguir, os canarinhos abriram o marcador, dando a entender que, até ao minuto 90, o público seria brindado com um verdadeiro espectáculo de futebol. Num lance aparentemente inofensivo, Dito cruzou a bola para o interior da grande área e o guarda- redes Germano escorregou, quando se atirava a ela, surgindo o avançado Chiukepo a cabecear para o fundo das malhas.

O Ferroviário de Nampula não mudou de postura e continuou a jogar abertamente ao ataque, apesar da fraca capacidade técnica demonstrada pelos dois extremos, Massaua e Skaba, que não souberam tirar proveito das facilidades dadas pelos laterais canarinhos, que sempre imploravam a intervenção dos médios defensivos escalados por Garrincha, neste caso Alvarito e Chimango.

A turma canarinha, por sua vez, não fugiu do seu habitual estilo de jogo de construir as jogadas ofensivas a partir das alas, de modo a tirar vantagem dos cruzamentos para o centro da grande área. À passagem do vigésimo minuto, Dondo testou os reflexos de Gervásio através de um livre directo, rematando para uma defesa espectacular do guarda-redes.

O bom estado de forma de Chiukepo, naquela tarde, confirmou-se no minuto 24, quando o avançado disparou contra o poste direito de Germano, na recarga de um remate desferido por David e defendido pelo guardião das redes da locomotiva. Desperdiçada mais uma oportunidade de golo, até ao intervalo o público assistiu a um jogo táctico e equilibrado, mas que não foi capaz de criar perigo para os dois guarda-redes.

Substituições que estragaram o espectáculo

Quando arrancou a etapa conclusiva e, contrariamente ao que esperávamos, os dois treinadores foram responsáveis por tornar monótono algo que até se recomendava. Ou seja, os dois começaram a “inventar” novos processos de jogo, sobretudo ofensivos, e nós entendemos da seguinte forma: queriam mudar o rumo dos acontecimentos, naturalmente dando mais intensidade ao confronto e sempre à procura do golo.

Porém, estas ambições dos dois técnicos, não passaram disso. A entrada de Moses no lugar de David, no minuto 45, fez com que a produção do Costa do Sol, pela ala esquerda, caísse significativamente, factor que sobrecarregou demasiadamente o lado direito sob custódia de Parkim.

Sem a ajuda de João Mazive, o lateral que deveria fazer esta asa, sempre nas costas do “17” canarinho, Parkim foi o mais sacrificado e manifestou cansaço a partir do minuto 65, tendo sido substituído somente no minuto 81. O técnico locomotiva também providenciou mexidas fundamentais no seu xadrez, no arranque da segunda parte. Contudo, ele gorou as próprias expectativas.

Tendo constatado a frouxidão de João Mazive durante os primeiros 45 minutos, mas seguro de que precisava de um avançado que tirasse proveito desse detalhe, Rogério Gonçalves baralhou o esquema ofensivo da própria equipa, ao trocar um extremo esquerdo, Skaba, por um direito, Eboh, obrigando o avançado Massaua a ocupar a posição contrária, ou seja, a ala esquerda do ataque.

Como penalização, Rogério Gonçalves não só viu João Mazive ganhar no duelo com Eboh, como chegou até ao minuto 90 sem ver nenhum remate da sua equipa enquadrado com a baliza. Em abono da verdade, diga-se, durante os segundos 45 minutos registámos apenas três situações de golo e todas pertencentes aos donos da casa.

A primeira surgiu pouco tempo depois do intervalo, num lance em que a bola, depois de viajar da asa esquerda para o centro, Chiukepo amorteceu-a com a cabeça para o seu colega de equipa, Parkim, rematar para as mãos de Germano. A segunda ocasião de golo surgiu à passagem do minuto 65, em que Chimango complicou um trabalho aparentemente fácil, atirando ao lado da baliza totalmente escancarada.

O mais esquisito desperdício surgiu aos 80 minutos, num lance em que Parkim, isolado, conseguiu fintar o guarda-redes fora da grande área mas, porque estava cansado, preferiu rematar de longe, tendo o esférico passado por cima da baliza. Com este resultado, o Costa do Sol subiu da nona à quinta posição, com oito pontos, a sete do líder Ferroviário de Nampula.

Semáforo do jogo

Verde: Hipo

Discreto, o trinco locomotiva esteve bem no campo e soube desempenhar, com alguma atitude, as suas funções de travar o ataque canarinho e de servir de elo de ligação entre os defesas e os intermediários. Hipo esteve impecável ao longo dos 90 minutos e fez com que, por diversas vezes, Manuelito II recuasse e tornasse previsível o jogo pelas alas dos donos da casa.

Laranja: Germano

Seria pouco ético, da nossa parte, afirmar que houve infantilidade deste guarda-redes no lance de golo. Mas a verdade manda dizer que Germano esteve muito mal nos primeiros 30 minutos. Escorregava muito e não dava segurança aos seus companheiros de equipa, nem ao próprio técnico. Motivos: as botas que ele calçava tinham pitons quase gastos, o que lhe impedia de jogar devidamente no campo sintético do Costa do Sol.

Vermelho: João Mazive

Custa-nos muito acreditar que João Mazive, lateral direito da equipa canarinha, já deu tudo o que tinha a dar naquela posição. Não corre, não consegue perceber as estratégias de contra-ataque e não sabe fazer passes. Como referenciámos acima, ele foi praticamente um elemento neutro nas saídas para o ataque do Costa do Sol. Aquele lateral direito foi preponderante nos cortes e até na travagem do avanço dos extremos do Ferroviário de Nampula, sobretudo na etapa conclusiva. Mas é, desde sempre, outra função de um lateral apoiar o ataque, naturalmente correndo de uma ponta à outra, e fazer cruzamentos, acções que Mazive já não consegue fazer.

Liga Muçulmana no assalto à segunda posição

No caldeirão do Chiveve, local onde decorreu o duelo de gigantes, diga-se, entre o campeão nacional em título e o respectivo vice, a partida foi resolvida nos últimos dez minutos da segunda parte, quando tudo apontava para um empate entre os dois conjuntos. No minuto 82, depois de receber a bola perto da linha final e galgar terreno a caminho da grande área, passando por um lateral locomotiva, Nando cruzou o esférico para o centro ao encontro de Jerry que cabeceou para o fundo das malhas.

Aquele ponta de lança, que regressou ao futebol moçambicano nesta temporada, marcou assim o único golo do encontro. Com este resultado e com o empate do Maxaquene diante do Ferroviário de Quelimane sem abertura de contagem, a Liga Muçulmana passou a assumir a segunda posição com 16 pontos.

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