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Moçambique com licenciados no desemprego

Moçambique já começa a ter licenciados no desemprego, devido à situação económica do país, o que pode ser um rastilho para algum descontentamento social, admite o reitor da Universidade Politécnica de Moçambique, Lourenço do Rosário. “Começam a aparecer alguns alertas”, afirma Lourenço do Rosário, referindo-se ao perigo de surgir um movimento social de descontentamento relacionado com a pobreza e o desemprego no País.

Sendo certo que muitas revoluções nascem no seio das universidades, onde há mais massa crítica, em Moçambique começam a surgir alguns sinais: “Não se vive esta situação em termos concretos mas começam a aparecer os alertas. “Moçambique começou a formar muitos licenciados e muitos deles vão directamente para o desemprego e, como não se vê que a breve trecho esta situação se inverta, porque a situação económica do país não o permite, é natural que comecem a surgir alertas”, afirma o professor universitário.

Lourenço do Rosário adiantou que em Moçambique há muitos desempregados não escolarizados, “que também são um perigo iminente”, só que os universitários “são mais perigosos”. Em relação à saída de licenciados para o estrangeiro, o reitor da Universidade Politécnica de Moçambique diz ser um problema geral do continente africano, que foi abordado numa recente reunião da União Africana.

Os números apresentados na ocasião apontavam para que a importação de quadros em África, nos vários sectores de actividade, equivale a cerca de 50 por cento dos cérebros africanos que vão para o exterior. Para o reitor, esta situação resulta de uma série de desestruturações que existem nos diversos países africanos, nomeadamente questões de estabilidade e segurança. “As pessoas gostam de trabalhar em liberdade, e muitas vezes o conceito de liberdade que nós temos é diferente do conceito de liberdade dos nossos políticos, há uma série de factores, para além do salário, do bem-estar…”, explica Lourenço do Rosário.

O reitor da Universidade Politécnica de Moçambique defende que em vez de se enviarem jovens com bolsas para o estrangeiro se deve fazer essa formação no país de origem, mesmo que “importando” professores do exterior para formar em maior número. Em relação aos doutoramentos, a situação é mais difícil, diz, “é preciso recorrer ao estrangeiro”.

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