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Moçambique com excedente de milho

Moçambique tem neste momento um excedente de milho estimado em cerca de 75.000 toneladas, o que acontece pela primeira vez em vários anos, sobretudo na década de 80, em que o défice deste cereal atingia uma média anual de mais de 200 mil toneladas.

O director nacional dos Serviços Agrários no Ministério da Agricultura, Boaventura Nuvunga, disse à AIM que, apesar deste excedente, em algumas regiões do país têm-se registado “bolsas de fome”, realçando tratar-se de um problema que tem a ver com escoamento e distribuição.

“Moçambique é um país com mais de 2.500 quilómetros de estradas, algumas das quais em condições de transitabilidade não muito boas”, disse Nuvunga, para quem a ponte sobre o rio Zanbeze, em fase bastante avançada de construção, “vai melhorar o escoamento do milho da zona Norte para as regiões Centro e Sul do país”.

Para além disso, Moçambique tem áreas ecológicas completamente diferentes, havendo regiões onde existem terras que não permitem uma boa produção agrícola, pelo que é necessário encontrar uma forma que permita a colocação de Moçambique com excedente de milho produtos nos distritos com défice alimentar.

Na época agrícola 2007-2008, Moçambique produziu 1.677.876 toneladas de milho, representando uma variação de cerca de 7.87 por cento face à campanha anterior em que foram produzidas 1.566 toneladas. Na campanha 2008-2009 está projectada uma produção de 1.854.962 toneladas de milho, uma variação de 10.50 por cento relativamente à época passada.

Nuvunga explicou a AIM que o aumento da produção de milho deve-se à introdução de tecnologias agrícolas que fundamentalmente se traduzem na ampliação da rede de extensionistas, na colocação de insumos melhorados, na assistência aos produtores na preparação da terra, bem como na melhoria da ligação da produção com o mercado.

De um total de 590 extensionistas da rede pública em 2007, passou-se para 644 extensionistas, que assistem nesta campanha 382.882 famílias, contra 285.381 famílias em 2008. Presentemente, está em curso o processo de admissão de extensionistas, prevendo-se que a rede cresça para 829 extensionistas, “o que irá aumentar o número de produtores assistidos para mais de 500.000, na campanha 2009-2010”.

Por outro lado, foram adquiridos e distribuídos “kitts” para 590 extensionistas e 139 novas motorizadas, sendo posteriormente distribuídas por todas as províncias do país, para além de terem sido promovidos cursos de formação e reciclagem da totalidade dos 590 extensionistas.

Os pequenos produtores beneficiaram também de semente melhorada, disponibilizada pelo Governo a preços bonificados, “o que, juntamente com uma maior assistência dos extensionistas, tem estado a contribuir para o aumento da produtividade”. Entretanto, o elevado custo de fertilizantes tem sido apontado, em todas as províncias, como sendo um constrangimento para maximizar os rendimentos agrícolas de semente de qualidade distribuída pelos produtores.

Outro constrangimento tem a ver com a falta de crédito de campanha, o que dificulta a realização de algumas operações como lavouras e adubação em alguns distritos prioritários, no âmbito do Plano de Acção para a Produção de Alimentos.

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