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MISAU defende criação de práticas de excelência para humanização e qualidade do atendimento hospitalar

O atendimento humanizado e de qualidade nas unidades sanitárias moçambicanas – ao longo dos últimos anos descrito como mau – está a conhecer progressos assinaláveis, segundo o Ministério da Saúde (MISAU), que não só reconhece que ainda há muito trabalho por fazer com vista à satisfação das exigências da população, que continua a se queixar do alegado mau comportamento de alguns técnicos do sector e de cobranças ilícitas, como também defende que as instituições devem se comprometer em criar práticas de excelência, melhoria da formação e comunicação, motivação de recursos humanos e melhoria da gestão do bem público.

Neste contexto, aquela instituição do Estado lançou, esta segunda-feira (23), em Maputo, a segunda “Estratégia Nacional para a Melhoria da Qualidade e Humanização doa Cuidados de Saúde” 2017-2023, bem como a “Estratégia para a Prevenção e Combate das Cobranças Ilícitas”.

A este propósito, Luís Muswei, da COREMO, disse que são inegáveis os avanços no sector da saúde, mas o mau atendimento e a corrupção persistem, por isso, devem ser terminantemente combatidos. Os líderes religiosos estão preocupados com o que chamam de “qualidade assistencial” e os pacientes gostariam de ser atendidos num tempo razoável, ou sejam, sem necessidade de permanecer horas a fio numa fila.

Por vezes, há técnicos de saúde que justificam a demora no atendimento ou outra situação anómala, por exemplo, com a exiguidade de meios materiais.

De acordo com Luís Muswei, não se justifica que um profissional de saúde despenda tempo na sua sala “conversando ao telefone com as comadres e os compadres (…)”, enquanto do lado de fora os doentes se queixam morosidade e a resposta que lhes é dado é: “nada posso fazer porque a saúde” enfrenta escassez de recursos humanos.

“O paciente não quer saber se o hospital onde está a ser atendido dispõe ou não de aparelhos de alta qualidade. Isso interessa aos gestores da saúde”, disse Luís Muswei acrescentando que um funcionário do Estado não pode receber salário enquanto se furta dos seus deveres e maltrata doentes.

A fonte disse ainda que há médicos que prescrevem medicamentos que não existem nas farmácias públicas, o que deixa os utentes agastados. Luís sugeriu que os médicos se informem antes de iniciar o atendimento, para evitar passar receitas cujos fármacos são inexistentes.

Por sua vez, Nazira Abdula, ministra da Saúde, disse que tem sido preocupação do seu sector e do Governo a “oferta de cuidados de saúde de alta qualidade centrados no utente (…)”. Foi nesse contexto que, em 2004, lançou-se o movimento para a melhoria da qualidade e humanização, cujos trabalhos serão continuados através da implementação das estratégias acima referidas.

A governante admitiu que “não basta aprovar projectos e estratégias de melhoria de qualidade. As instituições de saúde devem comprometer-se em criar um ambiente favorável para a implementação de práticas de excelência através da formação e motivação de recursos humanos, melhorando a comunicação e a gestão do bem público”.

Refira-se que a segunda “Estratégia Nacional para a Melhoria da Qualidade e Humanização doa Cuidados de Saúde” 2017-2023 tem como princípio a ideia segundo a qual a qualidade e humanização devem acontecer mediante a oferta de cuidados de saúde “atempados (pontualidade) que atinjam os resultados desejados (eficácia) sem causar danos ao utente, ao funcionário e ao ambiente (segurança), e que respeitem as necessidades e preferências dos utentes (humanização)”.

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