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‘@ minha verdade – Sobre o meu drama grego

A epopeia da Chama da Unidade, a segunda na era guebuziana, chegou ao fim. Foram meses de grande euforia popular, em que o Povo do Rovuma ao Maputo e do Zumbo ao Índico – por onde a Tocha passou – exultou e exaltou efusivamente a Unidade Nacional, simbolizada naquele metal, qual maná!

O meu camarada de ofício, Floriberto Fernandes, da TVM, certamente tem matéria para escrever livros sobre as nossas gentes e suas aspirações, depois que cobriu a epopeia desde a Ponte da Unidade até a Ponta de Ouro. Estou, por isso, com incontida inveja dele. No rescaldo das festividades dos 35 Anos da Independência Nacional, fica a confissão de que não vi a Chama senão pelas imagens da televisão, não andei nem por perto das folclóricas recepções à Tocha. Pergunto- me, pois, serei menos patriota por não ter participado da festa do povo? Não sei a resposta, sinceramente! Pergunto-me, estarei a contribuir para a Unidade Nacional ao ficar alheio a esse momento único, histórico, inolvidável da Construção da Nação Moçambicana? Novamente, não consigo encontrar resposta.

Para saber se estou a contribuir ou não para a Unidade Nacional, vou perguntar aos meus melhores amigos, por sinal um nascido em Pemba em família maronga mas que se assume mais como macua do que “maputeco”; outro nascido em Mossurize, lá do frio da montanha nas terras do Planalto (Manica); outro ainda a quem baptizei como O Régulo da Cabeça do Velho por tanto se orgulhar de ter herdado terras lá para as bandas de Manica; outra ainda nyanja de origem, mas Beirense bué por ter nascido e crescido nas bandas desse Chiveve minha paixão.

No rescaldo das celebrações dos 35 Anos da nossa Autodeterminação, depois de termos sido brindados por comemorações com pompa e circunstância dos 30 Anos de Independência e sermos bafejados nos últimos anos com homenagens a vários heróis outrora esquecidos ou pouco divulgados, não posso deixar de me congratular com o camarada Presidente da República por andar a dar-nos Luz sobre a nossa história, por nos dopar a auto-estima, vezes muitas exacerbada.

Contudo, de tanto ver nessas celebrações e comemorações “matizes partidárias” e “peso da Kalashnikov”, talvez porque sofro de algum daltonismo político, não posso deixar de me questionar por- que é que um meu amigo de Tete, formado em história, especialista em comunicação e analista político decidiu em algum momento chamar o seu blogue de “A Amnésia, a Anestesia e a Política Moçambicana”.

Confesso que continuo a não perceber se o meu amigo quer sugerir que a exaltação da Memória Colectiva, o Culto aos nossos ícones são uma dose de anestesia a todo um povo unido do Rovuma ao Maputo; estou a tentar entender se o meu amigo pretende insinuar que a “praxis” política nacional está orientada para provocar uma amnésia sobre determinados factos, figuras e marcos históricos, sobredimensionando uns e menorizando outros nos grandes actos e eventos da Moçambicanidade.

Espero, sinceramente, que esteja equivocado nestas minhas tentativas de interpretar o pensamento do meu amigo “kamikaze”… pois desde que ele chamou assim o seu blogue, ficou impregnada em mim a impressão de que há um exercício deliberado e decretado de nos anestesiar com celebrações folclóricas regadas de bom álcool que dá rendimentos a quem é accionista das cervejeiras; com debates de denominações de gerações, pregações pastorais sobre o grande desígnio da Nação que só servem para nos manter dopados numa amnésia colectiva dos nossos problemas e reais desafios…a tal ponto que acabamos nos esquecendo de celebrar ícones do nosso ser como a Zaida Hlongo. Espero, sinceramente, estar errado…caros patrícios!

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