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Mineração ilegal dobra desmatamento e afecta índios no Peru

A área da floresta amazônica devastada pela mineração ilegal dobrou em dois anos no Peru e muitos índios na fronteira com Brasil e Bolívia vivem com níveis letais de mercúrio utilizado para extrair o ouro, afirmaram os especialistas e o governo.

Esta actividade, que cresceu fortemente em conjunto com o aumento do preço do metal precioso, desmatou áreas protegidas na região de Madre de Dios, a de maior biodiversidade do país e um dos maiores pulmões do mundo. O Peru é o sexto maior produtor de ouro e a região de Madre de Dios é responsável por cerca de 13 por cento do fornecimento local.

“Em dois anos, quase foram duplicadas a cerca de 50 mil hectares as florestas em Madre de Dios devastadas pela mineração ilegal. Isso é ultrajante”, disse esta Quarta-feira o assessor e especialista do tema no Ministério do Meio Ambiente, Ernesto Ráez.

O Ministério do Meio Ambiente, criado em 2008, tem tido uma dura batalha para banir essa actividade em conjunto com as Forças Armadas, que destroem com explosivos as máquinas usadas pelos mineiros para remover o leito dos rios da Amazônia.

Até agora neste ano, as Forças Armadas fizeram 14 interdições, destruindo enormes veículos de carga, bombas de água e dragas, uma espécie de pá gigante que extrai terra mineralizada do rio e a processa com o mercúrio para obter ouro.

Depois da operação, a terra com mercúrio volta à água. A região de Madre de Dios foi invadida por milhares de mineiros informais atraídos pelo preço do ouro, metal que serve como activo de refúgio em tempos de turbulência financeira global.  O seu valor atingiu níveis recordes em 2011 e o seu preço é atractivo, apesar de ter diminuído desde então.

Ráez, que junto com outros especialistas fez na Segunda-feira um sobrevoo pela área afectada em Madre de Dios, disse que a depredação afecta não só as florestas, mas os peixes dos rios que servem de alimento para os nativos da região. “É um atentado ambiental grave”, disse ele.

Mercúrio mortal

Um estudo patrocinado pela Universidade de Stanford, da Califórnia, revelou que índios da área de Madre de Dios, na sua maioria crianças, têm, em média, em seus organismos níveis de mercúrio que excedem cinco vezes o permitido, sendo vítimas de uma contaminação que causa danos irreversíveis ao cérebro e pode levar até mesmo à morte.

“Nós estudamos os níveis de mercúrio em 24 aldeias e cidades de Madre de Dios e descobrimos que todas as zonas tinham níveis de mercúrio acima do nível permitido, cinco vezes o limite internacional”, disse o chefe do projecto Carnegie de Mercúrio da Universidade de Stanford, Luis Fernandez.

Além disso, “descobrimos que as crianças de comunidades nativas são três vezes ou mais afectadas que as crianças que não estavam em nenhuma comunidade indígena”, disse em Lima.

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